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Meio Ambiente

14/12/2017 | domtotal.com

Educação ambiental como oferta ao outro a favor da dignidade da pessoa humana

A educação ambiental é um instrumento hábil para disseminar a necessidade de desenvolvimento sustentável.

A educação ambiental é um instrumento hábil para disseminar a necessidade de desenvolvimento sustentável.
A educação ambiental é um instrumento hábil para disseminar a necessidade de desenvolvimento sustentável. (Divulgação)

Por Vânia Ágda Oliveira Carvalho*

Um dos últimos artigos que escrevi para esta Revista, quiçá o último, intitulado “Pelas ruas da cidade, pessoas andam, no vai e vem”, abordava o tema “pensar a cidade” na concepção do movimento diário das pessoas, desvinculado de suas responsabilidades, como seres que não se reconhecem, que não notam o estado degradatório hodierno em que se encontra o nosso mundo e terminava referenciando ensinamentos a respeito da educação ambiental em prol da sustentabilidade para a cidade.

Ora, discussões que se prendem puramente às temáticas relacionadas ao estado de devastação do meio ambiente, condizente à degradação ambiental, às desordens nas cidades, desigualdades sociais, minorias desconsideradas, formas com as quais o ser humano se vê no mundo etc., não se fazem mais necessárias. O que se vê urgente é a busca por meios para disseminar a necessidade de se transformar essa realidade, tendo em vista as dificuldades no que tange à efetivação da informação, mais especificamente, à educação ambiental, buscando transladar a teoria para ações práticas, retirando dos seres humanos o vai e vem irresponsável pelas ruas das cidades.

A educação ambiental é, pois, um instrumento hábil para disseminar a necessidade de desenvolvimento sustentável, alertando a sociedade dos riscos de vê-se esgotados os recursos naturais e, consequentemente, extinguir a própria espécie humana, tendo em vista, a característica de pertença do homem ao meio. E é exatamente nessa esfera o necessário clamor de responsabilidade da terminologia “TODO”, presente no texto constitucional (art. 225 da CRFB/1988) posto que essa afirmação funda-se no destrinchar do conceito de cidadania, sobre o prisma de que ser cidadão é ter a consciência de que é sujeito de direitos, tais como à vida, ao meio ambiente equilibrado, à liberdade, igualdade, direitos políticos e sociais, bem como a implicação de ser agente detentor de deveres para com sua preservação.

Em que pese educação ambiental não ser direito fundamental consagrado na nossa Constituição, é princípio e, apresenta relevância no ordenamento jurídico pátrio. Ademais, está vinculado ao direito à vida e, por tal, relaciona-se ao direito de todo ser humana de dispor dos meios adequados de subsistência. Nesse prisma, a afirmação de que o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é pressuposto inafastável da realização do direito à vida com dignidade.

Trata-se, assim, de instrumento que estimula o avanço na construção de novos objetos interdisciplinares de estudo mediante questionamentos dos modelos dominantes e da incorporação do saber ambiental em novos programas curriculares, na formação de educadores e profissionais da área do meio ambiente, bem como norteadora de comportamentos individuais, alterando padrões no agir em favor da vida digna.

Outro ponto a questionar refere-se à efetividade da educação ambiental. Retirar os princípios inerentes a ela do plano de propósitos, trazendo, à discussão, a primazia da ação educativa e todas as benesses possíveis de ocorrer. É preciso, também, buscar equilíbrio no que tange ao pilar socioambiental, considerando as desigualdades sociais, os movimentos econômicos, as ocupações, o crescimento urbano desenfreado, a realidade como um todo, haja vista que o meio ambiente em equilíbrio é condição para o sadio desenvolvimento da vida humana.

Dessa forma, relevante trazer à baila a alteridade como fator de reconhecimento no outro, inclusive como aspecto inerente à educação ambiental, na perspectiva do ensino, do método, da construção do conhecimento, da consideração de saberes. Nesse prisma se vê inserido a complexidade, considerando o contexto para a formulação de julgamentos adequados sobre a realidade. A partir dessa constatação não é o fato de se pensar apenas na formação técnica e profissional, ou de se refletir sobre os processos de ensino-aprendizagem, mas abordar a educação ambiental com caráter de alteridade, onde educador se reconhece no educando, identificando-se com suas necessidades socioambientais, percebendo-se inserido em seu contexto.

Para que essa abordagem pedagógica aconteça, faz-se necessário compreender a educação como uma ação entre pessoas, não indivíduos abstratos, encontro entre alteridades irredutíveis a funções ou papéis, o que significa inicialmente a revisão da relação educador-educando. Assim, a ação educativa não deve estar adstrita nas noções de transmissão ou construção de conhecimento, mas, a priori, no encontro em que o educador se reconhece responsável pelo outro, transmitindo, inclusive, esse reconhecer-se no próximo.

Nesse prisma, os princípios concernentes ao enfoque o qual se destina a Política de Educação Ambiental, quais seja, humanista, cultural, holístico, social etc, devem desprender-se do texto legal e se fazer presentes, de fato, no ato educativo vislumbrado na educação ambiental. Assim, esse instrumento poderá propiciar uma transformação da realidade indesejada, no campo socioambiental, vislumbrando, a partir do reconhecer-se no outro, uma vida mais digna para toda a humanidade.

EMGE

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