;
Meio Ambiente

10/07/2018 | domtotal.com

Pesca excessiva e microplásticos, um desafio para o mundo, alerta FAO


Essa imagem de 31 de maio de 2018 mostra um pescador em seu barco na Ilha de Gouqi, ao sudeste de Xangai
Essa imagem de 31 de maio de 2018 mostra um pescador em seu barco na Ilha de Gouqi, ao sudeste de Xangai (AFP)

A exploração excessiva dos recursos pesqueiros no mundo, assim como a poluição que os microplásticos estão causando no mar, estão entre os maiores desafios para o futuro do setor, segundo um informe divulgado nesta segunda-feira (9) em Roma pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

"Até o ano 2030 a produção combinada da pesca de captura e da aquicultura alcançará 201 milhões de toneladas", calcula a FAO no relatório de 2018 sobre "O estado mundial da pesca e da aquicultura".

Esta produção corresponde a um aumento de 18% em relação ao nível atual, que é de 171 milhões de toneladas.

Este crescimento, que multiplicou o consumo de peixes em todos os continentes até chegar a 20,4 kg per capita em 2016, em comparação com pouco menos de 10 kg por habitante na década de 1960, requer medidas chaves para que seja sustentável.

"É preciso reduzir a porcentagem de populações de peixes capturados além da sustentabilidade biológica", alertou o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.

A FAO alertou também sobre a necessidade de reduzir as perdas e o desperdício, frear a pesca ilegal assim como a poluição dos ambientes aquáticos e as mudanças climáticas.

Segundo o estudo, a quantidade de peixes capturados no meio natural estacionou a partir da década de 1990, e se manteve em grande medida estável desde então.

O mundo se alimenta em grande medida graças à produção da aquicultura, um setor que se expandiu rapidamente durante as décadas de 1980 e 1990.

Segundo as cifras mais recentes da entidade das Nações Unidas especializada, em 2016 a produção aquícola chegou a 80 milhões de toneladas, representando 53% de todo o peixe destinado ao consumo humano, sobretudo na África.

No entanto, 33,1% da pesca é realizada em níveis "biologicamente insustentáveis", o que os especialistas da FAO consideram "preocupante".

Alarme pelos microplásticos no mar

Segundo o estudo, estão previstas mudanças "significativas" nos lugares ou países onde se pesca, em particular naqueles tropicais, devido a uma série de fatores.

"É provável que as capturas diminuam em muitas regiões tropicais dependentes da pesca e aumentem nas zonas temperadas do norte", explica a FAO, ao analisar os efeitos "preocupantes" das mudanças climáticas e da poluição.

"Deve-se prestar atenção a problemas como os restos dos aparelhos de pesca abandonados e a poluição que os microplásticos estão causando nos ecossistemas aquáticos", adverte a entidade.

"Deve-se dar prioridade às medidas preventivas que reduzam o lixo marinho e os microplásticos. Deve-se fazer esforços para atualizar os planos de reciclagem e de eliminação progressiva do plástico de uso único", instou a FAO.

O setor da pesca e aquicultura emprega 59,6 milhões de pessoas no mundo todo, das quais 14% são mulheres, enquanto o maior produtor e exportador de peixes é a China.

Os maiores consumidores são a União Europeia (UE), Estados Unidos e Japão.


AFP

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas