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17/08/2018 | domtotal.com

Pesquisadores analisam experiências contra-hegemônicas em diferentes campos

Debates integraram a programação do II Seminário Nacional Direitos Humanos como Projeto de Sociedade.

Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Lucas Magno Oliveira Porto, Carolyne Reis Barros (UEMG), Lara Marina Ferreira, Maraluce Maria Custódio, Francisco Haas, Kelly Tatiane Martins Quirino (IFB), Vanessa Andrade de Barros (UFMG), João Batista Moreira Pinto e  Marco Aurélio Máximo Prado (UFMG).
Lucas Magno Oliveira Porto, Carolyne Reis Barros (UEMG), Lara Marina Ferreira, Maraluce Maria Custódio, Francisco Haas, Kelly Tatiane Martins Quirino (IFB), Vanessa Andrade de Barros (UFMG), João Batista Moreira Pinto e Marco Aurélio Máximo Prado (UFMG). Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Painel: 'As experiências contra-hegemônicas nos campos dos direitos civis e políticos, dos direitos econômicos, dos direitos sociais, culturais e socioambientais'.
Painel: 'As experiências contra-hegemônicas nos campos dos direitos civis e políticos, dos direitos econômicos, dos direitos sociais, culturais e socioambientais'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Professora Lara Marina Ferreira mo painel Painel: 'As experiências contra-hegemônicas nos campos dos direitos civis e políticos, dos direitos econômicos, dos direitos sociais, culturais e socioambientais'.
Professora Lara Marina Ferreira mo painel Painel: 'As experiências contra-hegemônicas nos campos dos direitos civis e políticos, dos direitos econômicos, dos direitos sociais, culturais e socioambientais'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Marco Aurélio Máximo Prado no painel: 'As experiências contra-hegemônicas nos campos dos direitos civis e políticos, dos direitos econômicos, dos direitos sociais, culturais e socioambientais'.
Marco Aurélio Máximo Prado no painel: 'As experiências contra-hegemônicas nos campos dos direitos civis e políticos, dos direitos econômicos, dos direitos sociais, culturais e socioambientais'. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Alexandre Bernardino Costa (UnB), Maria Teresa dos Santos, Cácia Stumpf, pró-reitora de Administração, Kenarik Boujikian (Desembargadora do TJSP), Vanessa Andrade de Barros (UFMG), João Batista Moreira Pinto, Lucas Magno, Caio Augusto Souza Lara.
Alexandre Bernardino Costa (UnB), Maria Teresa dos Santos, Cácia Stumpf, pró-reitora de Administração, Kenarik Boujikian (Desembargadora do TJSP), Vanessa Andrade de Barros (UFMG), João Batista Moreira Pinto, Lucas Magno, Caio Augusto Souza Lara. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Kenarik Boujikian, Desembargadora do TJSP e cofundadora da Associação Juízes para a Democracia.
Kenarik Boujikian, Desembargadora do TJSP e cofundadora da Associação Juízes para a Democracia. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Kelly Tatiane Martins Quirino (IFB), Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília – UNB.
Kelly Tatiane Martins Quirino (IFB), Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília – UNB. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Kelly Tatiane Martins Quirino (IFB), Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília – UNB.
Kelly Tatiane Martins Quirino (IFB), Doutora em Comunicação pela Universidade de Brasília – UNB. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Carolyne Reis Barros, professora do curso de Psicologia da Universidade do Estado de Minas Gerais.
Carolyne Reis Barros, professora do curso de Psicologia da Universidade do Estado de Minas Gerais. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Carolyne Reis Barros, professora do curso de Psicologia da Universidade do Estado de Minas Gerais.
Carolyne Reis Barros, professora do curso de Psicologia da Universidade do Estado de Minas Gerais. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
lexandre Bernardino Costa (UnB), Maria Teresa dos Santos, Cácia Stumpf, Kenarik Boujikian (Desembargadora do TJSP), Caio Lara, Vanessa Andrade de Barros (UFMG), João Batista Moreira Pinto, Lucas Magno Oliveira Porto e Marco Antônio Oliveira Corradi.
lexandre Bernardino Costa (UnB), Maria Teresa dos Santos, Cácia Stumpf, Kenarik Boujikian (Desembargadora do TJSP), Caio Lara, Vanessa Andrade de Barros (UFMG), João Batista Moreira Pinto, Lucas Magno Oliveira Porto e Marco Antônio Oliveira Corradi. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Painel VI: 'Enfrentamentos das contradições no âmbito do Estado; realidade prisional; direito e Judiciário'
Painel VI: 'Enfrentamentos das contradições no âmbito do Estado; realidade prisional; direito e Judiciário' Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Alexandre Bernardino Costa (UnB), professor do programa de pós-graduação em Direito da Universidade de Brasília
Alexandre Bernardino Costa (UnB), professor do programa de pós-graduação em Direito da Universidade de Brasília Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Caio Augusto Souza Lara, professor do curso de Direito da Dom Helder.
Caio Augusto Souza Lara, professor do curso de Direito da Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Maria Teresa dos Santo, presidente do Grupo de Familiares e Amigos de Pessoas em Privação de Liberdade.
Maria Teresa dos Santo, presidente do Grupo de Familiares e Amigos de Pessoas em Privação de Liberdade. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Kenarik Boujikian, Desembargadora do TJSP e cofundadora da Associação Juízes para a Democracia.
Kenarik Boujikian, Desembargadora do TJSP e cofundadora da Associação Juízes para a Democracia. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder.
Direitos Humanos são debatidos em diferentes pontos de vista durante Seminário Nacional na Dom Helder. Foto (Thiago Ventura/DomTotal)

