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Religião

12/01/2018 | domtotal.com

As doenças religiosas: fundamentalismo, fanatismo e dogmatismo

Danos causados pelas doenças religiosas afetam não só os indivíduos, mas também as tradições religiosas e a sociedade às quais pertencem.

Doenças religiosas são o lado nebuloso da vivência de alguns membros das tradições religiosas.
Doenças religiosas são o lado nebuloso da vivência de alguns membros das tradições religiosas. (Reprodução/ Pixabay)

Por Felipe Magalhães Francisco*

É inegável que o religioso faça parte do cotidiano dos brasileiros. Nossa linguagem corriqueira, por exemplo, está marcada por ele, mesmo na boca de pessoas que não estão vinculadas a qualquer tradição religiosa. Quantas são as pessoas ao nosso redor, que sempre se despedem com um “vai com Deus”? Nas cédulas de Real, um “Deus seja louvado”; nas repartições públicas, um crucifixo. Respiramos um ar religioso, em todos os cantos pelos quais circulamos. Isso reflete a força do religioso, que de alguma maneira insiste em permanecer em nosso imaginário.

Há, também, um lado nebuloso, nesse imaginário, que diz respeito a parte dos membros das tradições religiosas. Trata-se do que aqui chamamos de doenças religiosas, tal como o fundamentalismo, o fanatismo e o dogmatismo, três temas sobre os quais nos debruçamos nessa matéria especial. Tais doenças são um excesso, de modo que se configuram como uma prática religiosa desvirtuada e danosa. Os danos afetam não apenas as pessoas que cederam a tais vícios do exercício da religião, mas também às tradições religiosas e a sociedade em geral. Tal reflexão, sem dúvidas, não deve ser ignorada pelas confissões religiosas, pois trata-se de uma questão vital para a própria continuidade delas.

No primeiro artigo, Fundamentalismo religioso: quando a fé se torna intolerante, o doutorando em Ciências da Religião, Alex Kiefer, aborda a temática do fundamentalismo, explicitando o seu significado e refletindo sobre seus traços. Acostumados que estamos, por força da mídia, em considerarmos apenas o fundamentalismo islâmico, esquecemo-nos de observar o nosso contexto religioso como, por exemplo, o do cristianismo, tanto católico como protestante, mais presente em nossa realidade brasileira.

Outra doença religiosa é o fanatismo. Sobre isso, o artigo Fanatismo religioso: um fetiche, de César Thiago do Carmo Alves, doutorando em Teologia, faz uma leitura a respeito desse vício, a partir de dois aspectos: o psicológico e o sociológico. No texto, o autor aponta que, muitas vezes, os fiéis acabam não por cultuar a Deus, mas a própria religião, levando-os a uma prática religiosa desvirtuada e com graves consequências para si mesmos, e para toda a sociedade.

 Por fim, o mestrando em Filosofia, Daniel Couto, no artigo Os perigos do dogmatismo patológico, aponta para o significado dos dogmas para as tradições religiosas, como inspiradas pela divindade e que configuram como verdade. Dogmas são importantes para a compreensão da fé e do divino, tal como as teologias entendem e postulam. A compreensão dos dogmas pressupõe responsabilidade, pois carecem de interpretação: fora disso, caímos no dogmatismo, quando lidamos com o dogma como verdade irrefutável e inquestionável.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail para sugestões de temas: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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