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Brasil

17/06/2018 | domtotal.com

Ganhamos a Copa da involução!

A humanidade resolveu cessar todo esforço de crescimento, e entrar antecipadamente na fase de declínio.

Certamente os cantores e compositores do passado rolam desesperados na sepultura.
Certamente os cantores e compositores do passado rolam desesperados na sepultura. (Reprodução)

Por Evaldo D´Assumpção*

Finalmente vamos estrear na Copa do Mundo, versão 2018. Quinta feira, dia 14 começou a maratona, e neste domingo, dia 17, entrará em campo a seleção canarinho. “Prá frente Brasil, Brasil! Salve a seleção!”  Parece que esse ano o grupo brasileiro está mais aguerrido, com melhor técnico, talvez melhores jogadores. Ou será que não está? Na melhor das hipóteses, só no dia 15 de julho, dia do último jogo da Copa, saberemos.                                                        

Enquanto isso, dou verdadeiro salto quântico, para cair na teoria evolucionista de Darwin. Em 1859, Charles Robert Darwin (1809-1882), naturalista inglês, publica o que constatou em pesquisas feitas ao longo de anos, num trabalho intitulado “Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural ou a conservação das raças favorecidas na luta pela vida”. Resumidamente, “A origem das espécies”. Nele, afirma que, ao contrário do suposto anteriormente, as espécies não existem sempre da mesma forma. Pelo contrário, elas evoluem constantemente e as mutações são transmitidas geneticamente para as gerações seguintes. Para ele, essa evolução diz respeito às mudanças biológicas, e não necessariamente a uma forma para melhorar as espécies. Elas ocorrem para que cada uma possa adaptar-se, mais adequadamente, ao meio em que vive, ou passa a viver. Como consequência dessas mudanças, vem a seleção natural.

Esta teoria causou, e ainda causa enorme polêmicas, especialmente entre os religiosos evolucionistas e os fundamentalistas não evolucionistas, que radicais, negam-na por seguirem rigorosamente o que conta a Bíblia no livro do Gênesis. Ou seja, não há evolução, pois o que foi criado por Deus, mantem-se imutável nesses milênios em que habitamos o grãozinho de terra que é o nosso planeta, perdido na imensidão do Universo. Eles negam qualquer processo evolutivo, nunca pensando que a evolução não compromete, em nada, a criação de Deus, pois se Ele criou, Ele pode também ordenar e orquestrar as mudanças necessárias para a adaptação de todas as espécies. Mas esse não é o tema que pretendo desenvolver nesse texto.

Levando-se em conta as afirmações de Darwin, e observando o momento em que vivemos, especialmente no Brasil, e também no mundo inteiro, questiono-me se ao longo desses milênios houve alguma evolução para melhor. Contemplando os humanos, parece-me que se encontram em franca involução. Mesmo com a certeza de que estamos longe, muito longe de atingir o ápice de uma curva evolutiva, acredito que a humanidade resolveu cessar todo esforço de crescimento, e entrar antecipadamente na fase de declínio da curva de Gauss (aquela em forma de sino), muito usada em probabilidades e estatística. Não sei como Darwin veria esse fato, mas eu o percebo analisando as mudanças que vêm acontecendo no comportamento humano. Basta acompanhar os noticiários para constatar que, ao invés de aprimorarmos nossa qualidade de vida, estamos nos entregando ao fascínio do mais fácil, do menor esforço, do hedonismo, da simples desistência diante de obstáculos nem tão difíceis de transpor.

Exemplifico tomando apenas um tema: a música popular brasileira. Quem já viveu seis ou mais décadas, se tiver gosto pela harmonia musical, vai concordar comigo. Nas décadas de 50 e 60, a MPB teve seu período áureo. Nos anos 50, predominavam as músicas românticas, nas composições e na voz de Maysa, Dolores Duran, Sylvinha Telles, Alcides Gerardi, Francisco Alves, Trio de Ouro e tantos outros. A melodia era harmoniosa, os versos, poemas primorosos. Nos anos 60, na difícil situação política e econômica vivida pelos brasileiros, e com a pressão do governo militar, surgiram os grandes festivais, e as músicas politizadas de Geraldo Vandré, Ellis Regina, Chico Buarque e outros mais. Mesmo no carnaval as marchinhas encantavam a todos. Tanto, que até hoje muitas delas continuam sendo cantadas por toda parte.

E chegamos no ano da Copa Mundial na Rússia. Em razão disso, estão nos jornais as letras que dizem serem inspirados por ela, e que serão os prováveis sucessos musicais (?!!!), para substituir, ainda que temporariamente, a xaropada rouquenha das infindáveis e horríveis duplas sertanejas. Vejam então algumas das letras que nos esperam, confirmando a involução humana que Darwin não previu: “Na Copa do bumbum, bumbum, bumbum/ Na Copa do bumbum, treme o bumbum, desce o bumbum...” Um famoso funkeiro paulista, lança essa preciosidade: “E quando eu mandar é papum/ Esse movimento que ela faz, papum/ Quando ela joga e vai pra trás, papum...”. Uma precoce garota de 15 anos, com suas primas gêmeas, nos proporciona essa “pérola” de sua lavra: “É na disputa do bumbum que vamos te convocar/ Mexendo o bumbum pra lá, mexendo o bumbum pra cá...” E para um apoteótico final, a cantora dita como a mais poderosa do país desova: “Estoy muy borracho y no puedo más. Y no puedo más/ Machika, machika, machika, machika...” e por aí vai.

Certamente os cantores e compositores do passado rolam desesperados na sepultura, enquanto a humanidade mergulha num abismo sem fim de mediocridade e estultícia, financiadas por patrocinadores gananciosos, aos quais só interessa o lucro fácil e a manutenção da utilíssima ignorância popular. Que saudades do inigualável “Chão de Estrelas” e das “Pastorinhas”...

*Dr. Evaldo D´Assumpção é médico e escritor

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

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