;
Entretenimento Cinema

15/04/2018 | domtotal.com

Cine Humberto Mauro exibe a mostra Grandes Nomes do Kung Fu

A entrada é gratuita com retirada de ingressos meia hora antes de cada sessão.

Operação Dragão 3.
Operação Dragão 3. Foto (Divulgação)
O Clã das Adagas Voadoras 1.
O Clã das Adagas Voadoras 1. Foto (Divulgação)

Os grandes nomes do Kung Fu ocupam o Cine Humberto Mauro neste mês de abril, com uma mostra de 27 longas que abordam o universo da milenar arte marcial chinesa. Reunindo filmes com atores mais conhecidos no ocidente como Bruce Lee e Jackie Chan, além dos aclamados no oriente como Sammo Hung, Donnie Yen e Ziyi Zhang, a mostra pode ser dividida em três eixos principais: ação, comédia de ação e wuxia, gênero literário e cinematográfico tradicional chinês, que tem suas origens datadas há mais de 5 milênios.

Resistência identitária e tradição - De acordo com o crítico Julio Cruz, da gerência do Cine Humberto Mauro e curador da mostra, “o cinema de Kung Fu trata sobretudo de uma questão de identidade nacional devido à colonização britânica de Hong Kong, onde nasceu. Nos filmes, era possível expressar a insatisfação com o apagamento geral das tradições chinesas”, destaca.

Ainda segundo o curador, o gênero tradicional wuxia tem como base a cultura milenar da formação religiosa chinesa e, por isso, costuma ser mal interpretado pelos ocidentais. “Princípios do budismo e xintoísmo são tratados socialmente, e uma forma de Hong Kong afirmar sua identidade foi recontar essas histórias milenares no cinema, em que os personagens são capazes de aperfeiçoar o controle da força universal do Chi e atingirem feitos sobre-humanos”, comenta.

Outro aspecto interessante do cinema de Kung Fu é o caráter de storytelling da luta, de forma que o contato entre os corpos em combate acontece como num diálogo. “É algo próximo do que é o ballet e outros tipos de dança no ocidente. O importante não é só quem vai ganhar a luta, mas o conflito corporal em si. As lutas são coreografadas e têm um perfeccionismo muito grande em relação aos movimentos e a montagem cinematográfica para construir a narrativa”, comenta Cruz.

Para o curador, a mostra é heterogênea e a seleção demonstra a reestruturação do cinema de Kung Fu clássico dos anos 60 até sua desconstrução no cinema mais contemporâneo, com longas desde 1972 até 2016. “Filmes do Stephen Chow como Kung Fusão (2004) vão abordar preceitos e fórmulas do wuxia clássico e trabalhar esse aspecto do ridículo, aproximando do realismo”, conclui.

Destaques – A mostra Grandes Nomes do Kung Fu traz grandes destaques tradicionais como Bruce Lee, com as obras O Dragão Chinês (1971), a Fúria do Dragão (1972), Operação Dragão (1973) e a Fúria do Dragão (1972). Já Jackie Chan estrela Police Story (1985), uma reestruturação do cinema policial com características do Kung Fu, no papel de Ka Kui, um policial que, depois de capturar o chefe do crime de Hong Kong, é encarregado de proteger sua secretária, sem saber de suas intenções de libertar o chefe. No wuxia Herói (2002), Jet Li interpreta um lutador sem nome que se propõe a enfrentar os assassinos de elite que ameaçam o soberano da província do norte da China, num exemplo da excelência da linguagem corporal do Kung Fu.

Entre os destaques menos conhecidos no ocidente, está Os Condores do Oriente (1987), que se passa após a Guerra do Vietnã. No longa, um grupo de prisioneiros chineses é enviado como chamariz numa missão para destruir um depósito de armas americano, deixado para trás pelos militares no país. Ip Man (2008) e o Grande Mestre (2013) se destacam como duas ficcionalizações da história real do mestre de Bruce Lee, e as bases para o estilo Jeet Kune Do, criado pelo ator.

Outro filme que se destaca é Dragão (2011), que homenageia os clássicos do wuxia com a investigação da morte de exímios lutadores de Kung Fu numa vila. Em O Clã das Adagas Voadoras (2004), em meio à decadência da dinastia Tang, dois soldados oficiais recebem a missão de capturar o líder de um grupo rebelde. Um deles se infiltra no grupo seduzindo uma revolucionária cega, mas os dois acabam se apaixonando nesse célebre romance. O Tigre e o Dragão (2000), ganhador de 4 Óscares em 2001, é outro wuxia de destaque na mostra, colocando as mulheres em evidência, uma característica do cinema Kung Fu.

Por fim, os longas Kung Fusão (2004) e Kung Fu Futebol Clube (2001) se destacam como comédias que desconstroem todo tradicionalismo da mostra. Em Kung Fusão (2004), um ladrão de segunda categoria chama a atenção de uma gangue com suas tentativas atrapalhadas de extorquir dinheiro dos moradores de um bairro. Já em Kung Fu Futebol Clube (2001), um grande lutador é descoberto por um time de futebol formado apenas por lutadores de Kung Fu e, com a mistura do esporte com a milenar arte marcial, o grupo consegue chegar até o final de um campeonato local.

História Permanente do Cinema – Na programação da História Permanente do Cinema, destacam-se os clássicos O Grande Mestre Beberrão (1963) e O Espadachim de Um Braço Só (1967). O primeiro é um clássico do Kung Fu em que uma lutadora é encarregada de resgatar seu irmão de um sequestro, com a ajuda de um mestre disfarçado de mendigo. O segundo conta a história de vingança de um mestre que é mutilado em batalha e reaprende a lutar usando apenas um braço.

Mostra GRANDES NOMES DO KUNG FU
Local:
Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
Endereço: Av. Afonso Pena, 1.537
Período: 11 de abril a 3 de maio
Entrada gratuita
Informações para o público:
(31) 3236-7400


Fundação Clóvis Salgado

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas