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12/01/2018 | domtotal.com

Vida

Pensamentos fluídos, não líquidos, em torno dos sonhos, dos desejos, das vontades a curto prazo.

A vida fica mais cheia aprendendo o máximo que você possa, sobre o máximo que você puder.
A vida fica mais cheia aprendendo o máximo que você possa, sobre o máximo que você puder. (Divulgação / Pixabay)

Por Eleonora Santa Rosa*

Lufada de vento fresco na paisagem da Cidade Maravilhosa, não mais tão cheia de encantos mil, mas ainda bela o suficiente para fazer suspirar numa mirada pela janela do carro ou numa corriqueira caminhada.

Dizem que este verão está ameno, suportável, quase civilizado, escuto com atenção, enxugando o suor que escorre por todos os lados. Encharcada vivo, em ebulição trabalho, encalorada durmo, esperando a brisa soprar, com a cabeça em turbilhão.

Maremoto de ideias em situação urbana de muitos riscos, em aprendizado de cultura de vida diametralmente oposta à rotina montanhosa, encantos em meio ao centro de marcas e marcos de história, traçando passeios em percursos ainda desconhecidos, utopia de extração de conhecimento via extratos fundamentais da formação de uma das mais belas, complexas e 'injustas' cidades do mundo.
Escavar o mito da 'futilidade' das relações à beira-mar, olhar fundo a superfície da alegria propagada aos quatro ventos, entender a transmutação mineira do orgulho adquirido da carioquice passageira, compreender tão claramente a necessidade do mar.

Pensamentos fluídos, não líquidos, em torno dos sonhos, dos desejos, das vontades a curto prazo, já que a longo nenhum de nós estará.

Reflexões entabuladas por provocações vindas, às vezes, através de pessoas absolutamente fora de seu interesse ou convívio direto ou via rede, como, por exemplo, a que me chegou por meio de um post de um discurso incrivelmente bem humorado, inteligente, sagaz e crítico de um belo estranho homem ruivo, de cabelos longos e barba cerrada, óculos grandes, comediante, dando seu recado em nove deliciosas e provocadoras 'lições de vida', em solenidade universitária na Austrália pontuada por becas, canudos e gargalhadas. A figura, o camarada, com um carisma e tanto, 'atende' pelo nome de Tim Minchin, jamais ouvi falar dele antes e nem sei mesmo se ouvirei depois. No entanto, vale ver e ouvir, com redobrada atenção e leveza, a gravação de seu speech, do qual retiro este trecho que adorei de sua nona 'lição': "Não tenha pressa. Você não precisa saber o que vai fazer pelo resto de sua vida. Não entre em pânico. Em breve você vai estar morto. A vida, às vezes, vai parecer longa e difícil, e, meu deus, é cansativa. Você, às vezes, vai estar feliz, às vezes, triste. E aí você vai estar velho.

E aí você vai estar morto. Só tem uma coisa a se fazer nessa nossa vazia existência: acrescente. A vida fica mais cheia aprendendo o máximo que você possa, sobre o máximo que você puder. Ter orgulho do que você estiver fazendo. Ter compaixão, dividir ideias. Correndo, sendo um entusiasta. E depois tem amor, viagens, vinho, sexo, arte, crianças, se doar, escalar montanhas, mas vocês já sabem disso. É uma coisa incrível e excitante essa vida insignificante que nós temos. Boa sorte!"

*Jornalista, editora, produtora e gestora cultural, foi secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais.

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