;
Esporte Copa 2018

12/07/2018 | domtotal.com

A Eurocopa do Mundo vista do meu sofá

A trave da Copa é feita de minério, diz Vale. Vou além: há um pedacinho de Itabira não só na Rússia, mas em cada cidade do mundo.

O minério extraído no solo itabirano há 76 anos se transforma em utilidades para povos de todos os países.
O minério extraído no solo itabirano há 76 anos se transforma em utilidades para povos de todos os países. (Roneijober Andrade e Marcos Caldeira Mendonça/Arquivo do Trem Itabirano)

Recebi da empresa Vale um vídeo institucional no qual lembra a presença de produtos trabalhados pela companhia nos estádios da Copa do Mundo, construídos com estruturas metálicas, e, sobretudo, na parte que mais gera emoção no futebol: as traves. Para ficar em torno do próprio umbigo, a mineradora economizou na análise. Dá para escavar um pouco mais o assunto e dizer que há pedacinhos de Itabira não apenas nos estádios da copa, mas em praticamente todas as cidades do mundo. 

O minério extraído no solo itabirano há 76 anos se transforma em utilidades para povos de todos os países: pregos, tesouras, camas hospitalares, talheres, ferragens de prédios, peças de automóveis, de computadores e de navios, alfinetes, armas e outras dezenas de milhares de produtos fabricados com ferro. 

No extinto bar Cinédia, os mais ébrios lembravam, ufanisticamente, que há pedaços de Itabira até na Lua, em restos de foguetes lá deixados por astronautas. Impossível mencionar essa grandeza sem evocar a épica dívida social e ambiental da Vale com Itabira, sua cidade-berço. Mineração é atividade destruidora demais, estraçalha tudo. Polui violentamente o ar, jogando veneno nos pulmões de todos; causa assoreamento de córregos; esgarça culturas ao apagar bairros inteiros em desocupações de áreas a minerar ou perto de minas em atividade; provoca migração desordenada, criando favelização e pressionando os serviços públicos; esteriliza solos; cria risco de catástrofes épicas, como a que desgraçou Mariana, aquela avant-première do apocalipse vista em 2016; estupra a paisagem, prejudicando a autoestima de um povo; suga a água mais fácil, obrigando o município a captar o líquido em lugares mais difíceis, o que encarece o produto ao consumidor, entre outros problemas graves e gravíssimos. 

Então, é melhor não minerar, perder os empregos, deixar a população sem os benefícios da atividade e fazer traves de pau? Claro que não! Não se defende a paralisação do setor, mas que os municípios minerados sejam recompensados com justiça. Estudos do Banco Mundial e da Comissão Econômica para a América Latina são unânimes neste ponto: a tributação sobre a mineração no Brasil é muito baixa, se comparada com a de outros países. Na Austrália, o royaltie do minério é de 7%; no Canadá, 9%. No Brasil, era de 2% sobre o faturamento líquido e só este ano passou para 3,5% sobre a arrecadação bruta.

Croácia: os quadriculados avirrubros querem entrar para o clube dos oito

É fechado demais o clube dos campeões do mundo, formado por Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, Uruguai, França, Inglaterra e Espanha. A Bélgica terá de esperar do lado de fora, saiu ontem para a França ao perder por 1 a 0. A Croácia derrotou a Inglaterra ontem, num 2 a 1 prorrogado, e tentará a façanha. Torço para que chegue lá, mas acredito que a França triunfará pela segunda vez. Referi-me a clube fechado e me lembrei de um caso ocorrido quando eu trabalhava na Comunicação da Prefeitura de Itabira, no primeiro governo Ronaldo Magalhães, em 2004. Foi na minha sala, ninguém me contou, presenciei. Um senhor da maçonaria entregou convite a um radialista com o fito de torná-lo membro da sociedade. Falou da honra oferecida ao comunicador de poder se juntar a eles, citou a participação de maçons na Inconfidência Mineira e informou que caso recusasse, pela regra, só poderia ser convidado novamente após 25 anos. O radialista – não se sabe se com intenção de humor – reagiu assim: “Como devo proceder para não ser convidado nunca mais?”.

O árbitro sempre será menor que o jogador

“Acabou, acabou, não faça outra”, esbravejaram árbitros, nessa copa, contra jogadores que cometeram duas ou três faltas. Quem eles pensam que são para interferir no que um atleta faz ou deixa de fazer em campo? Estão ali para aplicar a lei do futebol, nada mais. Que tomem, nos casos de transgressão, a providência cabível – marcação de falta, aplicação de cartão amarelo ou expulsão. O apitador é importante, mas sempre será menor do que um jogador. Portanto, não tem nada de se intrometer nas decisões dos chutadores de bola. Alguém argumentará: “O árbitro tem de ser proativo e quando orienta um jogador para não fazer mais falta, está evitando expulsão e zelando pelo espetáculo”. Quem garante que uma partida com um jogador a menos não ficará mais espetacular? Pergunte a qualquer torcedor se ele não deseja expulsão no time adversário. Se eu fosse árbitro, chamaria as duas equipes no início do jogo e avisaria: “Não vou me meter na decisão de ninguém. Vocês fazem o que quiserem, com toda liberdade. Eu aplico os mandamentos. Agora, acabou o papo comigo, sumam de perto de mim e tratem de fazer o melhor jogo de suas vidas”.

*Marcos Caldeira é diretor de redação do jornal O Trem Itabirano, de Itabira, Minas Gerais.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas