Religião

31/07/2018 | domtotal.com

Dialogar é preciso

O fato de dispormos de sofisticadas tecnologias para o contato além fronteiras não significa que estamos nos comunicando melhor.

Além de dispormos dos mais avançados meios de comunicação é imprescindível abrirmo-nos ao diálogo.
Além de dispormos dos mais avançados meios de comunicação é imprescindível abrirmo-nos ao diálogo. (Reprodução/ Pixabay)

Por Tânia da Silva Mayer*

O nosso tempo já podem ser identificado historicamente como aquele no qual os meios de comunicação em tempo real se desenvolveram com qualidades inimagináveis em décadas anteriores. Podemos estabelecer contato com quem está do outro lado do mundo e isso de maneira extremamente rápida. Não há mais fronteiras quando o assunto é estabelecer um contato imediato com qualquer pessoa e em qualquer lugar, mesmo o mais distante. As novas tecnologias de comunicação e internet é que tornam possível o contato dos distantes. E essas tecnologias passam a fazer parte da vida sobretudo daqueles que têm parentes e amigos morando longe.

Ao mesmo tempo em que podemos nos compreender num movimento de época que revoluciona a comunicação interpessoal, graças ao aporte tecnológico empregado para essa finalidade, também vamos percebendo como esse projeto não apresentou soluções para um problema antropológico que atravessa épocas: a precária comunicação humana. O fato de dispormos de sofisticadas tecnologias para o contato além fronteiras pode até significar que estamos nos comunicando mais, mas não pode significar que estamos nos comunicando melhor. Uma boa comunicação se realiza quando o comunicador e o receptor compartilham de uma compreensão sobre a mensagem proferida, quando ambos são capazes de tomar tal mensagem e discuti-la considerando diversos pontos que os permitem chegar a um entendimento. Porém não é isso que percebemos cotidianamente em nossas relações.

Obviamente, uma falha numa ligação, a interrupção de uma transmissão simultânea, uma queda do sinal de internet, entre outras falhas técnicas, podem implicar no resultado adverso da comunicação entre duas ou mais pessoas. No entanto, não é isso o que mais tem afetado esse processo. O problema de fundo para esse problema é o próprio ser humano que vai aos poucos deixando de se realizar humanamente na linguagem, pois abre mão da capacidade de ouvir e, sobretudo, de refletir sobre o ouvido. Essa indisposição para construir um entendimento compartilhado não só torna nossa comunicação cada vez mais precária como também nos faz questionar a necessidade do desenvolvimento das tecnologias direcionadas para esse fim. Sem o movimento de abertura para o outro, da audiência da mensagem que ele deseja proferir, deixamos de nos humanizar, deixamos de criar meios possíveis para a manutenção do ser humano que é incapaz do isolamento e de um tipo de vida à revelia de experiências compartilhadas com os outros.

Por isso, além de dispormos dos mais avançados meios de comunicação é imprescindível abrirmo-nos ao diálogo. O entendimento sobre as questões que nos dizem respeito só se torna possível quando ele é desejado por aqueles que dialogam. É importante considerar que esse entendimento é construído e, portanto, devedor da colaboração dos envolvidos. Nesse sentido, todo mundo contribui para o resultado final da comunicação. Outras situações podem ser consideradas como monólogos arbitrários e não diálogos. As guerras que se instalam época a época, os conflitos e disputas que causam dor e morte partem, na maioria das vezes, da não abertura ao outro e do não desejo de se chegar a um entendimento comum. Sem o movimento necessariamente humano, não é possível avançar além das fronteiras, principalmente daquelas construídas pela ausência do diálogo.

No limiar desse tempo de corrida eleitoral, estejamos atentos e despertos para ouvir os candidatos e seus partidos, de dialogar sinceramente com os que pensam diferente e, sobretudo, de ouvir as vozes da maioria de oprimidos de nossa sociedade, a fim de que cheguemos a um entendimento minimamente comum para os nosso muitos problemas.

*Tânia da Silva Mayer é mestra e bacharela em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE); graduanda em Letras pela UFMG. Escreve às terças-feiras. E-mail: taniamayer.palavra@gmail.com.

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