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23/06/2018 | domtotal.com

Ioga, uma disciplina indiana transformada em patrimônio mundial


Pessoas participam de aula de ioga ao ar livre em Yangon, Mianmar, em 21 de junho de 2018
Pessoas participam de aula de ioga ao ar livre em Yangon, Mianmar, em 21 de junho de 2018 (AFP)

A ioga é uma disciplina indiana tradicional, ao mesmo tempo espiritual e física, que é praticada no mundo inteiro e está inscrita desde 2016 como patrimônio imaterial da humanidade.

- As origens da ioga

A palavra ioga vem do sânscrito que significa "unir", o que, segundo o historiador Bernard Sergent, ilustra bem a ideia subentendida da disciplina: "unir em um mesmo conjunto" o intelecto de quem pratica com a "alma universal" do mundo.

A noção da ioga aparece em obras muito antigas como o Bhagavad-Gîtâ, texto fundamental do Hinduísmo, escrito entre os séculos V e II antes de nossa era.

A ioga é "a chave do Hinduísmo", considerou a especialista em Índia Tara Michael. Se baseia na "tomada de consciência do caráter insatisfatório da condição humana", explica em seu livro "Ioga". A ioga aparece como uma forma de transcender o sofrimento.

- Um termo 'equivocado'

Mas esse termo é "equivocado" já que coexistem vários "ioga", "clássico", "popular", "ascético" e, inclusive, "erótico", destaca o filósofo e romancista Mircea Eliade em seu ensaio "Técnicas de Ioga".

Nos dicionários ocidentais modernos, a ioga é um "sistema ortodoxo de filosofia da Índia (...) no qual são expostos os meios fisiológicos e psíquicos que vieram a se desenvolver nos métodos de treinamento que caracterizam cada uma de suas partes" (definição do dicionário Aurélio).

A ioga de hoje, "de consumo corrente (...) não é outra coisa além de uma ginástica de boa saúde", resume Tara Michael. Qualquer pessoa "com flexibilidade física, energia e um pouco de lábia pode improvisar e em seis meses se tornar 'professor de ioga'".

- Reinvenção moderna

A ioga começou a ser conhecida no Ocidente no fim do século XIX. Nesse mesmo momento, a disciplina se reinventava na Índia, movimento impulsionado pelo mestre do Hinduísmo moderno Swami Vivekananda (1863-1902).

Este monge filósofo insistiu no lado racional e científico da ioga para fazer desta uma disciplina acessível para o Ocidente. Seu livro "Raja-Ioga" coloca as bases de uma ioga moderna e internacional.

Na primeira metade do século XX apareceram livros no Ocidente que registram e detalham as posturas da ioga.

Contrariamente ao que se acredita, a importância dada às posturas e séries "não é de vários milênios", mas sim um "desenvolvimento recente", destaca a especialista indiana Sita Reddy no livro "Ioga, a arte da transformação".

- Fenômeno mundial

Nos anos 1960 e 1970, a fascinação dos ícones da contracultura pela metafísica indiana, ilustrada pela relação dos Beatles com o guru indiano Maharishi Mahesh, popularizou a ioga como prática espiritual.

Contudo, nos anos 1980 e 1990 surge uma prática "mais profana", e a "ioga de posturas baseada em métodos atléticos e dinâmicos" tende a se impor no Ocidente, destaca o pesquisador britânico Mark Singleton.

- Patrimônio mundial

É difícil fazer um censo confiável da quantidade de pessoas que praticam ioga no mundo.

Os estudos mostram seus benefícios contra a ansiedade, a depressão e os transtornos do sono (mais eficaz que uma simples atividade física, mas menos do que uma psicoterapia).

E em dezembro de 2016 a ioga foi inscrita como patrimônio cultural imaterial da humanidade da Unesco.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, fez da ioga desde que chegou ao poder, em 2014, um instrumento da influência da Índia no mundo. Impulsionou que a ONU adotasse uma resolução em 2015 que faz de 21 de junho o Dia Internacional da Ioga.


AFP

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