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Religião

10/08/2018 | domtotal.com

O cultivo da solidariedade, para uma vida mais humana

A capacidade de olhar para os outros, reconhecendo neles a importância de que vivam dignamente, precisa ser um hábito a ser exercitado continuamente.

O cristianismo, por sua vez, assumiu a solidariedade como aspecto fundamental, inclusive para a compreensão da própria fé cristã.
O cristianismo, por sua vez, assumiu a solidariedade como aspecto fundamental, inclusive para a compreensão da própria fé cristã. (Reprodução/ Pixabay)

Por Felipe Magalhães Francisco*

No dia em que se comemora a solidariedade cristã, voltamos nosso olhar para esse tema, tão necessário no contexto sociocultural no qual estamos inseridos. Numa sociedade cada vez mais individualista e competitiva, insistir na importância de uma vida construída a partir de valores humanos fundamentais, tal como a solidariedade, é não deixar passar o apelo a cada pessoa: de que vivamos humanamente. A capacidade de olhar para os outros, reconhecendo neles a importância de que vivam dignamente, precisa ser um hábito a ser exercitado continuamente.

Sempre que uma grande tragédia acontece em nosso país, vemos o quanto as pessoas se mobilizam para diminuir, o máximo possível, o sofrimento dos afligidos. Essa mobilização é quase que um impulso. Contudo, é preciso nutrir a solidariedade não apenas em contextos emergenciais. A capacidade de nos sensibilizarmos pela vida uns dos outros deve ser uma constante. Esse é um valor humano, que ultrapassa toda e qualquer dimensão religiosa. As religiões, no entanto, uma vez que são, intrinsecamente, serviços de humanização, precisam assumir a solidariedade como uma questão importante. O cristianismo, por sua vez, assumiu a solidariedade como aspecto fundamental, inclusive para a compreensão da própria fé cristã.

Poderíamos dizer que o cristianismo fez da solidariedade uma categoria teológica. Nesse sentido, a solidariedade, para os cristãos e cristãs, é verdadeiro imperativo, fruto da experiência de fé no Deus de Jesus. Isso porque a tradição teológica lê, na relação de Deus com a humanidade e com o mundo, uma relação de solidariedade. Essa é uma inspiração fundamental para que cristãos e cristãs busquem viver, iluminados por esse olhar solidário para com os outros, sobretudo para com os sofredores e sofredoras da história.

A solidariedade de Deus para com o ser humano e com o mundo é próprio de sua graça, isto é, de seu amor. Nesse sentido, é a gratuidade do amor divino que o faz solidário para conosco. É o que reflete o artigo de Fabrício Veliq: Deus solidário: no pecado e na graça. Superando a antiga lógica de que a solidariedade na graça seja uma compensação da solidariedade de todo ser humano com o pecado de Adão, o autor convida a um olhar mais atento para o verdadeiro foco de onde nasce a solidariedade divina: o amor. Tudo isso traz bastante implicações para o agir cristão no mundo, em nossa contemporaneidade, que inspire a superação e o rompimento com toda forma estrutural de pecado.

A solidariedade divina tem um rosto: é Jesus de Nazaré, o Cristo Filho de Deus. Nele, a solidariedade divina alcança uma dimensão inegável de concretude. Essa solidariedade, mais que superação do pecado, revela-se também no resgate da dignidade humana, transfigurada por consequência do pecado que gera injustiça. Nesse sentido, a ação de Jesus em favor dos empobrecidos e empobrecidas da história é sinal claro da solidariedade divina para com a humanidade. Reflete sobre isso o segundo artigo de nossa matéria especial: A solidariedade de Jesus e a solidariedade do cristão com os pobres e sofredores, de Antônio Ronaldo Nogueira. No artigo, o autor reflete a respeito da solidariedade de Jesus manifestada em sua encarnação, vida e missão, morte e ressurreição, bem como essa solidariedade conclama a cada cristão e cristã no cuidado para com os empobrecidos do mundo.

Viver humanamente é convite não apenas aos cristãos e cristãs, bem sabemos. É por isso que a solidariedade precisa ser trabalhada em todos os âmbitos da sociedade. É o que chama a atenção Edward Guimarães, no artigo O amor-compaixão e a solidariedade-cidadã: antídotos contra a indiferença social. Lendo, criticamente, a realidade sociocultural na qual estamos inseridos, o autor interpela a uma reflexão a respeito da importância do amor e da solidariedade como caminhos importantes e necessários para a superação da indiferença, mal que tanto nos desumaniza.

 Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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