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Religião

11/05/2018 | domtotal.com

A Iniciação à Vida Cristã como Projeto Pastoral

O processo de iniciação cristã consiste em conformar-nos a Jesus; inclusive a nossa missão à dele, que é o anúncio da Boa Nova

A conformação da própria vida à de Cristo é um continuum que só termina na união definitiva com Deus.
A conformação da própria vida à de Cristo é um continuum que só termina na união definitiva com Deus. (Rod Long/ Unsplash)

Por Felipe Magalhães Francisco*

A missão da Igreja é a evangelização. É para isso que ela existe, segundo o querer do Senhor, que inspira os seus discípulos e discípulas a viverem em comunidade e a serem apóstolos e apóstolas, isto é: anunciadores e anunciadoras da Boa-Notícia. É a própria missão de Cristo que os seus seguidores e seguidoras são chamados a assumir. E é nessa teo-lógica que se insere o processo de iniciação cristã: conformar-nos a Jesus; inclusive a nossa missão à missão dele.

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O cumprimento da missão cristã pressupõe o processo de Iniciação. Começa pelo querigma, o primeiro anúncio fundamental: Jesus, o Cristo, é o Filho de Deus, Salvador. Passa ao aprofundamento da experiência com esse Jesus, no aprendizado do discipulado e da vida comunitária. Prossegue ao longo de toda a vida cristã até quando, definitivamente, participaremos da vida divina. A vida cristã, toda ela, precisa ser iniciática.

A prática iniciática da Igreja esteve, por longo tempo, acomodada num modelo eclesial bastante conformado. A transmissão da fé era compreendida como algo natural, nas famílias. Os pais, batizados por seus pais, naturalmente batizariam seus filhos. E assim o é, ainda hoje! Mas, e o despertar da e para a fé e sua educação? Aqui, houve uma considerável falha, cujas consequências temos podido acompanhar no seio das comunidades cristãs. Curiosamente, essa tem sido a constatação da Igreja latino-americana desde sua segunda Conferência Episcopal, há 50 anos, em Medellín. Desde essa Conferência, insiste-se na renovação da catequese, para que seja, verdadeiramente, Iniciação à Vida Cristã.

Atualmente, a CNBB tem insistido, em suas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, na perspectiva de uma mudança paradigmática no modelo pastoral, a fim de que as comunidades se tornem Casa da Iniciação Cristã. Dá o que pensar o provocativo Documento 107, sobre a Iniciação à Vida Cristã, no horizonte da formação de discípulos missionários. No texto, encontramos ecos da Conferência de Aparecida, bem como dos apontamentos programáticos do pontificado de Francisco. Trata-se de uma importante interpelação à pastoral eclesial, na qual redescubramos o valor de uma Pastoral de Conjunto, em que a Iniciação à Vida Cristã, compreendida como questão permanente, seja central.

 Nesse sentido, a Catequese – compreendida de modo amplo, na perspectiva da permanente iniciação cristã – não é uma pastoral. Mas é a Pastoral, à qual devem estar ligadas todas as práticas evangelizadoras da Igreja. É preciso cuidado atento para com a evangelização dos evangelizadores: educar, permanentemente, os fiéis para que sejam discípulos e missionários. Para isso, é preciso resgatar o frescor do Evangelho. Só à luz do Evangelho seremos capazes de promover a mudança paradigmática no fazer pastoral, abandonando estruturas enrijecidas que já não contribuem para o bom cumprimento da missão da Igreja. A Iniciação à Vida Cristã precisa ser um Projeto Pastoral, pois esta deve ser a prioridade permanente da Igreja.

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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