Esporte Copa 2018

09/07/2018 | domtotal.com

Futebol é a coisa mais besta que há

Não entendo por que tanta gente perde tempo com isso.

Temos os talentos da bola, mas não sabemos bem o que fazer com eles. Nós os exportamos, nos enfraquecemos e – esta é a tragédia – não aprendemos.
Temos os talentos da bola, mas não sabemos bem o que fazer com eles. Nós os exportamos, nos enfraquecemos e – esta é a tragédia – não aprendemos. (Luis Acosta/AFP)

Vinte e duas pessoas, divididas em dois agrupamentos rivais, correndo como loucas no meio do mato, trombando o tempo todo, sob as vistas de uma multidão insana, que grita palavrões, troca ofensas, se agride fisicamente e até se mata. No meio delas, um sujeito nervoso, com apito irritante, julgando-se plenipotenciário, exigindo que todos ali façam o que ele julga certo. Qual o objetivo dessa confusão, dessa balbúrdia, desse mistifório? Enfiar um pedaço costurado e inflado de vaca, a pontapé ou cabeçada, num espaço retangular delimitado com um cano branco de ferro. O ajuntamento que fizer essa macaquice com mais frequência durante certa temporada ganha um pedaço de lata com formato de uma grande caneca, que ergue em delírio, sem nada dentro, como se tivesse derrotado trinta e dois exércitos numa campanha bélica. O futebol é das coisas mais bestas que há. Não dá para compreender por que seres humanos perdem tempo com isso. Tanta coisa boa para fazer...

Brasil

Eu, que não me sinto na obrigação de torcer para o Brasil, passei por cima de muitos problemas para ficar ao lado dos canarinhos nesta copa. As pilantragens da CBF, a desorganização do nosso futebol, as injustiças como a de relegar o cruzeirense Fábio (sou atleticano), há 10 anos o melhor goleiro do país, a incompetência da cartolagem, as corintianadas do treinador Tite Bachi, entre outros. Se o Brasil for campeão – não passei um dia sem me lembrar –, fortalecerá todas essas mazelas que eu gostaria de ver superadas. Mas torci, torci e perdi, eu também sou derrotado. O Brasil tomou 2 a 1 da Bélgica e a Copa do Mundo virou Eurocopa. Aprendamos com os europeus. Temos os talentos da bola, mas não sabemos bem o que fazer com eles. Nós os exportamos, nos enfraquecemos e – esta é a tragédia – não aprendemos.

Sinal: um louva-deus pousou no goleiro francês

No começo de França x Uruguai, um louva-deus pousou no goleiro francês Hugo Lloris – sério, a TV mostrou, pode conferir, foi na boca. É um sinal, captei, e será elucidado mais à frente. Jogo indo, os azuis da Europa melhores, mas nem tanto. Aos 39 do primeiro tempo, o zagueiro Varane meteu a cabeça na bola: 1 a 0. Pouco depois os sul-americanos perderam a chance de empatar, também de cabeça – excelente defesa do arqueiro de Nice. Aos 15 do segundo tempo, Griezmann deu um chute de longe, fácil de interceptar, mas Fernando Muslera, argentino de Buenos Aires, tomou frangaço. Mais que anotar 2 a 0 contra no placar, arrasou o moral do time. Estava explicado o sinal. A natureza escolheu essa partida para brincar com os homens. Decidiu soltar um bichinho abençoado no estádio, com este destino: o jogador que for tocado por essa criatura presenciará um erro catastrófico do adversário e verá sua pátria na semifinal. Quando o louva-deus entrou no estádio, vindo do alto, de muito alto, até voou para o lado uruguaio, mas uma corrente de ar soprada de Paris o conduziu para a meta do goleiro francês. Ó, nem Cavani, hoje fora de combate, resolveria.

Déja-vu: falha de goleiro uruguaio

A calamidade de Fernando Muslera me lembrou outra falha terrível de goleiro que também defendeu o Uruguai em copa: Fabián Carini. Esse infeliz tomou um gol olímpico de Petkovic num Atlético x Flamengo em 2009, fez o Galo perder e dar adeus ao Brasileirão. Goleiros uruguaios… Lembra-se de Rodolfo Rodrigues pondo no chão uma bola totalmente dominada, no Mineirão, e Ronaldo Nazário, novinho, vindo por trás?

Cléber Machado: o futuro pela frente

“O francês Mbappé possui um futuro grande pela frente.” Tem direito de falar isso para dezenas de milhões de pessoas um narrador que trabalha em meio de comunicação grandão como a TV Globo, ou o cujo tem obrigação de saber que futuro é sempre pela frente? Resolva o leitor, abstenho-me. Apenas informarei que a frase foi dita na abertura de Uruguai x França e pertence a Cléber Machado.

Essa bobagem da Fifa precisa ter a sua Revolução Francesa

A Fifa leva a sério esta besteira: só campeões mundiais, ex-campeões mundiais e chefes de estado podem tocar na taça da Copa do Mundo, esculpida pelo italiano Silvio Gazzaniga. Quer dizer que um tirano sanguinário pode meter suas mãos imundas no troféu, mas não um torcedor honesto, correto cidadão, uma pessoa da paz, apaixonada pelo futebol. Faz lembrar aquelas práticas ridículas de antigas monarquias, uma extravagância, excentricidade anacrônica. Precisa sofrer logo a sua Revolução Francesa. Algum Robespierre por aí?

*Marcos Caldeira é diretor de redação do jornal O Trem Itabirano, de Itabira, Minas Gerais.

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