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Religião

14/09/2018 | domtotal.com

Francisco, em meio aos ataques, nosso legítimo apoio

O apego à instituição tem sido uma tendência bastante marcante de nossos tempos, numa virada reacionária, quando vivemos, justamente, a suspeição das instituições.

Aquele, entre muitos, que está disposto a flexibilizar certas estruturas enrijecidas é o primeiro responsável pelo cuidado da instituição, com suas estruturas.
Aquele, entre muitos, que está disposto a flexibilizar certas estruturas enrijecidas é o primeiro responsável pelo cuidado da instituição, com suas estruturas. (CNS/Reuters)

Por Teófilo da Silva*

A sabedoria popular diz que ninguém joga pedra em árvore que não dá frutos. Aplicada à vida, de fato, aquelas pessoas que se destacam no que fazem, são alvos da desaprovação e perseguição, pelos mais variados motivos. Quando essas pessoas se tornam personalidades na luta contra o status quo, então, a reação geralmente é bastante agressiva, em muitos níveis. Muitos são os exemplos de lideranças que estiveram nesse lugar e que sofreram as mais variadas formas de perseguição, por colocarem sua vida na tentativa de transformar a realidade injusta.

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O Papa Francisco é um desses líderes, mas um líder bastante incomum. Incomum por ser uma personalidade que busca a transformação de estruturas, não apenas na Igreja da qual é líder, mas no mundo. Ao mesmo tempo, ele está no centro do poder: é a autoridade máxima da instituição da qual faz parte e, ainda, chefe de Estado. Há um entrave: aquele, entre muitos, que está disposto a flexibilizar certas estruturas enrijecidas é o primeiro responsável pelo cuidado da instituição, com suas estruturas. Muitos poderiam pensar que isso torna as coisas mais fáceis, já que ele detém o poder. Não. Aí está a importância de que deva agir com sabedoria, para que não coloque em risco aquilo que não deve ser perdido, nem para que meta os pés pelas mãos. Além disso, todas as grandes transformações na vida da Igreja se deram a partir das bases: aqui reside nosso papel, de verdadeiro apoio a Francisco.

Muito já se escreveu e aludiu, em referência à postura de Francisco, desde sua eleição como Bispo de Roma. Todas elas são bastante simbólicas e mostram uma Igreja em vias de transformação, ainda que lenta. Tanto por suas posturas simbólicas, quanto pelo papel desempenhado na transformação estrutural da instituição, o Papa latino-americano tem sido vítima de ataques, por irmãos seus, dentro da própria instituição. Triste, mas um bom sinal: há frutos nessa árvore, por isso as pedras. Há, também, muito apoio interno e externo, à postura de Francisco que, convenhamos, tem sido o único líder mundial nesses novos tempos.

Para os que são aliados às perspectivas de mudança, empenhadas por Francisco, tais ataques por membros da própria instituição parecem aterradores. De fato, não são em nada felizes. Mas, se bem analisarmos, são bem compreensíveis, ainda que inaceitáveis. Os defensores do status quo defendem a segurança e, nesse sentido, toda perspectiva de mudança soa como ameaça. Foi assim, por exemplo, com Jesus: a proposta da nova imagem de Deus trazida por ele, colocava em questão elementos importantes da instituição religiosa da qual fazia parte. E, nas palavras de Caifás, Sumo Sacerdote no ano em que Jesus foi assassinado, é melhor que um homem morra, que todo o povo (cf. Jo 11,50). A morte de Jesus, mesmo que sendo inocente, significou para as autoridades religiosas da época, a defesa da religião. O mesmo se pode dizer do ponto de vista político.

Tal reação, tanto as dos opositores de Francisco quanto daqueles que se opuseram a Jesus, mostra-se como falta de percepção e, muitas vezes, crença cega na própria força da instituição. Jesus estava firmemente envolvido com a causa do Reino, Boa-Notícia que veio anunciar; Francisco chama a atenção, justamente, para esse Evangelho. O apego à instituição tem sido uma tendência bastante marcante de nossos tempos, numa virada reacionária, quando vivemos, justamente, a suspeição das instituições. Aliar-nos às causas em que acreditamos se faz cada vez mais importante, para que não deixemos isoladas nossas lideranças que assumem o importante papel de chamar a atenção para as mudanças necessárias. Se há aqueles que jogam pedras, nas árvores frutíferas, por medo das transformações e apego às falsas seguranças que as estruturas trazem, devemos, nós, que acreditamos nos mesmos propósitos de mudança, empenharmo-nos no cuidado para com a árvore. Eis nossa tarefa!

*Teófilo da Silva é teólogo e poeta.

EMGE

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