;
Meio Ambiente

17/05/2018 | domtotal.com

O 'Aequilibrium' humano como agente de transformações frente ao vazamento na barragem da mineradora hidro norte em Barbacena, no Pará


Mineradora norueguesa Hydro, em Barcarena.
Mineradora norueguesa Hydro, em Barcarena. (Pedrosa Neto/ Amazônia Real)

Por Marcelo Messias Leite

Com o impacto trazido pela notícia em todo o Brasil, do desastre ambiental em Bento Rodrigues, MG, ocorrido pelo rompimento de uma das barragens da Mineradora Samarco, sendo considerado o maior desastre ambiental da história do país, percebeu-se que não é um caso isolado ou esporádico, mas que é um problema atual na mineração do Brasil e no mundo.

No Município de Barcarena, nordeste do Pará, após o vazamento de rejeitos de bauxita vindos da barragem da mineradora Multinacional Hydro-Norte, empresa norueguesa instalada na região, também contaminou a água e o ecossistema local com altos índices de sódio, nitrato e alumínio, acima do permitido, além do PH estar no nível 10 - extremamente abrasivo e nocivo aos seres vivos.

De acordo com o laudo do IEC, a análise revela um nível alto de chumbo, que, com o consumo contínuo, pode gerar câncer. "Essa contaminação é nociva às comunidades que utilizam os igarapés e rios em busca de alimento e lazer", alertou o pesquisador do IEC, Marcelo de Oliveira Lima.

O Município de Barbacena ficou perplexo com a informação de que, nem a empresa, nem os fiscais da Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Sesma), depois de inspecionarem a mineradora, em suas barragens e drenos fluviais, não perceberam qualquer vazamento. A contaminação somente foi constatada a pedido da população depois de acionado o MPPA e o MPU, que determinaram uma nova inspeção pelo Instituto Evandro Chagas (IEC), providenciando a coleta, amostra de águas e efluentes, comprovando a contaminação.

Como calcular o valor do meio ambiente ecologicamente equilibrado para estas pessoas em consonância com a atual Ordem Econômica, para alcançar um manejo minerário sustentável? Infelizmente os lugares mais nocivos à saúde são: onde se retira a matéria prima, na indústria onde é preparada e onde é o seu descarte depois de usada.

Qual é a qualidade da água que o dono de uma multinacional toma? Quais são as condições do lugar onde ele mora? Quais os lugares que ele frequenta ou passeia com os seus filhos? E quanto aos outros filhos, será que choram?

A ideia de “Aequilibrium” é a resposta mais adequada a estas perguntas. Esta palavra composta pelos adjetivos ‘aequus’, «igual» (cf. equitativo) e ‘libra’, ‘balança’, traz a ideia de igualdade nas medidas, ou a ideia do mesmo peso e a mesma medida.

Na cadeia produtiva da mineração, no século XXI, em uma sociedade de risco, mais do que nunca é necessário se preocupar com a intervenção do ser humano no meio ambiente, que envolve desde a retirada da matéria prima, perpassando pela sua elaboração e transformação em algum produto novo e o seu uso, até atingir o fim de sua vida útil, no estado para que foi transformado, e, consequentemente, o seu descarte na natureza, devolvendo esta matéria que foi emprestada, na forma lixo e poluição ou em uma nova intervenção, em uma forma agradável à sua origem, de onde foi retirada.

Lavoisier, geólogo e químico francês, que por volta do século XVIII disse: “Nada se cria tudo se transforma”, observou que a massa dos produtos se conservava, mesmo depois de sofrer a reação pela transformação no produto final, assim, a massa era igual à que deu origem ao novo produto, portanto, um fundamento básico na preparação desta mesma matéria para inseri-la novamente na natureza e também na sua reciclagem.

Esta ideia do permanente se transformando constantemente, já foi alcançada anteriormente, como ocorreu na Grécia Antiga pelo “devir”, em Heráclito, que por volta do século IV A.C. entendia haver uma eterna mudança, pois ninguém poderia pisar em um rio duas vezes, devido às águas estarem sempre a fluir.

Salomão, em seu livro de “Eclesiastes”, por volta de 450 A. C. entendia não haver nada novo na face da terra, mas uma repetição de acontecimentos com a mesma matéria. Nesta sua frase há de se perceber esta ideia; “O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol”.

Assim, podemos perceber que a intervenção do ser humano na natureza, de forma desequilibrada, poderá trazer algum tipo de transformação na matéria prima, nesta reação em cadeia, tornando-a lixo e poluição ao homem e ao meio ambiente, em uma massa de tóxicos nocivos à vida no planeta, desequilibrando-o, alterando seu ecossistema, tornando-o inabitável.

Em contraponto, se esta intervenção for feita com equilíbrio, analisando a melhor maneira de se extrair, transformar e usar a matéria prima, sem poluir, poderia se manter um nível mínimo de interferência danosa, apresentando esta matéria de outra maneira, para que seja inserida no meio ambiente sem desequilibrá-lo.

Daí a necessidade de se conhecer e manter as formas do meio ambiente ecologicamente equilibrado, para isto, a importância do respeito ao texto trazido pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, em seu artigo 225, caput, como se segue:

“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.

Sob esta égide, a ideia de equilíbrio deveria ser percebida em nós mesmos, na nossa família, nas nossas coisas e no nosso município, estado, país e mundo, visando que tudo permanecesse em harmonia, também nas relações sociais pela paz, bem como em todo o ecossistema ajustado em sua multidiversidade no próprio ser humano, que está intimamente ligado a ele, juntamente com todos os seus movimentos de transformação desta matéria, ligados a um resultado intuitivamente direcionado a não ser danoso a si próprio.

Para atingirmos este equilíbrio no aproximaremos de outro termo também muito importante, a saber; empatia, que vem do grego EMPATHEIA, formado por EN-, “em”, mais PATHOS, “emoção, sentimento” significando em emoção ou em sentimento, ou seja, buscando ser sensível e perceptível às condições de si mesmo, do seu interior, em busca da compreensão da realidade em que se encontra. Os gregos seguiam este ideal, como bem definido na máxima grega dita por Sócrates “conhece-te a ti mesmo", ou por Jesus na máxima do cristianismo “Ama ao teu próximo como a ti mesmo” ou “Faça aquilo que quer que os outros façam com você”,

Portanto, somente deveremos nos colocar no lugar do outro para sentir sua dor e agir com justiça, sobre o seu caso, depois de nós mesmos percebermos nossas dores e as injustiças feitas por nós mesmos.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas