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Religião

11/05/2018 | domtotal.com

A catequese como prioridade permanente da Igreja

A última instrução do Ressuscitado aos seus apóstolos não é apenas pregar a Boa Nova, mas fazer que as pessoas se tornem discípulas, seguidoras do Mestre

Toda a vida, ações e palavras de Jesus eram catequéticas.
Toda a vida, ações e palavras de Jesus eram catequéticas. (Dayne Topkin/ Unsplash)

Por Rodrigo Ferreira da Costa,SDN*

Formar discípulos. Evangelizar. Compartilhar a Boa Nova do Reino. Anunciar aos outros “tudo o que vimos e ouvimos” (cf. 1 Jo 1, 1-3)... Eis o imperativo principal da Igreja. Como o apóstolo Paulo nós também poderíamos repetir: “ai da Igreja se ela não anunciar o Evangelho” (cf. 1 Cor 8,15), ai da Igreja se ela não investir suas melhores energias na catequese. Quando a Igreja dedica muita força em atividades diversas e se esquece da prioridade da evangelização, Ela, na verdade, está traindo a sua missão primeira recebida do seu Mestre. Como afirma a Documento de Aparecida, “ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo e convidando-as para o seu seguimento, ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora” (DAp. n. 287).

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Durante a sua vida pública, Jesus dedicou uma atenção especial na formação dos seus discípulos. Ele falava às multidões, realizava os sinais em favor delas, porém, as sós com os doze, Jesus explicava e aprofundava a sua catequese do Reino. Não que Jesus quisesse criar um grupo de pessoas iluminadas e separadas das demais, mas a sua proposta exige a coragem de romper com a multidão para tornar-se discípulo e ser enviado em missão. Esse jeito de Jesus evangelizar é um modelo para nossa catequese. Jesus ensinava na sinagoga, no Templo, à beira do caminho, nas casas, nas praças, na beira do lago. Enfim, evangelizava a qualquer hora e em todo lugar. Jesus evangelizava pela presença, pelo testemunho, pela alegria de estar a serviço do Reino, ou seja, toda a vida, ações e palavras de Jesus eram catequéticas.

 A catequese, portanto, deve ser uma prioridade permanente da Igreja. Não podemos pensar a catequese como uma pastoral a mais dentro de nossas comunidades ou pensar que essa tarefa diz respeito a algumas pessoas que desempenham este ministério. Todas as pastorais precisam ser catequéticas e todos nós batizados precisamos ser catequistas. Como nos recorda o Papa Francisco, “cada um dos batizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé é um sujeito ativo de evangelização, e seria inapropriado pensar num esquema de evangelização realizado por agentes qualificados enquanto o resto do povo fiel seria apenas receptor das suas ações” (EG, n. 120).

A última instrução do Ressuscitado aos seus apóstolos narrada por São Mateus mostra este lugar da catequese na missão da Igreja: “indo, fazei que todas as nações se tornem discípulos” (Mt 28,19). Era mais que um desejo do Ressuscitado, era uma ordem, um mandado. A missão comunicada, porém, não é apenas pregar a Boa Nova, mas fazer que as pessoas se tornem discípulas, seguidoras do Mestre.

Jesus também indica como se deve fazer para que os povos se tornem seus discípulos: batizando-os em nome da Trindade e ensinando-os a observar tudo que ele nos ordenou (cf. Mt 28,19-20). Isso mostra uma conexão muito estreita entre catequese e liturgia. Pois o processo de fazer-se discípulo não se dá apenas aprendendo uma doutrina ou uma teoria sobre Deus, mas mergulhando na vida trinitária, experimentando Algo que dá um sentido novo para nosso viver.

Para fazer os povos discípulos de Jesus é preciso também ensiná-los as palavras do Mestre contidas nas Sagradas Escrituras e na Tradição da Igreja. Por isso, a comunidade cristã primitiva era assídua no ensinamento dos apóstolos (At 2, 42), lendo todas as Escrituras a partir da vida e das palavras de Jesus (cf. Lc 24,27). Este “ensinamento dos apóstolos” é o que chamamos hoje de catequese.

Nota-se que a catequese vai muito além de uma preparação imediata para os sacramentos. A tarefa da catequese é preparar a pessoa para o seguimento a Jesus por meio da vida em comunidade. Quando a catequese se orienta mais para o sacramento que para o seguimento de Jesus, muitas pessoas abandonam a comunidade depois de receber os sacramentos. É grande o número dos que receberam os sacramentos e se afastaram da vida de fé. Muitas vezes a comunidade prepara os pais para batizarem os filhos, ou prepara os adolescentes para os demais sacramentos da iniciação cristã, mas não os prepara para perseverar na comunidade, no seguimento do Senhor. Assim, muitos recebem os sacramentos, mas não permanecem com a comunidade. Por isso, o foco da catequese deve de ser sempre a vida de comunidade. “A comunidade é a fonte, o lugar e a meta da catequese” (Diretório Nacional de Catequese n. 175).

Precisamos pensar a catequese como um caminho de iniciação à vida cristã, um itinerário para fazer discípulos missionários de Jesus. Pois como dizia Tertuliano: “os cristãos não nascem, se fazem”. Isto é, não basta nascer numa família cristã ou receber os sacramentos, urge uma formação que leva a pessoa a adquirir o modus vivendi de Cristo, a configurar-se com Cristo.

 O envio missionário dos onze é também o envio de toda Igreja. Todo cristão batizado também recebeu esta ordem: “fazei discípulos entre todos os povos”. Nossa missão é, portanto, sair e fazer que os homens e as mulheres, as crianças e adolescentes, jovens e idosos, os católicos e ateus... se tornem discípulos/as de Jesus.

*Pe. Rodrigo Ferreira da Costa, SDN, Missionário Sacramentino de Nossa Senhora, Licenciado em Filosofia (ISTA), bacharel em teologia (FAJE), com Especialização para Formadores em Seminários e Casas de Formação (Faculdade Dehoniana). Publicou pela Editora O Lutador (2015) o livro “Equipes Missionárias: rosto de uma Igreja em missão. Trabalha atualmente na Paróquia Santa Cruz, Alta Floresta-MT.

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