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Brasil Política

11/07/2018 | domtotal.com

Centrão vincula apoio eleitoral a cargos

Grupo quer manter ministérios estratégicos ocupados no governo de Michel Temer.

Centrão quer manter cabide de emprego em cargos estratégicos no Planalto
Centrão quer manter cabide de emprego em cargos estratégicos no Planalto (Agência Câmara)

A menos de três meses das eleições, o bloco formado por DEM, PP, Solidariedade e PRB começou a traçar a estratégia para manter influência no poder em 2019. Os quatro partidos que compõem o Centrão querem indicar não apenas o vice na chapa do candidato com quem fizerem aliança para a disputa ao Palácio do Planalto, mas também reconduzir o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao comando da Câmara e manter ministérios estratégicos ocupados no governo de Michel Temer.

O assunto não é tratado publicamente, mas faz parte de conversas reservadas nas negociações. Dirigentes do grupo se reuniram nesta quarta-feira (11) em um almoço na casa de Maia, na tentativa de "afunilar" as opções de apoio. Até agora, o Centrão - rebatizado de "blocão" - está mais inclinado a avalizar a pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT).

Há, porém, resistências no DEM, uma vez que a maioria da bancada na Câmara prefere se aliar ao ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), além de dificuldades expostas pelo PRB, que não simpatiza com Ciro e flerta com o senador Alvaro Dias (Podemos). O PR se "desgarrou" do bloco porque negocia com Jair Bolsonaro (PSL), hoje líder nas pesquisas em um cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas foi convidado para o encontro de hoje.

Diante de tantas dúvidas, a escolha do Centrão será anunciada após a Copa, que termina no domingo, 15. Enquanto o grupo tenta resolver divergências, no entanto, o loteamento dos ministérios entra no mercado eleitoral.

Visto como a "noiva" dessas eleições, o "blocão" conta, hoje, com 124 deputados, que podem atuar como fiel da balança em qualquer votação. Além disso, tem para oferecer palanques regionais e o tempo de TV na propaganda eleitoral. Se todos os partidos do grupo apoiarem o mesmo candidato, o dote será, na ponta do lápis, de 126 segundos. O PSC integra o grupo, mas não está participando de todas as reuniões.

'Preço'

Na quarta-feira passada, dia 4, um dirigente do PSDB afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que Alckmin iria ao jantar com o Centrão ouvir "o preço dos bois". Embora dita em tom de brincadeira, a frase expressa o rumo da prosa política.

O PP quer manter os ministérios da Saúde, Cidades e Agricultura, que dispõem dos maiores orçamentos, além da presidência da Caixa. No DEM, Maia chegou a lançar seu nome ao Planalto, mas avisou aos aliados que vai retirá-la. Um dos principais nomes do partido, ele busca apoio não apenas para conquistar novo mandato como para sua recondução ao comando da Câmara, em 2019. A sigla ainda controla o Ministério da Educação.

"É natural que os partidos que ajudarem na eleição ajudem também a governar, mas não discutimos cargos ainda", disse o deputado Paulo Pereira da Silva, presidente do Solidariedade. Em maio, Paulinho da Força, como é conhecido, teve o gabinete revistado por policiais federais durante a Operação Registro Espúrio, que apura fraudes na concessão de registros sindicais pelo Ministério do Trabalho.

"O Solidariedade não tem mais espaço ali. Devolvemos. Aliás, acho que o Ministério do Trabalho deve ser fechado porque é um antro de corrupção e problemas", afirmou Paulinho. O Incra e a Secretaria de Desenvolvimento Agrário continuam sob a direção do Solidariedade.

O presidente do PRB, Marcos Pereira, disse que a participação no governo ainda não foi objeto de debate no grupo. "Primeiro, queremos apoiar um candidato que tenha possibilidade de chegar no segundo turno, para evitar os extremos", comentou o ex-ministro. O PRB tem o empresário Flávio Rocha como pré-candidato ao Planalto e o Solidariedade apresentou Aldo Rebelo. Nenhum dos dois, porém, chegou a 1% das intenções de voto.


Agência Estado

EMGE

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