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13/06/2018 | domtotal.com

Dom Helder sediará conferência científica durante visita do Rei de Ifé ao Brasil

Intelectuais brasileiros e nigerianos vão discutir experiências literárias de resistência em evento apoiado pelo Afrodom.

Rei Ideyeye Enitan Ogunwusi chega à Minas Gerais nesta semana.
Rei Ideyeye Enitan Ogunwusi chega à Minas Gerais nesta semana. (Reprodução)

Por Thiago Ventura
Portal DomTotal

A Dom Helder Escola de Direito recebe na próxima sexta-feira (15) conferência científica que integra programação oficial da visita do rei nigeriano de Ilê-Ifé, Oba Adeyeye Enitan Ogunwusi, à Minas Gerais. No evento, intelectuais brasileiros e nigerianos, que integram a comitiva do rei, vão debater o tema 'Narrativas afrodiaspóricas: experiências literárias de resistência".

A conferência é organizada pela Secretaria de Estado de Educação e conta com apoio da Dom Helder, por intermédio do Afrodom - Centro de Estudos Afro Brasileiros Dom Helder Câmara. O debate ocorre das 14h30 às 17h30 e contará com a presença da escritora Conceição Evaristo, que pleiteia uma vaga na Academia Brasileira de Letras, e das professoras Macaé Evaristo, Nilma Gomes, Shirley Miranda e Vanicléia S. Santos. As pesquisadoras vão dialogar com intelectuais nigerianos.

"Talvez a discussão mais importante da visita do rei ao estado, do ponto de vista científico, irá acontecer na Dom Helder. Será a criação de uma rica ponte entre o Brasil e os países africanos através da ciência e literatura", aponta Pedro Matos, professor da Pós-Graduação na Dom Helder e secretário do Afrodom.

Segundo Matos, sediar a conferência é um reconhecimento do trabalho da Dom Helder e do Afrodom nesse ramo científico. "Será um evento ímpar para a escola e também uma contribuição do Afrodom na mobilização do debate. Trata-se de uma oportunidade acadêmica para participar de discussões com escritores dos dois países no que tange dos direitos humanos e combate à intolerância religiosa contra a cultura afro", completa.

Quem é o Rei de Ifé


Adeyeye Enitan Ogunwusi, o Ojaja II, é membro de uma das monarquias mais antigas da humanidade e regente da cidade de Ifé, na Nigéria, fundada 500 anos antes de Cristo. Ele tem 43 anos e possui o título de 51º ooni (rei) da localidade, que é considerada a capital sagrada do povo iorubá, que deu origem aos vários reinos da África Ocidental.

Na tradição iorubá, o ooni é considerado descendente do 401º orixá, o "único que fala". A atual dinastia já tem centenas de anos e assim como outros monarcas africanos,  também é aclamado como 'oba' (rei) e tem tratamento de 'Sua Majestade Imperial'.  A cultura iorubá deu matriz de várias religiões afrodescendentes, como o candomblé, no Brasil.

É a primeira vez que um rei de Ifé visita o Brasil. A presença de  Ogunwusi visa justamente combater a intolerância religiosa e aproximar os descendentes africanos de seus ancestrais. Ele é acompanhado por uma comitiva de 150 pessoas, incluindo o escritor Wole Soyinka, prêmio Nobel de Literatura de 1986.

A visita começou no dia 6 na Bahia e está no Rio de Janeiro. O monarca chega a Minas nesta quinta-feira e permanece até o sábado. O rei de Ifé deixa o Brasil no domingo, dia 17. Em Minas Gerais, ele será recebido pelo governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel e terá encontro com lideranças do movimento negro e grupos religiosos tradicionais com ascendência iorubá. Na programação, também está prevista uma viagem a Ouro Preto, com visita a  mineradoras africanas de minas de ouro e jantar com investidores e empresários mineiros.


Confira o convite:


Pesquisadores nigerianos

Dois intelectuais da Nigéria, que fazem parte a comitiva do Rei de Ifé estão confirmados para os debates desta sexta. Confira o currículo:

PROFESSOR KOLA ABIMBOLA

 Kola Abimbola realizou seus estudos de PhD em Filosofia da Ciência na London School of Economics and Political Science, e um segundo PhD em Lei de Evidência e Justiça Criminal na University of Birmingham. Kola é o editor do Journal of Forensic Research and Criminology. Foi Presidente da Sociedade Internacional de Filosofia e Estudos Africanos de 2006 a 2010, e do British Council Commonwealth Academic Scholar de 1989 a 1992.

