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17/07/2018 | domtotal.com

Um projétil descontrolado e a líder ocidental

O Trump sempre foi um homem de negócios, que muitas vezes deram errado, mas nunca soube ser um diplomata, muito menos após ter sido eleito presidente de seu país.

O presidente dos EUA, Donald Trump, encontra a chanceler alemã, Angela Merkel, no Salão Oval da Casa Branca.
O presidente dos EUA, Donald Trump, encontra a chanceler alemã, Angela Merkel, no Salão Oval da Casa Branca. (Jonathan Ernst/ Reuters)

Por Lev Chaim*

O título já denuncia o assunto de primeira, não é mesmo? Sim, vamos falar do presidente norte-americano, Donald Trump, na sua visita à Bruxelas para a reunião de cúpula dos países líderes da OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte. Fundada em 1949 para conter a expansão militar dos países do bloco socialista, em 1960 a participação dos Estados Unidos nessa organização se intensificou ainda mais. Todos colaboram, mas os norte-americanos, com o seu grande arsenal militar predominaram nas decisões dessa organização.

Depois de ter causado uma guerra comercial com a China, impondo tarifas comerciais de bilhões de dólares aos produtos chineses importados pelos Estados Unidos, Trump se reuniu em Bruxelas para o encontro com os seus aliados da OTAN. Nem bem chegou e já numa das primeiras reuniões, quando a chanceler alemã Angela Merkel não havia ainda chegado, começou a criticar a Alemanha, dizendo que ela tinha que investir mais de seu produto interno Bruto na defesa de seu país e aumentando consequentemente a sua participação naquela organização militar.

Não contente com isto, feito perante as câmeras, Trump criticou veementemente o acordo de compra de gás russo pela Alemanha, frente ao secretario geral da OTAN, Stoltenberg, naquele fatídico café da manhã, criticou veementemente o acordo recente de compra de gás russo pela Alemanha. Suas palavras, como sempre, não foram nada diplomáticas: “A Alemanha depende do gás russo e está totalmente dependente da Rússia”.

O presidente norte-americano sempre foi um homem de negócios, que muitas vezes deram errado, mas nunca soube ser um diplomata, muito menos após ter sido eleito presidente de seu país. As reuniões de cúpulas, de organizações como essa, são para se discutir na mesa as diferenças, tentar resolvê-las e depois pelo menos aparentar uma unidade para o resto do mundo.

Assim que chegou a Bruxelas, informada de tudo, a chanceler alemã, Angela Merkel, não se deixou levar pelas provocações do presidente e muito menos abriu mão de sua dignidade de política importantíssima para a unidade da Europa e de todo o Ocidente. Muito contida, ela disse que a Alemanha tem muito a agradecer à OTAN: tanto pela unificação alemã como também pela união da Europa. Ela acrescentou ainda que o seu país já fazia bastante para a OTAN, como um dos maiores fornecedores de tropas para aquela organização. “Até agora, disse ela, estamos fortemente engajados na luta no Afeganistão, o que também beneficia os interesses norte-americanos.”

E com um comentário muito sutil, Merkel disse ainda que havia experimentado a vida na Alemanha Oriental, quando ela era totalmente dominada pela União Soviética, porque lá viveu com a família cujo pai era pastor da Igreja Protestante Luterana. “Hoje estou muito contente com a união das duas Alemanhas e o total controle da execução de nossa atual política.” Mais tarde, no seu encontro com Trump, Merkel disse que tudo correu bem e no acordo final da OTAN, o parágrafo que diz que os países membros mostraram solidariedade e unidade únicas, não foi muito bem compreendido por muitos, principalmente na Alemanha.

Segundo o jornal alemão, Suddeutsche Zeitung, a Alemanha encontra-se numa situação perigosa, já que o homem, que tem que agradecer a sua eleição como presidente à intervenção de hackers e outros negociadores duvidosos russos, fala agora em uma Alemanha totalmente controlada pela Rússia. O jornal concluiu: “Isto não é mais provocação, e mais parece uma declaração de guerra política”. E o jornal alemão Frankfurter Allgemeine comentou que o ódio de Trump contra Merkel e a Alemanha provém de frustações suas pelos elogios à capacidade de liderança de Merkel, feitos por vários órgãos da imprensa norte-americana. 

O comentarista holandês para assuntos norte-americanos, Charles Groenhuijsen, em um programa da TV holandesa, fez a mais hilária comparação: “Trump é a Dolly Parton da política. Onde estiver, é sempre reconhecido pela sua forma estapafúrdia de atuar em público.” O que ele espuma e grita contra os aliados não conta mais, mas sim, o que definitivamente ocorre nos bastidores. Mas uma coisa é certa: Dolly Parton é extravagante mas canta bem e comove muita gente. Eu lhe pergunto, caro leitor: o que o Trump fez de bom até agora como presidente? Apenas provocou desentendimentos, principalmente com seus aliados. E este seu último encontro com o presidente russo Putin foi às portas fechadas em Helsinki. A imprensa não teve acesso e só foi divulgado o que eles quiseram. Tump, por sua vez, criticou novamente a investigação da Justiça de seu país sobre a possível intervenção de Putin nas eleições norte-americanas.     

E para finalizar, uma dúvida: até hoje não se sabe se o acordo para o desarmamento nuclear da Coréia do Norte, acertado entre Trump e o presidente norte-coreano, em Cingapura, vai mesmo em frente ou não. O enviado de Trump à Coréia para escrever definitivamente esse acordo voltou corrido da Coréia do Norte, já que o líder norte-coreano não quis fazer as concessões que tanto Trump havia gritado aos quatro ventos. Por essas e por outras é que digo: ainda bem que o Ocidente ainda tem líderes sóbrios, tal qual a chanceler alemã, Angela Merkel, vocês não acham? Dou toda razão aos jornais norte-americanos.

*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras para o Domtotal.

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