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Religião

20/07/2018 | domtotal.com

As faces do amor

Tão complexo e rico é o amor, que a língua grega nos brinda com três palavras, para tentar expressar sua profundidade e abrangência.

Quem define o amor, acaba por não defini-lo, de fato.
Quem define o amor, acaba por não defini-lo, de fato. (Reprodução/ Pixabay)

Por Felipe Magalhães Francisco*

“Quando o amor vos chamar, segui-o [...]”. Essa é a exortação feita pelo poeta Gibran Khalil Gibran, em seu magistral poema O amor, para que vivamos o risco de nos deixar amar. Muitos escreveram a respeito dessa complexa realidade que, de uma forma ou de outra, acaba por tocar a todas as pessoas, mesmo que de raspão. Quem define o amor, acaba por não defini-lo, de fato. Lembra a fala do Ressuscitado, aquele que é o amor-amado, à Madalena, a amada-amante: “Não me retenhas [...]” (Jo 20,17). Fico me recordando das aulas de Língua Portuguesa, com os seus substantivos abstratos, entre os quais está o amor.

Abstrato, o amor, mas até que ponto e em qual sentido? Estamos acostumados à sua romantização. E isso influencia, sobremaneira, no modo como o compreendemos. As religiões insistem muito nele, como imperativo. Certamente, essa insistência religiosa não diz respeito à dimensão romântica dessa coisa complexa, mas, em meio a essa influência cultural que nos leva à romantização, fica bastante difícil e nos soa absurdo o convite, por exemplo, de Jesus, de amar os nossos inimigos.

Tão complexo e rico é o amor, que a língua grega nos brinda com três palavras, para tentar expressar, pelo menos em parte, a sua profundidade e abrangência: ágape, eros e philia. Numa sociedade do desejo, do consumo e do imediatismo, resgatar a beleza dessa coisa à qual em nossa língua chamamos amor, é lutar por nossa própria sobrevivência, por uma sobrevivência com sentido. Reflitamos!

As três faces

Ágape. É o tema de nosso primeiro artigo, Ágape, uma experiência de amar desinteressadamente, de Rodrigo Ferreira da Costa. Essa forma de amor não se desvincula das outras, mas pressupõe uma entrega de si, de modo abnegado, em direção ao outro. Esse é o amor que está no âmago da identidade cristã e que tem sua máxima expressão na Cruz em que o Filho de Deus se entrega, para a salvação do mundo.

Eros. Rodrigo Ladeira propõe o artigo Vistes aquele que meu coração ama?, no qual reflete sobre essa coisa que nos desorbita, que nos descentra e que nos desarruma. Resgatando eros para o seu lugar também em relação ao sagrado, o autor nos ajuda a refletir para além da dimensão amor-sexual. No jogo tão próprio ao desejo, o desnudamento da espera e do convite, bem mais que o encontro, em si.

Philia. Um tipo de amor raro é o título do terceiro artigo de nossa especial, proposto por Patrícia Simone do Prado. Philia, compreendida como amizade, não é da ordem natural, e por isso talvez seja a forma mais rara de amor, ao ponto de ser considerado por Aristóteles como uma virtude. Eis o amor pelo outro, pelo simples fato de o outro ser, de modo que faça despertar nele uma correspondência, para o caminhar juntos, muito além da pura afeição.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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