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Religião

16/05/2018 | domtotal.com

Papa impõe meditação aos bispos chilenos

Vaticano investiga abusos de poder, sexuais e de consciência no Chile.

Foto divulgada pelo escritório de imprensa do Vaticano mostra papa Francisco durante reunião com bispos do Chile em 15 de maio de 2018, no Vaticano
Foto divulgada pelo escritório de imprensa do Vaticano mostra papa Francisco durante reunião com bispos do Chile em 15 de maio de 2018, no Vaticano (OSSERVATORE ROMANO/AFP)

O papa Francisco impôs aos 34 bispos chilenos reunidos no Vaticano para discutir os abusos contra crianças cometidos durante décadas no país latino-americano um "tempo dedicado à meditação e oração", informou nesta terça-feira (15) a Santa Sé.

"Esta tarde, o papa entregou a cada um dos bispos os temas de meditação. A partir de agora e até a próxima reunião começa um período dedicado exclusivamente à meditação e oração", indicou em uma breve declaração o porta-voz do Vaticano, Greg Burke.

Os bispos, que estarão 24 horas imersos em meditação, são esperados novamente na quarta-feira para uma reunião com o papa e na quinta-feira para dois outros encontros.

A hierarquia da Igreja chilena não pôde, portanto, assistir à audiência geral tradicional de quarta-feira no Vaticano.

O pontífice argentino convocou em abril a hierarquia da Igreja chilena ao Vaticano, uma medida excepcional, para discutir o assunto e preparar medidas para remediar o escândalo sobre os casos de pedofilia.

O momento é crucial, uma vez que poderá incluir o afastamento de vários hierarcas, em uma mensagem clara de intolerância do papa Francisco ao abuso sexual e seu encobrimento.

Em um comunicado particularmente duro e extenso divulgado no sábado, o Vaticano explicou que o papa Francisco "considera ser necessário analisar em profundidade as causas e consequências, bem como os mecanismos que conduziram, em alguns casos, ao acobertamento e a graves omissões".

O Vaticano afirma que serão investigados eventuais "abusos de poder, sexuais e de consciência, ocorridos no Chile nas últimas décadas".

Não está excluído que o papa substitua vários prelados para abrir uma nova era da Igreja chilena, consciente dos danos causados à imagem já manchada da instituição no país latino-americano.

Um dia antes, em uma coletiva de imprensa, o porta-voz da Conferência Episcopal do Chile, Fernando Ramos, bispo auxiliar de Santiago, e Juan Ignacio González, bispo de San Bernardo, expressaram sua "tristeza e vergonha" e asseguraram que estavam dispostos a respeitar as medidas que o papa decretar.

A convocação ocorre duas semanas após Francisco receber em um ambiente familiar três vítimas de abusos sexuais do padre chileno Fernando Karadima, em um encontro durante o qual ele assegurou que tomaria medidas para acabar com a pedofilia e, especialmente, com sua ocultação dentro da Igreja.

Os 31 bispos chilenos não estão hospedados na Casa Santa Marta, a residência do papa dentro do Vaticano, um gesto que alguns consideram de particular distanciamento.

Não é a primeira vez que um pontífice faz uma limpeza de tal magnitude para casos de abusos sexuais. João Paulo II fez isso em 2002 com a Igreja dos Estados Unidos, e Bento XVI, em 2010, com a da Irlanda.


AFP

EMGE

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