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22/05/2018 | domtotal.com

Casa de Madeira - Na busca de soluções econômicas e sustentáveis

Para o problema do déficit a habitacional não existe apenas uma solução de ordem técnica como, por exemplo, o de habitações de madeira.

somente uma abordagem mais ampla pode trazer soluções mais efetivas para o desafio.
somente uma abordagem mais ampla pode trazer soluções mais efetivas para o desafio. (Reprodução)

Por Sergio Vieira* e Jose Antonio de Sousa Neto**

A construção civil, principalmente moradias é uma das atividades mais antigas da raça humana remontando ao período em que o ser humano deixou de ser caçador/coletor e começou a cultivar seu alimento. Este passo no nosso desenvolvimento como espécie além de ser importante começou a causar os primeiros impactos ambientais, que tem aumentado ao longo dos séculos junto com nosso desenvolvimento.

Um impacto ambiental muito importante que surgiu no século 20 e continua aumentando agora no século 21 é o aumento da emissão dos gases responsáveis pelo efeito estufa, que aumentam a temperatura da Terra gerando enormes problemas. As atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis e a utilização de calcário para a produção de cimento, bem como os diferentes usos da terra, associados ao desmatamento e queimada são as principais causas do rápido aumento dos níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, contribuindo para o aquecimento global.

As florestas plantadas, como as de eucalipto, oferecem grande potencial, em curto prazo, para remoção de CO2 da atmosfera. Uma floresta jovem, que esteja crescendo de forma acelerada, sequestra maiores volumes de carbono que são acumulados em sua biomassa. O uso de modelos pré-fabricados, usando madeira de reflorestamento em toda sua estrutura e acabamento ao invés do aço e do concreto reduzem sobremaneira o impacto ambiental. Esta redução se dá em todas as fases da obra, desde a redução do gasto de energia na produção da material a ser usado, como o reuso das sobras, reduzindo assim a produção de resíduos.

No contexto do eixo direcionador da EMGE que tem como base os princípios e os valores da Engenharia Sustentável e destacando que cabe à engenharia “... o papel de incluir, nos planos, projetos, construções e utilização de soluções técnicas, os preceitos do desenvolvimento sustentável...”,  um dos grupos de estudos que se inicia no curso de engenharia civil está voltado para a busca de soluções para estes problemas através da possibilidade de uma maior utilização da madeira, principalmente como uma alternativa viável na construção de  habitações populares.

Vários trabalhos de diferentes grupos de pesquisa de instituições como USP, UFSC e outras apresentaram propostas e estudos  que visam usar madeira de reflorestamento para construção de casas populares (programas de habitação social) conseguindo, a principio, atacar estas três frentes: redução do impacto ambiental causado pela obra, redução da demanda habitacional devido à rapidez de execução da construção de uma casa pré-fabricada e redução dos gases de efeito estufa devido à fixação do carbono pela madeira da árvore. Aqui podemos destacar,  por exemplo, um trabalho, no qual pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina fizeram um estudo sobre o uso de madeira de reflorestamento em projetos de habitação social, abrangendo todas as partes da habitação, incluído as partes frias e úmidas, que são geralmente feitas de alvenaria. Vale também citar um trabalho desenvolvido pela USP, no qual a construção de uma casa popular virtual de madeira é apresentado em todas as suas fases: http://www.usp.br/nutau/madeira/paginas/casa%20virtual/projeto.htm

Mas para nós a busca de soluções que chamaríamos de "plenas" na engenharia é uma questão multidisciplinar e muitas vezes interdisciplinar. Uma boa técnica e uma nova solução tecnológica sem viabilidade econômica não se viabiliza. Também o conceito de cidades inteligentes e / ou cidades do futuro que norteia uma das linhas de nosso eixo direcionador não pode perder de vista que o propósito da engenharia é atender ao homem no sentido mais nobre deste princípio. Não se pode perder de vista que o objetivo primordial da engenharia civil é servir o ser humano e o seu entorno. No sentido de que talvez a definição mais profunda e correta para cidades inteligentes e / ou cidades do futuro deva ser na verdade e no final das contas o de cidades humanizadas. Se assim não o for, estudos e projetos como os relacionados a casas populares de madeira passam a ter o alcance restrito de soluções apenas esporádicas e pontuais (sem tirar o mérito destas mesmas).

Evidentemente que para o problema do déficit a habitacional não existe apenas uma solução de ordem técnica como, por exemplo, o de habitações de madeira. Na engenharia é assim mesmo. Uma solução para cada caso que depende das condições do ambiente, das tecnologias disponíveis,  dos recursos acessíveis e do orçamento possível dentre outras variáveis. Estamos convencidos,  no entanto, que somente uma abordagem mais ampla pode trazer soluções mais efetivas para o desafio. Em outras palavras nosso estudo parte do pressuposto de que a engenharia das casas de madeira deve ir muito além da engenharia no seu conceito mais restrito ou, melhor ainda, deve partir da compreensão de que, na verdade, este muito além sempre deverá fazer parte da própria boa engenharia em si mesma para que ela possa ser plena. 

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

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