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Religião

22/06/2018 | domtotal.com

A alegria que conduz à felicidade e as religiões

Esperança de felicidade no além-vida não exclui traços de felicidade e de alegria na vida presente.

Quem haveria de querer se entristecer, mesmo num mundo marcado por tantas ambiguidades?
Quem haveria de querer se entristecer, mesmo num mundo marcado por tantas ambiguidades? (Reprodução/ Pixabay)

Felipe Magalhães Francisco*

Oxalá fôssemos sempre alegres! Quem haveria de querer se entristecer, mesmo num mundo marcado por tantas ambiguidades? Por vezes, a falta de alegria na vida cotidiana fez com que a esperança no além-vida se enchesse de mais sentido. Isso também levou a um conformismo, de que a felicidade só seria possível na eternidade, quando participaremos da vida em Deus. Alegria e felicidade são distintas, bem sabemos. Mas, sem dúvidas, temos mais condições de nos avaliarmos felizes, quando alegres, pois a alegria contribui, sobremaneira, para um estado de plenitude. As religiões, em sua palavra responsável a respeito do ser humano, ajudam-nos a perceber que a esperança de felicidade no além-vida, não exclui traços de felicidade e de alegria na vida presente.

É certo que na vida vamos nos alegrar e nos entristecer. Mas, felizmente, a experiência religiosa está mais ligada à experiência de alegria. Um dos traços da experiência religiosa é o fascinium, que nasce com o contato com o Sagrado. Esse fascinium gera uma série de bons sentimentos, entre os quais a alegria, que nos eleva e que nos dá a sensação de completude, de que a vida é e pode ser boa e cheia de sentido. Muitos ritos religiosos, nas distintas tradições, são verdadeiras festas, provocam alegria e inspiram felicidade. Aqui, vale lembrar a palavra entusiasmo, tão importante quando o assunto são ritos religiosos: literalmente, estar entusiasmado significa estar cheio dos deuses. Entusiasmo, nesse sentido, está fortemente ligado à alegria que a participação religiosa propicia, não apenas nos ritos, mas na condução da vida, inspirada pelos valores religiosos e humanos que as tradições religiosas ensinam e praticam.

Neste tema especial, dedicamo-nos a refletir sobre a alegria – e sua relação com a felicidade – a partir de distintas tradições religiosas: do cristianismo, das religiões afro-brasileiras e do hinduísmo.

César Thiago do Carmo Alves nos propõe a reflexão a respeito dA alegria no cristianismo. No texto, o autor retoma a inspiração bíblica da alegria em todas as Escrituras Sagradas, mostrando como o ser humano é convidado à alegria, movido pelo encontro messiânico com o Cristo, considerado como a razão da alegria. Alegria, esta, da qual ninguém está excluído, pois é graça divina que atua salvificamente. Nesse sentido, a alegria cristã é um modo de viver no mundo, que não tapa os olhos para os problemas e sofrimentos, causados pela injustiça. Mas, ao contrário, que dá forças para a superação desses males.

Rondnelly Nunes de Assis reflete sobre Iwa pelé, o bom caráter, a partir das religiões afro-brasileiras. O autor destaca a dimensão comunitária da alegria, e sua relação com a felicidade. O papel da religião não é apenas o de mediar a relação com o Sagrado, mas também o de dar sentido à vida, que está intimamente ligada à comunidade. O bom caráter, chamado Iwa pelé, desdobra-se nas relações interpessoais, gerando um importante senso de comunidade.

Romero Carvalho nos propõe o artigo Alegria – um direito inalienável do ser, a partir do hinduísmo. O autor destaca um conceito que dá unidade à pluralidade de tradições, teologias e compreensões presentes no hinduísmo: o da verdadeira identidade, que é um ser espiritual que habita no corpo. A alma é constituída de eternidade, conhecimento e bem-aventurança. O encontro da alma, verdadeiro eu, com o seu supremo amor, Deus, é a forma mais elevada de alegria no processo de autorrealização, quando a pessoa vive seu direito inalienável de ser feliz.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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