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Brasil Cidades

13/09/2018 | domtotal.com

Pequeno ensaio sobre patrões

Há os arrogantes e prepotentes, que se dirigem aos subordinados - quando o fazem - com palavras sempre pouco delicadas.

Patrões os há dos mais variados matizes, estilos, modos, humores e qualificações.
Patrões os há dos mais variados matizes, estilos, modos, humores e qualificações. (Divulgação)

Por Afonso Barroso*

Patrões os há dos mais variados matizes, estilos, modos, humores e qualificações.

Há os bons patrões, sem dúvida que há. São os que reconhecem o valor dos seus empregados e os recompensam com elogios e até com gratificações.

Há os patrões indiferentes, aqueles que não estão nem aí e tratam os subordinados como se não os conhecessem ou se não existissem.

Há os tolerantes ou indecisos, que lavam as mãos quando não sabem o que fazer diante de algum comportamento inadequado de alguém da equipe. Delegam a um gerente a missão de tomar as providências cabíveis.

Há os arrogantes e prepotentes, que se dirigem aos subordinados - quando o fazem - com palavras sempre pouco delicadas. Esses tratam os chamados colaboradores, mesmo os mais graduados e mais próximos, com meticulosa falta de educação.

E há os presunçosos, que não são nada do que foi dito acima, mas se julgam melhores, mais sábios, mais criativos e mais inteligentes do que todos os que o cercam.

Conto aqui um episódio que aconteceu comigo. Um caso patronal.

Tinha eu dois anos apenas de Diário da Tarde – era, portanto, ainda meio foca (chamam de focas os novatos da Redação de jornal), quando o Fábio Doyle, então editor-geral do que podemos chamar de segundo maior jornal dos mineiros, me escolheu para editar um novo caderno semanal de cultura e amenidades que seria lançado para circular nas segundas-feiras. Com essa nomeação, ele reconhecia e premiava minha facilidade para copidescar, reescrever e titular matérias.

Trabalhei com o diretor de arte Adão Pinho, da agência de publicidade Irmãos Pinho, na elaboração da boneca – era como se chamava o estudo gráfico de uma publicação. Criei para o caderno um nome que me pareceu muito bom – e era mesmo: DT ELE & ELA. O Adão bateu até palmas.

Quando apresentamos o trabalho à direção dos dois jornais Associados (Diário da Tarde e Estado de Minas), o então presidente do Condomínio, Paulo Cabral, sugeriu trocar o nome para DT HOMEM & MULHER. Era a mesma coisa em versão piorada, mas aquilo soou como uma ordem, e prevaleceu a voz do dono. Fazer o quê? O caderno ganhou o título dado por ele, o dono, o grande patrão.

Pouco tempo depois do lançamento daquele novo caderno, aparecia nas bancas uma revista que a Editora Bloch havia lançado para concorrer com a Playboy, da Abril, e que faria muito sucesso. Chamava-se... ELE & ELA.

E assim, o nome que eu criara para o caderno do DT ficou sendo o título da nova revista dos Bloch.

Como se vê, o doutor Paulo Cabral, cearense brilhante, grande jornalista, notável intelectual e orador insuperável, perdeu a oportunidade de abdicar do poder por um instante e não meter a colher de pau na boa ideia de um foca. 

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

EMGE

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