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12/06/2018 | domtotal.com

IoT (internet of things) na construção civil

A IoT na construção civil vem para unir a inovação tecnológica, sustentabilidade nos projetos e redução de custos.

A definição de IoT é dada pela capacidade de qualquer dispositivo eletroeletrônico interagir com a internet.
A definição de IoT é dada pela capacidade de qualquer dispositivo eletroeletrônico interagir com a internet. (Reprodução)

Por Luiz Carlos Santos*

Surgindo no mundo como parte integrante da 4ª revolução industrial, juntamente com a nanotecnologia, robôs, inteligência artificial, biotecnologia, sistemas de armazenamento de energia, drones e impressoras 3D, a IoT (Internet of Things) internet das coisas, faz a integração entre sensores em sistemas ciberfísicos proporcionando uma convergência entre essas tecnologias.

Fonte: https://www.buildin.com.br/tendencias-da-construcao-civil/

A definição de IoT segundo o organismo especializado das Nações Unidas (ONU), no ramo de telecomunicações, a UIT (União Internacional das Telecomunicações) é dada pela capacidade de qualquer dispositivo eletroeletrônico interagir com a internet com a capacidade de processar, armazenar e trocar informações com outros dispositivos (comunicação máquina a máquina), ou com a nuvem (conjunto de servidores de domínio públicos ou privados), através de redes de telecomunicações.

Na Europa a IoT tem sido muito impulsionada pela Alemanha, atual presidente do G20, em quase todas as indústrias como, por exemplo, a já bem consolidada Indústria Automobilística que progride nos sensores dos carros sem motorista (Driveless Car), na área de saúde com empresas de Home Care e no crescimento na Indústria da construção civil, principalmente, em países desenvolvidos.

Apesar do momento delicado pelo qual passa a indústria de construção civil no Brasil, envolvendo as mais importantes construtoras e incorporadoras em questões econômicas e políticas, muitos avanços no sentido da redução de tempo de entrega e dos custos, aumento da segurança do trabalho, sustentabilidade energética, de água e ambiental e aprimoramento da qualidade dos serviços vem sendo praticados há algum tempo tendo como exemplo: i) utilização de máquinas automáticas para a aplicação de rebocos; ii) contrapiso autonivelante; iii) construções modulares; iv) construção enxuta (Lean Construction) que se baseia no corte de demandas que não agregam valor à construção e no amparo constante do trabalho na obra e; v) construção à seco, que utiliza mecanismos de montagem industrial promovendo a redução de erros e desperdícios e aumento na velocidade de execução da obra (estruturas pré-moldadas em concreto ou metálicas, DryWall, forros modulados, pisos elevados, elementos arquitetônicos pré-fabricados para fachadas, dentre outros).

Como esses desenvolvimentos, a IoT na construção civil vem para unir a inovação tecnológica, sustentabilidade nos projetos e redução de custos. Já é realidade e está sendo utilizada em muitos países na automação residencial através da automatização de pequenas rotinas como o acendimento de luzes, portas inteligentes que abrem sozinhas e acionamento de sistemas de refrigeração; no gerenciamento de frotas utilizando sensores nos veículos, indicando percurso, carregamento e melhores rotas, contribuindo com a gestão de insumos; na otimização do gerenciamento da obra com acompanhamento, rastreamento de equipamentos e materiais e coleta de dados direto do canteiro em tempo real.

Outros avanços da IoT na construção civil estão sendo mostrados por pesquisas em universidades nacionais e internacionais e em feiras de construção como o MINASCON (Feira da Construção de Minas Gerais) e em exposições e eventos de construção como a IT Forum Expo. Dentre estes avanços pode-se destacar:

  • Utilização da ferramenta BIM (Building Information Modeling - Modelagem da Informação da Construção), envolvendo a criação e gerenciamento de representações digitais de características físicas e funcionais dos locais. Possui formato de um modelo 3D suportando a tomada de decisões em relação aos projetos de engenharia civil. Utiliza software que faz representações virtuais da construção.
  • Impressão de projetos digitais em 3D de todas as estruturas de concreto de uma casa, em tamanho real, permitindo colocar a impressora no canteiro de obras. Realizado por um grupo de alunos da Universidade de Dresden, na Alemanha, com a tecnologia CONPrint3D.
  • Robótica na construção civil. Robôs utilizados em demolições. Preservando vidas humanas, os sensores do equipamento garantem segurança, precisão, rapidez e economia. Bem parecido com o robô do filme de ficção cientifica Eu Robô (Robot), baseado nas histórias de Isaac Asimov, com Will Smith como ator principal.
  • Piso sustentável (Startup Greenway) que gera energia através da movimentação de pessoas e que está sendo desenvolvido, dentre vários pesquisadores ao redor do mundo, por alunos de Engenharia de Automação e Controle do Instituto Mauá de Tecnologia de São Paulo. Utiliza a combinação de sistemas mecânicos e eletrônicos, capazes de transformar a energia potencial das pessoas em energia elétrica. Utilizam sensores piezoelétricos para captação e baterias para armazenamento da energia gerada.
  • Weareables para EPI´s. Feito com tecidos que podem controlar a temperatura corporal através de sensores e possuem visores de realidade aumentada, mantendo os usuários atualizados sobre mudanças repentinas no ambiente.
  • Beacons de localização. Utilizados para rotular e rastrear equipamentos de construção. As tags podem ser usadas remotamente para localizar máquinas e reduzir custos com deslocamentos.
  • Smart Grid de uma construção. Utiliza sensores sem fio embutidos em concreto para garantir a qualidade e integridade de uma estrutura. Fornecem monitoramento de carga e eventos para a construção do projeto durante e após a conclusão. Informam sobre o comportamento dos materiais após mudanças climáticas, desgaste com o tempo, terremotos e resistência à deformação de uma ponte.
  • Realidade Aumentada (RA) e Realidade Virtual (VR). Permitem a detecção de erros evitando retrabalhos em canteiros de obra e facilita a inspeção de obras reduzindo o risco de acidentes em estrutura sem segurança.
  • Drones. Auxiliar na digitalização e mapeamento de locais de trabalho, bem como na captura de fotos e vídeos para fins promocionais. São fáceis de programar e econômicos, pois não precisam de contrato de trabalho e o gasto de combustível é bem menor, mesmo sendo utilizados para fotografar ou filmar uma obra durante todo seu desenvolvimento. Este processo, chamado de photoscanning, apresenta resultados mais precisos para representações em 3D. Contribuem para o melhor acompanhamento do projeto pelo cliente na gestão da obra e no acompanhamento das etapas de construção.

Todas essas inovações e tecnologias permitem o melhor gerenciamento de uma obra pelo Engenheiro Civil sem que ele esteja permanentemente presente. Facilita ainda o gerenciamento do tempo e possibilita o desenvolvimento de atividades estratégicas, de relacionamento com clientes e desenvolvimento de melhores métodos e processos para a construção.

* Prof. Dr. Luiz Carlos Santos. Professor Adjunto da Escola Superior de Engenharia de Minas Gerais – EMGE.

EMGE

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