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Religião

21/07/2018 | domtotal.com

Danos em Igreja revelam violência da repressão na Nicarágua

O dano material mais icônico está na imagem de Cristo, que tem três perfurações de bala.

Fiéis rezam em 20 de julho de 2018 diante da imagem de Cristo perfurada por tiros em uma igreja de Manágua.
Fiéis rezam em 20 de julho de 2018 diante da imagem de Cristo perfurada por tiros em uma igreja de Manágua. (AFP)

Buracos de bala nas paredes, janelas e em imagens de santos da igreja da Divina Misericórdia de Manágua são o testemunho da violenta repressão das forças do governo aos estudantes opositores, em um dos episódios mais violentos da crise política que já deixou mais de 280 mortos em três meses de protestos na Nicarágua.

O dano material mais icônico está na imagem de Cristo, que tem três perfurações de bala, incluindo uma no peito, de onde parecem emanar raios de luz.

"Esta imagem (do Cristo da Divina Misericórdia) foi trazida da Polônia e é uma réplica da original. Agora vai ficar assim, porque estes três buracos representam o sofrimento do povo", declarou o vigário Erick Alvarado.

Estudantes da Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua (UNAN) se refugiaram na Igreja no sábado passado, após a desocupação pela força do centro educacional, e ficaram cercados no templo durante cerca de 12 horas, ao lado de sacerdotes e jornalistas, sob o fogo das forças governamentais.

O incidente deixou dois mortos e dezenas de feridos.

"Isto (os danos) vai ficar como lembrança de tudo o que vivemos", declarou Alvarado, que narrou os momentos de terror que passou ao lado dos estudantes.

A igreja da Divina Misericórdia, próxima à UNAN, ficou lotada nesta sexta-feira, durante a jornada de orações e jejum convocada pela Igreja católica a favor do diálogo entre governo e oposição.

Foi a primeira missa de desagravo após o ataque e no momento em que o presidente Daniel Ortega acusa os bispos - mediadores do diálogo - de "golpistas" comprometidos com uma "conspiração" contra o governo.

"Foi uma noite de terror. As duas da madrugada cortaram a energia e ficamos no escuro, e todos se jogaram no chão por medo dos tiros...", recordou Alvarado.

"Temi por minha vida, em certo momento pensei que era meu último dia", disse o padre Alvarado, que apenas olhava a imagem do Cristo crucificado e rezava com o rosário em suas mãos.

"Jamais pensei que poderiam atacar uma Igreja, a casa de Deus", comentou Alvarado, que conseguiu sair do local após 12 horas de cerco, graças à mediação do cardeal Leopoldo Brenes e de organismos de direitos humanos.


AFP

EMGE

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