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16/04/2018 | domtotal.com

Documentário 'Auto de Resistência' mostra a violência policial no Rio

Título técnico refere-se a esse limbo jurídico no qual se perdem os verdadeiros números da violência policial carioca

Doc mostra homicídios da polícia não contabilizados sob alegação de que foram reações em legítima defesa.
Doc mostra homicídios da polícia não contabilizados sob alegação de que foram reações em legítima defesa. (Reprodução)

Quando a violência no Rio entra na pauta nacional, um filme como 'Auto de Resistência', de Natasha Neri e Lula Carvalho, ganha novo relevo. No quadro do É Tudo Verdade, o documentário será exibido nesta quinta, 19, às 15h, no Sesc 24 de Maio.

O título técnico refere-se a esse limbo jurídico no qual se perdem os verdadeiros números da violência policial carioca. Define homicídios da polícia não contabilizados sob alegação de que foram reações em legítima defesa. O filme mostra que não é bem assim. Elege casos tristemente famosos, como a "chacina de Costa Barros", em que cinco rapazes foram confundidos com ladrões de carga. Em outra cena, uma gravação de celular flagra um policial pondo a arma na mão de um jovem já morto, para simular que ele havia disparado contra a tropa.



São gravadas cenas com as mães indignadas e inconsoláveis pelos filhos assassinados. E também algumas sequências de tribunal, quando policiais e seus advogados tentam se defender das acusações. Naquele caso em que a arma foi "plantada" na mão da vítima, o policial diz que o fez porque o revólver apresentava defeito e poderia disparar, ferindo alguém. Surrealista.

O filme mostra como os alvos preferenciais se encontram entre a população pobre e negra do Rio. A pretexto do combate ao tráfico toda uma parcela da população e bairros inteiros da cidade são criminalizados. E os "autos de resistência" servem para que grande parte dos processos seja arquivada.

Natasha é socióloga, com mestrado em violência urbana. Lula é um dos grandes fotógrafos do cinema brasileiro. A parceria produz um filme consistente do ponto de vista conceitual e potente em termos de imagem. Não privilegia a palavra de especialistas, mas a de sobreviventes de chacinas e seus parentes. Ou seja, aqueles que sofrem diretamente com a violência policial tornada impune por um dispositivo jurídico.

Construído ao longo de dez anos de trabalho, Auto de Resistência incorpora uma cena de passagem, mas muito significativa. É quando a vereadora Marielle Franco aparece em protesto, ao lado de mães de vítimas da violência policial. Até agora, passado mais de um mês, o assassinato de Marielle, uma política vinda da favela e militante pelos direitos humanos, continua sem solução.


Agência Estado

EMGE

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