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14/12/2017 | domtotal.com

Confira os sinais da mudança na política de EUA sobre Coreia do Norte

Seriam essas declarações o prenúncio de uma redução das tensões?

O governo Trump tentou aumentar a pressão sobre Pyongyang, mediante sanções e uma retórica belicosa.
O governo Trump tentou aumentar a pressão sobre Pyongyang, mediante sanções e uma retórica belicosa. (Reprodução)

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, pode ter anunciado, na noite desta terça-feira, (13) uma mudança radical na política dos Estados Unidos em relação à Coreia do Norte, ao afirmar que Washington está disposta a conversar com Pyongyang "sem condições prévias".

Após um ano de ameaças e insultos entre o presidente americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, seriam essas declarações o prenúncio de uma redução das tensões? Confira abaixo alguns elementos dessa possível transição:

- O que mudou?

Durante anos, os Estados Unidos se negaram a negociar, se a Coreia do Norte não adotasse medidas para desmantelar seu programa nuclear.

Desde 2006, o país asiático fez seis testes nucleares e, no final de novembro passado, garantiu ter-se tornado um Estado nuclear, após um novo lançamento de míssil intercontinental. A possibilidade de um desarmamento é pouco provável, agora, segundo vários especialistas consultados pela AFP.

"Estamos dispostos a conversar, se a Coreia do Norte quiser conversar", declarou Tillerson em entrevista coletiva ontem, em Washington.

- Qual a avaliação de Trump?

O governo Trump tentou aumentar a pressão sobre Pyongyang, mediante sanções e uma retórica belicosa.

Em um colóquio realizado há dez dias, o conselheiro de Segurança Nacional de Trump, general H.R. McMaster, declarou que a probabilidade de uma guerra contra a Coreia do Norte "aumenta a cada dia".

Nos últimos meses, o presidente americano minou os esforços de seu secretário de Estado no sentido de apaziguar a relação com o regime de Kim Jong-un.

"Disse a Rex Tillerson (...) que perde tempo, negociando com o pequeno Homem-Foguete", tuitou Trump em outubro.

Recentemente, aumentaram os rumores sobre uma mudança de titular no Departamento de Estado e, nesse contexto, as declarações de Tillerson ainda não permitem confirmar uma mudança na política dos EUA em relação à Coreia do Norte.

De fato, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, afirmou que a postura de Trump sobre o país asiático "não mudou".

- Como Pyongyang reagirá?

Há muito tempo exigindo conversas sem condições prévias, a Coreia do Norte pode responder de forma positiva a Tillerson, afirmam especialistas.

"A estratégia do Norte é aguentar e sofrer as sanções até que a comunidade internacional se veja obrigada a reconhecer o fato de que o Norte é uma potência nuclear", acredita Chung Sung-Yoon, do Instituto para a Unificação Nacional de Seul.

Quanto mais seu programa nuclear avançar, mais força a Coreia do Norte terá em possíveis negociações.

- Como seus vizinhos vão reagir?

É provável que Coreia do Sul e China, única aliada importante e principal sócia comercial da Coreia do Norte, vejam com bons olhos as declarações de Tillerson.

Washington já pediu a Pequim várias vezes que pressione o vizinho norte-coreano, enquanto o governo chinês insiste em uma saída pacífica para a crise. O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, também é partidário do diálogo.

Aliado militar de Washington na Ásia, o Japão também pede que se encontre uma maneira de reduzir as tensões com o regime de Kim Jong-un.

- Quais são os precedentes?

Todos os esforços ocidentais fracassaram na últimas décadas.

Um acordo-marco de 1994 propunha à Coreia do Norte reatores nucleares civis e outros programas de ajuda em troca da desnuclearização.

Washington acusou Pyongyang, porém, de ter retomado secretamente seu programa de armamento nuclear. Enquanto isso, a Coreia do Norte se indignava com os atrasos na entrega da ajuda, pondo fim ao acordo.

Em 2003, começaram as conversas sobre o programa nuclear norte-coreano entre China, Estados Unidos, as duas Coreias, Rússia e Japão.

Dois anos depois, Pyongyang prometeu renunciar às suas operações nucleares, mas acabou fazendo seu primeiro teste atômico em 2006.

O regime norte-coreano se retirou das conversas em 2009 e fez seu segundo teste nuclear pouco depois.

Desde então, o país seguiu adiante com suas ambições nucleares, acelerando o movimento com a chegada de Kim Jong-un ao poder, após a morte de seu pai, Kim Jong-il, no final de 2011.


AFP

EMGE

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