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18/09/2018 | domtotal.com

Não existe essa coisa de dinheiro público

Margareth Thatcher obviamente não era perfeita e teve nas suas maiores qualidades as sementes e armadilhas que fomentaram suas maiores limitações.

Margareth Thatcher era uma política britânica
Margareth Thatcher era uma política britânica (Reprodução)

Por Jose Antonio de Sousa Neto*

Há quarenta anos Margareth Thatcher fazia um discurso histórico e de uma clareza cristalina e que, no meu ponto de vista, abriu a porta para um período de extraordinária prosperidade para o Reino Unido e que persiste até hoje, apesar das dificuldades e incertezas que agora se apresentam em função do Brexit. Convido o leitor para assistir o breve vídeo do link que se segue:


São conceitos básicos sobre a ordem econômica e sobre a liberdade e responsabilidade das pessoas. É com muita tristeza que quarenta anos depois vejo no debate político brasileiro uma mentalidade que nos remete não há quarenta anos, mas há mais de 100 anos atrás, da segunda metade do século dezenove ao início do século vinte. E o que mais me assusta é a convicção de que não é possível que a maioria dos políticos com um mínimo de formação não compreendam estes princípios básicos e que, se isso for realmente verdade, profundamente obscuras são suas verdadeiras intenções.

Margareth Thatcher obviamente não era perfeita e, como provavelmente a maioria de nós, teve nas suas maiores qualidades também as sementes e armadilhas que fomentaram suas maiores limitações. As pessoas com frequência e infelizmente perdem o ponto ótimo de suas qualidades. Mas com uma inteligência refinada e uma forte presença de espírito ela enfrentava seus adversários políticos com maestria. Convido o leitor que tiver interesse e um pouquinho de tempo para acessar mais dois links que agora levam a dois vídeos bem breves. O primeiro mostrando um debate no parlamento britânico sobre elementos de geração e distribuição de riquezas:


O segundo, em uma entrevista ao repórter brasileiro Silio Boccanera ela apresenta seu ponto de vista sobre o papel do estado:


Não sou de direita nem de esquerda. Aliás, como já comentei em textos anteriores, se a evolução humana fosse minimamente equilibrada não precisaríamos de partidos de direita e de esquerda. Mas em função do momento pelo qual passa o país e da herança trágica que nos foi deixada por uma longa sequência de governos nefastos, fico pensando que o Brasil precisaria de uma Margareth Thatcher, e por um tempo bem razoável, para concertar minimamente o estrago monumental que foi feito e que muitos, de maneira "cega" (esta é uma palavra generosa), seguem convidando a todos rumo à sua continuidade e ao colapso.

Grandes líderes são adequados para circunstâncias específicas e não para todas as circunstâncias. Winston Churchill conduziu com maestria o Reino Unido durante a segunda guerra mundial. Após a Batalha da Grã-Bretanha ele cunhou o célebre agradecimento aos pilotos da RAF (Força Aérea Britânica) dizendo que "nunca tantos deveram tanto a tão poucos". Em desalento, ao olhar para algumas autoridades do Brasil, especialmente algumas em cargos chave para garantir a consolidação das duras tentativas de combater a impunidade, e ver o que realmente estão fazendo, não consigo parar de pensar que, neste país, nunca tão poucos fizeram e continuam fazendo tanto mal a tantos! Com certeza não estamos precisando de um salvador da pátria, mas certamente estamos precisando, e muito, de alguém que seja o líder certo e na circunstância certa para estes tempos tão incertos aos quais fomos conduzidos com tanto fervor e por tantos anos.

* Professor da EMGE- Escola de Engenharia de Minas Gerais

EMGE

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