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Religião

17/08/2018 | domtotal.com

'Em tudo o que faço, procuro ser a presença de Cristo'

Entrevista a jovem com participação eclesial ajuda a iluminar a compreensão de como parte da juventude católica se relaciona com a fé.

'Caminhar em uma igreja que não se preocupa somente com si e com a salvação individual, me faz olhar para o mundo com os olhos da fé, da esperança e do amor'.
'Caminhar em uma igreja que não se preocupa somente com si e com a salvação individual, me faz olhar para o mundo com os olhos da fé, da esperança e do amor'. (Reprodução/ Pixabay)

Há muitas formas de pertença, com as quais as juventudes se engajam em alguma religião. Mesmo dentro do cristianismo, essas formas de pertença são bastante plurais. A partir de uma forma de pertença crítica e existencialmente implicada na transformação social, Elisa Kemmer nos conta, em entrevista, seu olhar a respeito da religião e da religiosidade, e o modo como elas se manifestam em sua vida. Elisa é jornalista, tem vinte e cinco anos e é natural de Farroupilha, região metropolitana da Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul.

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DT: De que maneira a religião apareceu em sua vida e como se deu e se dá a relação com esse aspecto?

Cresci em uma família católica. A religiosidade sempre esteve presente, principalmente por parte da minha avó materna. Na região onde nasci, Serra Gaúcha, a devoção a Nossa Senhora é muito forte, conservada pelos imigrantes italianos. Então sempre vivi em um meio no qual a religião estava muito próxima. Fui batizada, fiz catequese, mas depois de um tempo, vendo uma igreja muito conservadora, fui me afastando. Já na faculdade, quando comecei a ter mais proximidade com movimentos populares, participei do curso de Fé, Política e Trabalho, em Caxias do Sul, encontrei jovens da Pastoral da Juventude, então fui me reaproximando da igreja, dessa igreja que eu me identifico, que olha criticamente para o mundo, não segue somente Jesus divino, mas também Jesus histórico, que foi humano e caminhou com o povo.

DT: Como você interpreta essa sua relação com o aspecto religioso? Ele se manifesta de alguma forma na sua vida atual?

Eu percebo que caminhar em uma igreja que não se preocupa somente com si e com a salvação individual, me faz olhar para o mundo com os olhos da fé, da esperança e do amor. Isso é olhar para as pessoas vendo uma expressão do próprio Cristo, ver Ele nelas. Assim poder seguir os passos de Jesus, que além de profeta foi um preso político, é um grande desafio. Como ser essa presença no mundo? Em tudo que faço, procuro ser a presença de Cristo.

DT: Há alguma importância para a religião nas sociedades contemporâneas?

Acredito que a religião ainda tem uma importância muito grande em nossa sociedade, em suas diversas manifestações. Muitas pessoas se apegam às igrejas como uma forma de salvação, e, em diversos casos, realmente elas ajudam. Apesar de algumas expressões de fé aprisionarem as pessoas, as igrejas ainda conseguem devolver esperança para muita gente. E ninguém está imune ao contato com a religião em nosso país, mesmo que não siga uma crença. Ela entra em nossas casas pela televisão, rádio, nos ônibus quando entram pessoas para pregar, como justificativa de alguns políticos para aprovar projetos conservadores ou em seu benefício, é difícil fugir dessa realidade.

DT: Deus é uma ideia/realidade necessária, ainda hoje?

Dentro da minha fé e da igreja que faço parte, Deus é uma ideia necessária. Porém não é para todo mundo assim, muita gente não acredita e tem uma vida mais profética do que de muitos cristãos. Então é uma ideia que foi e vai ser sempre necessária para manter a fé dos que creem e acreditam em algo que vai além do que vivemos aqui.

EMGE

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