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Esporte Copa 2018

16/07/2018 | domtotal.com

Calcemos a chuteira da humildade

Por tudo o que todos nós vimos nos belos gramados da Rússia, não há dúvida de que a taça ficou em boas mãos. Ou em bons pés.

O Pogba, meio-campista francês parece um Didi apimentado, mais ágil, mais rápido.
O Pogba, meio-campista francês parece um Didi apimentado, mais ágil, mais rápido. (Reprodução)

Por Afonso Barroso*

A Copa da Rússia termina com uma certeza: a nós, brasileiros, seria até permitido sonhar com a conquista do hexa, mas praticamente impossível ver o sonho realizado. Vi e admirei em todas as fases, especialmente nas disputas finais, jogadores que superam com boa margem os da seleção do Tite.

Vi, por exemplo, um Pogba, meio-campista francês que parece um Didi apimentado, mais ágil, mais rápido. Didi, para quem não sabe, era um jogador excepcional. Elegante como um deus negro, jogava com ilusória lentidão e incrível facilidade para bater na bola. Chamavam-no de Folha Seca, porque quando cobrava uma falta ou dava um passe longo, fazia com que a bola descrevesse uma trajetória inviável, oscilando no ar como se fosse uma folha de outono. Só não tinha a mobilidade de Bogba, que por isso merece a comparação deste parágrafo.

Vi um Mbappé, jovem atleta de 19 anos, que combina habilidade com incrível velocidade. Escorregadio, costuma passar de passagem pelos marcadores. O Brasil não tem um atacante veloz como ele.

Vi um Luka Modrić, o comandante em chefe do time da Croácia. Esbelto, quase franzino, esse jogador é amigo íntimo da bola, que gruda nos seus pés e dali se recusa a sair. Dribla com rara facilidade e quase nunca erra um passe. Quem no Brasil consegue tanto? Não sei, não conheço.

Vi Umtiti, gigante na defesa da França. Quando vai ao ataque, todo cuidado com ele é pouco. No Brasil, talvez Tiago Silva e Geromel rivalizem com ele, e só.

Vi, também na França, um Matuidi, jogador de extrema eficiência, segurança no meio-campo.

Vi Griezmann, atacante de alta periculosidade, um desbravador de defesas. Exímio cobrador de faltas, tem chute fortíssimo e, na maioria das vezes, certeiro. Vi ainda Lloris, grande goleiro, Hernández, Kimpembé, Pavard, Varane, Kanté, Dembelé, Giroud... Todos craques do time bleu.

Na brava seleção da Croácia, vi e admirei a eficiência do lateral Vida, incansável durante os 90 minutos de jogo – ou 120, se necessário. Me espantou o desempenho daquela coleção de craques que trazem no nome a cedilha invertida no C e acento no S, como Perišić, Rakitić, Šimić...

Por tudo o que todos nós vimos nos belos gramados da Rússia, não há dúvida de que a taça ficou em boas mãos. Ou em bons pés.

Ao Brasil, resta calçar a chuteira da humildade e botar na cabeça que não somos mais os melhores.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

EMGE

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