 

ABIKE KAFAYAT OLUWATOYIN DABIRI-EREWA – EX-MINISTRA DA DIÁSPORA E ATUAL ASSISTENTE PRESIDENCIAL SÊNIOR

  • Dabiri-Erewa, atual Assistente Presidencial Sênior, trabalhou para a Nigerian Television Authority (NTA) por quinze anos, ancorando o programa semanal da NTA Newsline e tendo um interesse particular por questões ligadas à pobreza e justiça social. Ela se aposentou na NTA para concorrer à eleição na Câmara dos Deputados, vencendo com uma maioria substancial.

  

 CONCEIÇÃO EVARISTO

 Uma das principais expoentes da literatura Brasileira e Afro-brasileira atualmente, Conceição Evaristo tornou-se também uma escritora negra de projeção internacional, com livros traduzidos em outros idiomas. Publicou seu primeiro poema em 1990, no décimo terceiro volume dos Cadernos Negros, editado pelo grupo Quilombhoje, de São Paulo. Desde então, publicou diversos poemas e contos nos Cadernos, além de uma coletânea de poemas e dois romances.

NILMA LINO GOMES

 Nilma Lino Gomes é graduada em Pedagogia e mestra em Educação pela UFMG, além de doutora em Antropologia Social pela USP. Cumpriu estágio pós-doutoral na Universidade de Coimbra, supervisionado por Boaventura de Souza Santos. Professora da Faculdade de Educação da UFMG e integrante da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros – ABPN –,coordenou o Programa de Ensino, Pesquisa e Extensão Ações Afirmativas na UFMG. Coordenou também o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Étnico-Raciais e Ações Afirmativas (NERA).Foi também membro do Conselho Nacional de Educação no período 2010-2014, designada para a Câmara de Educação Básica. Em 2013 e 2014 foi reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira – UNILAB –, tornando-se a primeira mulher negra a ocupar o cargo mais importante de uma universidade federal no Brasil. Em janeiro de 2015, deixou essa função para ser Ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República – SEPPIR/PR – que, em decorrência da reforma administrativa de setembro Do mesmo ano, foi incorporada ao novo Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

 

VANICLÉIA SILVA SANTOS

 Vanicleia Silva Santos é graduada em História pela UNEB, Mestre em História pela PUC-SP e Doutora em História pela USP. É Professora Adjunta de História da África Pré-Colonial do Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais/UFMG, onde ministra aulas e orienta pesquisas sobre a História da África no Programa de Pós-graduação em História. DENTRE AS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO ÂMBITO INTERNACIONAL, destacam-se a coordenação do Centro de Estudos Africanos, órgão ligado à Diretoria de Relações Internacionais da UFMG, desde 2014; coordena dois projetos internacionais (1) Mobilidade Acadêmica Internacional entre a UFMG e a Universidade Eduardo Mondlane/Moçambique (2013-2017); e (2) A produção, circulação e utilização de marfins africanos no espaço atlântico, entre os séculos XV e XIX entre UFMG e Universidade de Lisboa; (3) Membro do Comitê Científico Internacional da UNESCO para Elaboração do IX Volume de História Geral da África (2013-2018), no qual é co-editora do Volume sobre a Diáspora Africana; (4) membro do Conselho Consultivo da Coleção Africana do Museum of Archaeology and Anthropology/University of Pennsylvania (2017-2019); e foi professora visitante na Universidad de Buenos Aires/Argentina (2014.1).

  MACAÉ EVARISTO

Graduada em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1990). Mestrado em Educação pela Faculdade de Educação - FAE/ Universidade Federal de Minas Gerais (2006). Professora da Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte desde 1984, onde atuou na coordenação e direção de escola pública. Atuou como Gerente de Coordenação da Política Pedagógica, Secretária Adjunta e Secretária Municipal de Educação, no período de 2004 a 2012. Foi professora do Curso de Magistério Intercultural Indígena e coordenou o Programa de Implantação de Escolas Indígenas de Minas Gerais no período de 1997 a 2003. Atuou como Secretária de Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação (2013-2014).  E como Secretária de Estado de Educação de Minas Gerais (2015-2018).

 SHIRLEY APARECIDA DE MIRANDA

Graduada em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1993), Mestre em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (1998), Doutora em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (2008) e Pós-Doutoramento em Ciências Sociais no Centro de Estudos Sociais CES/ Universidade de Coimbra (2016). Professora Adjunta da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, Departamento de Administração Escolar. Integrante da coordenação do Programa Ações Afirmativas na UFMG. Integrante da equipe de docentes do Curso de Formação de Intercultural de Educadores Indígenas (licenciatura). Desenvolve pesquisas sobre políticas educacionais e diversidade étnico-racial e cultural com enfoque na educação indígena e educação quilombola, tematizando relações de poder-saber e gênero.

Colaborou Patrícia Azevedo/DomTotal


Redação Dom Total

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