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Engenharia

19/06/2018 | domtotal.com

Impacto da tomada de decisão em relação ao Desenvolvimento Sustentável

Há uma incerteza sobre recursos naturais para 2050.

A comunidade científica tem lançado mão de diversas teorias para estudar o impacto da tomada de decisão no desenvolvimento sustentável.
A comunidade científica tem lançado mão de diversas teorias para estudar o impacto da tomada de decisão no desenvolvimento sustentável. (Reprodução)

Por Fischer Stefan*

Em 1987, The World Commission on Environment and Development (the Brundtland Comission) introduziu um novo termo conhecido como Desenvolvimento Sustentável (United Nations - Department of Economic and Social Affair). Este termo foi utilizado para descrever a atitude da comunidade internacional em relação à economia, ao social e ao desenvolvimento do meio ambiente.

As Nações Unidas têm projetado uma população de aproximadamente 8 bilhões de pessoas por volta do ano 2050. Isto traz, hoje, uma preocupação tamanha, pois há uma incerteza sobre recursos naturais para esta época e, ao mesmo tempo, uma incerteza sobre como reciclaremos todo o lixo que deve ser descartado corretamente para que não se polua o meio ambiente.

Neste sentido, há diversos estudos considerando como a comunidade se interage para cooperar em prol do meio ambiente. Diversas organizações internacionais têm se reunido em simpósios para debater o futuro de nosso planeta. Este debate traz à tona medidas drásticas que devem ser tomadas pelos países desenvolvidos, como por exemplo: a diminuição de emissão do dióxido de carbono lançado no meio ambiente pelas indústrias. Ainda,  tomada de decisão  que impacta na poluição do ar, da água e do solo por substância tóxicas.

Esta tomada de decisão acarreta vários fatores econômicos que impactam diretamente na vida da sociedade. Podemos pensar numa escala micro, tentando entender como minha decisão de reciclar impactaria na vida de meus vizinhos. Tomada de decisão sustentável é entendida como baseado numa junção da sociedade comportamental, da economia e do meio ambiente (Sustainable decision making in civil engineering). Ainda que pensemos numa tomada de decisão baseada em normas, deve se entender que normas advém de um fenômeno psicológico que pode explicar comportamentos humanos (Amos Tversky). Há, em certo sentido, regras e padrões que são entendidos por membros de um grupo ou sociedade que guiam ou restringem atitudes sem força de lei (por exemplo: na Austrália, se um convidado traz um vinho para o almoço e quem convidou não o abre, entende-se como uma afronta ao convidado. Apesar de não ser lei, é um padrão servir o que o convidado trouxe).

Podemos ter, necessariamente dois cenários psicológicos: 1) Por um lado, normas sociais que governam nossas atitudes no sentido de reciclar, por exemplo. Especificamente, esperamos que todos os indivíduos que são mais sensíveis às normas serão menos sensíveis em relação ao impacto de condições externas em suas intenções de reciclar. Simplesmente recicla-se por que existe um balde para lixo orgânico e outro para para lixo comum e os caminhões de lixo recolhem estes diferentes tipos em dias alternados;  2) Por outro lado, normas que são descritas como obrigatórias, possuem a maioria dos indivíduos sensíveis à elas. Caso haja lixo reciclável misturado com produtos que deterioram rápido (resto de comida), a prefeitura local emite uma multa advertindo o indivíduo sobre seu comportamento em relação á necessidade de reciclar. Condições externas, podem levar tais indivíduos a não mais reciclar, como por exemplo perceber que a vizinhança não mais o faz, o que redunda numa inclinação negativa, podendo levar comunidades a não mais reciclar, desconsiderando o impacto na sociedade em função da simples não observação do preceito de se conservar e cuidar para que no futuro os recursos naturais não sejam tão comprometidos e que  os que hoje existem não sejam contaminados.

A comunidade científica tem lançado mão de diversas teorias para estudar o impacto da tomada de decisão no desenvolvimento sustentável. As ciências sociais, a Física, Matemática, Computação e as Engenharias têm se combinado a fim de estudar modelos que consigam simular quantitativamente e qualitativamente os processos de decisões e seus impactos no meio ambiente. A comunidade ciêntifica tem trabalhado no sentido de desenvolver tecnologias, de estudar investimento financeiro, metodologias para analisar resultados e inferir estados emergentes de um mecanismos micro para um mecanismo macro, no intuito de se ter hoje, meios de trabalhar para presevar fontes de recursos naturais não-renováveis e desenvolver recursos energéticos alternativos. Em particular, considerando os impactos no meio ambiente, torna-se claro a atuação da engenharia civil no que tange à infraestrutura: economia de energia, redução dos impactos nos recursos não renováveis e reciclagem de materiais de construção civil.

Atualmente, a Suécia representa o melhor exemplo: eles têm convertido o processo de reciclagem em um setor de lucrativo, ao ponto de, nos últimos anos, importar lixo reciclável de outros países (An overview of solid waste management toward zero landfill: a swedish model.)

Hoje temos um forte desafio como estudantes e cientistas: incorporar um espírito de não só reciclar, mas também de desenvolver técnicas para reciclagem, melhorar nossas fontes de recursos naturais, criar modelos que sejam capazes de predizer/inferir tomadas de decisões que cooperem para preservação do meio ambiente e consequentemente da vida humana. Além disso, ser exemplo de boa consciência para com o meio ambiente ao ponto de que outros em nossa vizinhança não só usufrua do retorno, mas caminhem na mesma direção de um desenvolvimento sustentável. 

Em 25 de Setembro de 2015, vários países adotaram um conjunto de metas para extirpar a pobreza, para proger o planeta e assegurar prosperidade para todos, como parte de uma nova ideologia de desenvolvimento sustentável. São 17 objetivos para ser alcançados dentro de 15 anos a contar de 2015 (https://www.un.org/sustainabledevelopment/sustainable-development-goals/).

*Prof. Doutor Fischer Stefan: Professor da EMGE (Escola de Engenharia de Minas Gerais)

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