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26/06/2018 | domtotal.com

O avanço tecnológico dos materiais na Construção Civil

Com o passar dos anos, foi surgindo naturalmente a exigência cada vez maior pela utilização de materiais com maior resistência.

Hoje em dia é de suma importância que o profissional da engenharia tenha uma visão global da sustentabilidade.
Hoje em dia é de suma importância que o profissional da engenharia tenha uma visão global da sustentabilidade. (Reprodução)

Por Marcus Vinicius Lima Cardozo*

Os materiais de construção foram e são tão importantes para o desenvolvimento e o progresso das civilizações que, ao longo dos anos, a história pode ser dividida conforme o emprego e a existência de determinado material: Idade da Pedra, Idade do Bronze, Idade do Ouro, etc.

Diversos destes materiais eram empregados nas construções em sua forma natural, inclusive em obras residenciais que, ainda nos dias atuais, podem ser encontradas no interior do nosso país, em locais menos desenvolvidos como o norte de Minas Gerais, o interior do Nordeste e o Norte do país. As alvenarias que deveriam e devem ser construídas com tijolos ou blocos cerâmicos que atendem às exigências das normas brasileiras e são previamente testados em laboratórios, foram e são executadas com uma mistura de barro empregando-se o bambu, em substituição ao aço, assim como as palafitas que vemos nas populações ribeirinhas, inclusive nos grandes centros urbanos como em Manaus-AM, que são construídas sem nenhum respaldo técnico, com madeiras muitas vezes sem o preparo adequado para se evitar o colapso e o deterioramento prematuro destas construções. Nota-se, nestes casos, que não houve o trabalho do homem para aprimorar e dar novas formas e utilidades a estes materiais.

Com o passar dos anos, foi surgindo naturalmente a exigência cada vez maior pela utilização de materiais com maior resistência, maior durabilidade, melhor aparência, melhor trabalhabilidade e de moldagem mais fácil, dentre outras características. Com o avanço tecnológico, pesquisas científicas, incluindo neste contexto as realizadas pelas escolas de engenharia que atestam em laboratórios cada vez mais equipados a eficácia dos materiais de construção, além de despertar o interesse do corpo discente e docente para novas pesquisas, resultando em novos materiais e novas técnicas construtivas, aliando segurança e com custos otimizados. O principal objetivo é o aprimoramento do emprego adequado de cada um destes materiais nos mais variados projetos de engenharia.

Há de se ressaltar que também não havia a preocupação com o meio ambiente, com as gerações futuras e a escassez dos recursos naturais. Hoje em dia é de suma importância que o profissional da engenharia tenha uma visão global da sustentabilidade e o respeito com o meio ambiente, evitando a exploração sem nenhum controle da natureza, na busca de insumos para a construção. Deve-se, ainda, evitar desperdícios de materiais, destinando adequadamente as sobras nos canteiro de obras e, na medida do possível, reaproveitando e reciclando os materiais para que os mesmos possam ser reutilizados na mesma ou em outras obras.

Também não se pode deixar de enaltecer a padronização dos materiais e de suas formas de utilização através das normatizações técnicas. O profissional de engenharia sempre deve estar ciente das normas vigentes em relação aos materiais de construção, técnicas construtivas e a aplicação destes materiais no dia a dia de uma obra, seja ela simples ou bastante complexa. As normas existem e estão disponíveis para que, cada vez mais, se tenha a otimização do emprego e aplicação corretos destes materiais na construção civil.

Para exemplificar o avanço tecnológico dos materiais, em um passado não muito distante, basta lembrar de como eram assentados os pisos cerâmicos. Eles eram submersos em água, por no mínimo 24 horas e, só depois desta etapa, eram assentados com a argamassa de cimento e areia preparada na própria obra. O objetivo principal da etapa anterior ao assentamento, e que na grande maioria das vezes não era de conhecimento dos pedreiros, era fazer com que a cerâmica ficasse saturada com os seus poros totalmente preenchidos pela água. Desta forma a cerâmica não absorvia a água utilizada no preparo da argamassa, fazendo com que as reações de hidratação, necessárias para a cura desta argamassa, ocorressem normalmente.

Atualmente, com as pesquisas, o aprimoramento dos materiais e o avanço tecnológico, existem no mercado vários tipos de argamassas colantes que podem ser aplicadas em cada tipo de serviço. Como por exemplo: serviços de fachada, revestimento de piso, revestimento de alvenaria, etc. O mesmo acontece para cada tipo de ambiente, externo ou interno. Essas argamassas já vêm prontas da indústria e são de fácil preparação, respeitando-se a quantidade certa de água para o preparo das mesmas para cada aplicação e finalidade. Com estes materiais, exclui-se a necessidade de se deixar as cerâmicas submersas como se fazia antigamente. Ressalta-se ainda, que as cerâmicas que hoje existem no mercado são fabricadas com materiais cada vez mais resistentes, eliminando o alto teor de impurezas e os poros que existiam nas cerâmicas de antigamente.

Até um passado relativamente recente, para exemplificar o surgimento de novos materiais de construção, era comum a utilização da pedra ardósia para o revestimento final do piso. Atualmente este tipo de revestimento está totalmente em desuso. Existem os porcelanatos de várias formas e cores, assim como de diferentes propriedades físicas e acabamentos, para revestimentos de pisos. São cerâmicas nobres que possuem na sua composição um material chamado “gress” que lhes confere alta resistência à abrasão e impermeabilidade, impedindo a percolação de líquidos para o seu interior e evitando manchas e a sua deterioração com o passar do tempo. Isto sem contar a beleza do material. Existem ainda, e também como exemplo, uma grande quantidade de porcelanatos como os rústicos que imitam madeiras, os antiderrapantes, os com alto brilho, etc.

Nota-se que os métodos construtivos e a utilização destes novos materiais de acabamento evoluíram bastante ao longo dos anos. Este constante desenvolvimento, aliado com a responsabilidade sustentável dos projetos de engenharia, permitem construções cada vez mais arrojadas e complexas, com novas tecnologias sempre aliando segurança e a otimização dos custos.

As escolas de engenharia, os estudantes, os engenheiros, os arquitetos e os profissionais que atuam na área da construção civil e em áreas afins devem estar sempre atentos ao desenvolvimento tecnológico e ao surgimento de novos materiais e produtos. Isso é facilitado quando há uma participação em pesquisas focadas na busca de materiais cada vez mais adequados a um contexto que exige uma combinação equilibrada de sustentabilidade, segurança e economia.

*Marcus Vinicius Lima Cardozo, engenheiro civil e mestre em engenharia mecânica, professor da EMGE – Escola de Engenharia de Minas Gerais.

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