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12/06/2018 | domtotal.com

Saga dos quase 650 imigrantes do 'Aquarius' continua rumo à Espanha


Membros da ONG SOS Mediterrâneo orientam os imigrantes a bordo do navio 'Aquarius', em 11 de junho de 2018
Membros da ONG SOS Mediterrâneo orientam os imigrantes a bordo do navio 'Aquarius', em 11 de junho de 2018 (SOS MEDITERRANEE/AFP)

Pelo menos 629 imigrantes, à deriva no Mediterrâneo desde domingo (10), enfrentarão mais quatro dias no mar até chegarem a terra firme na Espanha, após a rejeição de Itália e Malta de acolhê-los.

Resgatados ao longo da costa líbia entre sábado e domingo, estes imigrantes - entre eles sete mulheres grávidas, 11 crianças pequenas e outros 123 menores - serão, em sua maioria, transferidos da embarcação humanitária "Aquarius" para dois navios italianos.

Essa operação começou à tarde, com a transferência de 90 pessoas do total previsto de 500, tuitou, pouco antes das 15h locais (10h em Brasília) Annelise Borges, da emissora de televisão Euronews, única jornalista a bordo do "Aquarius".

Desde domingo, o "Aquarius" está bloqueado a algumas milhas da costa maltesa, diante da recusa dessa pequena ilha mediterrânea (e também da Itália) de abrir seus portos.

"A situação é calma, se considerarmos o número de horas (passadas no mar) e os sofrimentos a que essas pessoas já foram submetidas", disse Annelise à AFP, lembrando que algumas delas permaneceram "de 20 a 30 horas" no mar, antes de serem socorridas pelo "Aquarius", ou pela Guarda Costeira italiana, e levadas para esse navio humanitário.

"As equipes estão aliviadas que uma solução esteja surgindo. Mas isso prolonga inutilmente o tempo passado para resgatados já vulneráveis", comentou no Twitter a ONG francesa SOS Méditerranée, responsável pelo "Aquarius".

Preocupação

Enquanto a espera se prolongava, muitos desses imigrantes temiam ser devolvidos para a Líbia, a ponto de os socorristas do "Aquarius" rodarem o navio, com mapas nas mãos, para lhes mostrar que estavam distante da costa da Líbia, contou a jornalista da Euronews por telefone.

Depois que as operações de "transfert" terminarem, as três unidades seguirão para Valencia na Espanha, ou seja, uma travessia de cerca de 1.500 km. Serão necessários quatro dias para atingir seu destino final, informou a Guarda Costeira italiana em nota divulgada nesta terça-feira (12).

Presente desde fevereiro de 2016 nessa parte do Mediterrâneo, onde já socorreu quase 30.000 pessoas, o "Aquarius" estava desde domingo no centro de uma queda de braço entre Itália e Malta, até que a Espanha se oferecesse para recebê-los.

Preocupada com a duração da viagem, a SOS Méditerranée recusou a oferta espanhola em um primeiro momento.

Determinação

"A melhor solução será desembarcar as pessoas socorridas no porto mais próximo, de onde elas poderão ser transportadas para a Espanha, ou para um outro país seguro", reagiu a ONG francesa Médecins sans Frontières (MSF), também presente no "Aquarius".

A rejeição do ministro italiano do Interior e presidente da Liga (extrema direita), Matteo Salvini, foi determinante.

"Salvar vidas é um dever. Transformar a Itália em um enorme campo de refugiados, não. A Itália não vai mais ceder e obedecer. Desta vez, TEM ALGUÉM QUE DIZ NÃO", tuitou Salvini.

Matteo Salvini também alertou as demais ONGs que patrulham o litoral líbio, afirmando que todas serão tratadas da mesma maneira. Disse ainda que, para essas organizações, entre as quais nenhuma é italiana, o acesso aos portos italianos está proibido.

A declaração não intimidou a SOS Méditerranée, que declarou hoje que suas operações de resgate ao longo da costa líbia continuarão, logo que o "Aquarius" deixar a Espanha.

A Itália, que viu mais de 700.000 imigrantes desembarcarem no país desde 2013, acusa com frequência os europeus de terem-na deixado sozinha para lidar com a crise migratória.

Nesta terça, o presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou "o cinismo e a irresponsabilidade do governo italiano" nesse tema.

Já a ministra espanhola da Justiça, Dolores Delgado, reafirmou a decisão do novo governo socialista de que se trata de uma "questão de humanidade" e evocou a possibilidade de uma "responsabilidade penal internacional" dos Estados que se recusarem a acolher imigrantes.


AFP

EMGE

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