O movimento de travestis no Brasil, os direitos das pessoas negras e o ‘problema’ migratório foram alguns dos temas discutidos pelos palestrantes do painel As experiências contra-hegemônicas nos campos dos direitos civis e políticos, dos direitos econômicos, dos direitos sociais, culturais e socioambientais, que retomou as atividades do II Seminário Nacional de Direitos Humanos na manhã desta sexta-feira (17).

“Eu fiz a opção de contar um pouco da história do movimento de travestis porque quando falamos de movimento social, de luta política, o travesti não é gente”, afirmou o professor Marco Aurélio Máximo Prado, coordenador do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT da Fafich (NUH). De acordo com dados publicados pela ONG Transgender Europe (TGEu), o Brasil matou ao menos 868 travestis e transexuais entre 2008 e 2016, o que o deixa no topo do ranking de países com mais registros de homicídios de pessoas transgêneras. “Não estamos falando de um grupo qualquer, estamos falando de um grupo que vem sendo exterminado com violência e invisibilidade neste país”, reforçou Marco.

O professor também falou sobre a fundação da Associação de Travestis e Liberados (ASTRAL), em 1992, e os Encontros Nacionais de Travestis e Liberados que Atuam na Prevenção da Aids (ENTLAIDS), promovidos a partir de 1993. Discutiu ainda a participação de transexuais e travestis nas eleições de 2016, no Brasil. “Foram mais de 94 candidaturas eleitorais de pessoas trans em 22 estados brasileiros. (...) De fato, não sei se essas experiências são contra-hegemônicas ou não, mas se não fossem, tão pouco teríamos uma ofensiva antigênero tão reacionária e conservadora neste momento no país, tão violenta e hipócrita, que ameaça qualquer ideia de liberdade e igualdade”, ressaltou Marco.

Resistência negra

Já a professora Kelly Tatiane Martins Quirino, do Instituto Federal de Brasília (IFB), abordou o processo de conquista de direitos empreendido pelo Movimento Negro. Doutora em Comunicação pela UNB, Kelly tem estudado as relações raciais, principalmente no campo do jornalismo, nos últimos 15 anos. “O direito à vida, que é fundamental, foi negado às pessoas negras nesse processo. É importante observar que a hierarquização das raças começa no período de colonização. Em 1492, Colombo chega às Américas, e partir daí vem toda uma perspectiva de olhar o outro como o diferente do europeu”, explicou.

