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13/02/2018 | domtotal.com

Desfiles do Carnaval do Rio para deficientes auditivos

A cena transcorre em silêncio para Nobrega, mas deve ser descrita para seus telespectadores - e é aqui que entram as vibrações.

Aulio Nobrega e Daniela Abreu, que usam Libras para se comunicar com os telespectador da TV INES, no desfile da Sapucaí em 12 de março de 2018
Aulio Nobrega e Daniela Abreu, que usam Libras para se comunicar com os telespectador da TV INES, no desfile da Sapucaí em 12 de março de 2018 (AFP)

Aulio Nobrega não escuta nada quando centenas de músicos começam a batucar no Sambódromo do Rio de Janeiro, ou quando os milhares de foliões cantam, nem quando o público grita. Mas ele pode sentir - literalmente - sua vibração.

O brasileiro de 40 anos trabalha para a TV INES, canal destinado a deficientes auditivos, onde jornalistas reportam em Libras, a língua brasileira de sinais.

"As vibrações são reais, consigo senti-las", explica Nobrega, que cobriu os barulhentos desfiles desta segunda-feira.

Antes de cada desfile, a tradicional queima de fogos de artifício anuncia a entrada das escolas. Em seguida, arranca a bateria, cujo volume é ampliado nos alto-falantes. Somam-se à algazarra as vozes de mais de 3 mil pessoas cantando o samba-enredo a plenos pulmões e os 70 mil presentes nas arquibancadas.

A cena transcorre em silêncio para Nobrega, mas deve ser descrita para seus telespectadores - e é aqui que entram as vibrações.

Nobrega explica que não sente falta de ouvir a música, pois pode senti-la em todo seu corpo.

"Não escuto nada da música, realmente nada, mas sinto as vibrações. É como se fosse uma força que sinto na minha pele", disse à AFP em Libras, traduzido por uma das intérpretes da TV INES.

"É uma experiência muito boa, realmente emocionante", garante.

Redução das margens

O Brasil tem um longo caminho para garantir a inclusão adequada aos deficientes auditivos, garante Daniela Abreu, intérprete da TV INES, que pode ouvir, mas aprendeu Libras com seus pais, que são surdos.

Instituições públicas, como a Polícia, não contam com intérpretes. "É preciso levar o seu", disse Abreu.

"Essas pessoas são relegadas à margem da sociedade", acredita ela.

A TV INES entrou no ar há cinco anos, tentando atender a este público marginalizado.

Seus vídeos costumam ser vistos por entre 10 mil e 13 mil pessoas, com uma audiência crescente entre os 10 milhões de deficientes auditivos no Brasil.

Neste ano, eles fizeram pela primeira vez a cobertura do famoso desfile do Sambódromo.

"É importante para a sociedade entender que existe essa diversidade", disse Nobrega.

Enquanto ele falava com a AFP, a escola de samba Unidos da Tijuca se preparava para entrar na Avenida Marquês de Sapucaí. Logo vieram os fogos, seguidos pelos tambores.

Para qualquer um que não saiba usar a linguagem de sinais, tentar falar é inútil.

Essa é hora de Nobrega e sua equipe começarem sentir as vibrações do desfile.


AFP

EMGE

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