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Religião

23/07/2018 | domtotal.com

Igreja relutante em condenar 'terapia de conversão gay'

Bispos católicos se recusaram a comentar sobre fim da chamada 'cura gay', em contraste com a Igreja Anglicana, que liderou o caminho na campanha para abolir tais terapias.

A “terapia de conversão gay” ou cura gay, como é chamada em alguns países, é conhecida por incluir práticas como a terapia de eletrochoque e a administração de drogas indutoras de náuseas, enquanto o sujeito é exposto à pornografia gay.
A “terapia de conversão gay” ou cura gay, como é chamada em alguns países, é conhecida por incluir práticas como a terapia de eletrochoque e a administração de drogas indutoras de náuseas, enquanto o sujeito é exposto à pornografia gay. (Staisy Mishchenko/CrowdSpark/PA Images)

Por James Macintyre e Tom Heneghan*

A Igreja Católica foi desafiada a condenar a chamada "terapia de conversão ou cura gay" depois que a primeira-ministra, Theresa May, anunciou que seu governo estava proibindo a prática controversa.

Bispos católicos se recusaram a comentar sobre o assunto, em contraste com a Igreja da Inglaterra (Anglicana), que liderou o caminho na campanha para abolir tais terapias.

Um porta-voz da Igreja da Inglaterra disse: “Saudamos calorosamente o compromisso do governo de erradicar a terapia de cura gay neste país. Como conclui um movimento endossado esmagadoramente pelo Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra no verão passado, a prática é antiética, potencialmente prejudicial e não tem lugar no mundo moderno”.

A primeira-ministra Theresa May disse na semana passada: "Vamos apresentar propostas para acabar com a repugnante prática da cura gay, que não tem lugar na Grã-Bretanha moderna".

Ela anunciou a proibição como parte de um plano de ação LGBT de 4,5 milhões de libras, que coincidiu com uma pesquisa do governo sobre pessoas LGBT residentes no Reino Unido, essa pesquisa apontou que dois por cento dos participantes haviam se submetido à terapia de cura gay para tentar "curar-se", essa terapia também foi oferecida a outros cinco por cento. Mais de 108.000 pessoas responderam à pesquisa, tornando-se o maior estudo desse tipo no mundo.

A “terapia de conversão gay” ou cura gay, como é chamada em alguns países, é conhecida por incluir práticas como a terapia de eletrochoque e a administração de drogas indutoras de náuseas, enquanto o sujeito é exposto à pornografia gay.

Martin Pendergast, do grupo LGBT+ de Católicos de Westminster, disse ao The Tablet: “Isso é muito esperado do governo. Muitos grupos LGBT têm insistido nesta ação nas chamadas terapias reparativas há alguns anos. O governo finalmente atingiu organizações de aconselhamento profissional”.

O Sr. Pendergast apontou que as diretrizes de cuidado pastoral da Conferência dos Bispos Católicos para as pessoas LGBT rejeitam o uso de tais terapias.

No entanto, o parlamentar trabalhista Ben Bradshaw, que é gay, convocou ativamente todas as denominações para falarem contra o fenômeno. Ele disse ao The Tablet: “Dado que muitos dos problemas estão ocorrendo nas comunidades de fé - embora aconteçam muitas vezes nos mais obscuros e fundamentalista setores dessas comunidades - é ainda mais importante que todos os grupos de fé e de diferentes denominações se pronunciem claramente contra esta prática terrível.

Matthew Doyle, um ex-assessor de imprensa de Tony Blair, católico e gay, disse: “Espero que o governo garanta que essa prática insidiosa possa ser encerrada e que não ouça as vozes alarmantes que argumentam que tais práticas devam ser permitidas sob as chamadas isenções de consciência ou liberdade religiosa”.

No entanto, um grupo de pressão cristão conservador da Irlanda do Norte, o Core Issues Trust, defendeu o uso de tais terapias para aqueles que as querem. Ele disse em um comunicado: “Alguns desejam modificar comportamentos e renunciar como falsa a identidade que eles descreveram como 'gay'. Alguns são casados e têm filhos e desejam manter a integridade de tais casamentos. O Trust apoia os direitos de autonomia dos indivíduos de tomarem os caminhos que refletem seus objetivos e valores”.

Enquanto isso, o arcebispo de Paris Michel Aupetit proibiu um padre francês e psicanalista de todas as atividades ministeriais e públicas depois de um inquérito canônico sobre acusações de abuso sexual de padres que foram enviados a ele para sessões de “cura” de sua homossexualidade.

Padre Tony Anatrella, apelidado de “psiquiatra da Igreja” por seu trabalho em Paris e consultor dos Conselhos Pontífices para a Família e para os Trabalhadores da Saúde do Vaticano, nega as acusações feitas por pelo menos quatro ex-pacientes, ele também é investigado por um bispo auxiliar de Paris.

Pe. Anatrella, agora com 77 anos, foi acusado publicamente desde pelo menos 2006, mas continuou seu trabalho de alto perfil como terapeuta, escrevendo e falando contra a homossexualidade e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em 2015, ele disse a bispos recém-nomeados que eles não tinham que denunciar as alegações de abuso sexual à polícia, o que lhe valeu uma reprimenda do cardeal Seán O'Malley, chefe do órgão pontifício de proteção à criança.

O Arcebispo Aupetit disse-lhe para cessar toda atividade sacerdotal, inclusive ouvir confissões e atuar como conselheiro espiritual, e proibiu sua prática de terapeuta e de falar ou publicar seus pontos de vista.


The Tablet - Tradução: Ramón Lara

EMGE

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