De acordo com a professora, dentro desta perspectiva, há uma normatização, um código de conduta, uma religião e uma orientação sexual, entre outros pontos, que se diferem daqueles trazidos pelas populações indígenas nativas das Américas, e depois pela população negra, importada como forma de mão de obra escravocrata. “Para além da epistemologia eurocêntrica, foi criada uma dominação na qual os saberes, os conhecimentos e as práticas dos povos nativos e africanos não foram considerados. (...) O direito à vida nunca foi dado, em sua totalidade, por conta desse processo de colonização”, apontou Kelly.

Em sua palestra, a professora também avaliou a luta da população negra em três países específicos: Estados Unidos, África do Sul e Brasil. “São países que tiveram uma população negra muito ativa e importante em sua formação cultural, política e econômica. Apesar de todo um sistema que faz com que esse grupo seja alijado de direitos, ainda assim há um protagonismo como forma de garantir direitos fundamentais”, apontou.

Segundo a professora, o Brasil apresentou um protagonismo diferente, principalmente no período da colonização, com a atuação dos quilombos como forma de resistência ao processo de escravidão. “Isso acontece de forma mais forte no Quilombo dos Palmares, que durou mais de 100 anos e manteve uma organização política e social baseada nos saberes africanos”, completou Kelly. A pesquisadora falou ainda sobre a violência como forma de resistência, utilizada para garantir o respeito e a proteção da cultura negra.

‘Problema’ migratório

Outro tema discutido na manhã desta sexta-feira (17) foi o movimento migratório, em palestra ministrada pela professora Carolyne Reis Barros, da Universidade do Estado de Minas Gerais. “Sempre nos referimos à questão da imigração como um problema a ser resolvido. Só que a migração é uma atividade humana, sempre migramos”, ponderou.

Contradições

O painel contou ainda com palestra da professora Lara Marina Ferreira, da Dom Helder. Ao final dos debates, Lara fez uma reflexão sobre as contradições internas trazidas pelo o enquadramento das minorias contra-hegemônicas. Como exemplo, citou o movimento feminista. “Quando as mulheres se apresentam como categoria, essa é uma premissa na luta por uma identidade específica, mas a gente acaba reduzindo, ao mesmo tempo, o que significa ser mulher, como se existisse uma única experiência do gênero feminino. É disso que decorre uma conclusão muito naturalizada e pouco problematizada de que existiria uma bandeira política propriamente feminina”, argumentou.

Segundo ela, o mesmo não acontece quando pensamos na parte hegemônica. “O que significa ser homem? Ninguém consegue articular com tanta facilidade a existência de uma bandeira que seja propriamente masculina. O grupo que ocupa esse espaço hegemônico já traz para si a possibilidade de ser de diversas formas, os homens se enquadram em diversas categorias. As mulheres são reduzidas a uma categoria, os negros são reduzidos a uma categoria. Mas eu acho que é algo inafastável. Nós precisamos nos identificar para então expandir o que significa nossa experiência”, afirmou Lara.

II Seminário

Fechando a manhã desta sexta-feira (17), foi realizado o painel Enfrentamentos das contradições no âmbito do Estado; realidade prisional; direito e Judiciário, com a participação dos palestrantes Kenarik Boujikian, Desembargadora do TJSP, Alexandre Bernardino Costa, professor da UnB, Maria Teresa dos Santos, presidente do Grupo de Familiares e Amigos de Pessoas em Privação de Liberdade, Caio Augusto Souza Lara, professor da Dom Helder, e Vanessa Andrade de Barros, da UFMG.

Veja a programação completa!


Patrícia Azevedo/Redação Dom Total

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