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Religião

21/09/2018 | domtotal.com

A sexualidade como vivência ética: dom, liberdade e gesto

O olhar a respeito da sexualidade, a partir do viés religioso, precisa ir muito além do regramento moral.

Tornamo-nos humanos na medida em que estabelecemos relações capazes de desejo, de afeto, de amor, de mútuo reconhecimento na igualdade-diferença.
Tornamo-nos humanos na medida em que estabelecemos relações capazes de desejo, de afeto, de amor, de mútuo reconhecimento na igualdade-diferença. (Reprodução/ Pixabay)

Por Felipe Magalhães Francisco*

O maior número de regramentos, propostos pelas religiões aos seus fiéis, está ligado às duas fontes de prazer do ser humano: à alimentação e à dimensão erótico-sexual. De fato, são duas dimensões da vida humana que, facilmente, podem ceder ao descomedimento e, com isso, ao adoecimento, em muitos sentidos. Tais regramentos religiosos apontam para o fato de que, tanto a alimentação quanto a vivência da sexualidade, incluso a questão erótica, envolvem relações éticas. Damos sentido para o comer, que é mais que o saciar da fome, bem como atribuímos muitos sentidos às relações eróticas, que são fontes de humanização.

O olhar a respeito da sexualidade, a partir do viés religioso, precisa ir muito além do regramento moral. Ele precisa lançar luzes sobre a importância da sexualidade – em seu sentido amplo – como condição de possibilidade para a realização humana. Tornamo-nos humanos na medida em que estabelecemos relações capazes de desejo, de afeto, de amor, de mútuo reconhecimento na igualdade-diferença. O gesto erótico supera o mero toque: corpos que se encontram narram uma história, marcada de promessas e esperas. Por isso é que a decisão de dar-se, no corpo, para alcançar o corpo do outro, precisa ser uma atitude ética: tal contato pode tanto contribuir para a humanização quanto para a apropriação e objetificação do outro, desumanizando-o e a nós mesmos.

As religiões têm uma força importante, na mobilização das pessoas, rumo ao encontro com o sentido da vida. E a vivência da sexualidade, necessariamente, passa por esse sentido. Por isso, mais que focar em questões legalistas, apropriando-se da sexualidade e do erótico como forma de controle, as religiões têm um papel conscientizador para a dimensão ética das relações, pois é por meio delas que nos tornamos verdadeiramente humanos. Dedicamo-nos, nesta matéria especial, à reflexão a respeito da sexualidade, a partir de três importantes categorias:

Dom. No primeiro artigo, A faísca divina de eros: a sexualidade como dom, César Thiago Alves reflete nosso tema teologicamente. Abordando a sexualidade em sua amplitude, o autor contribui para a superação de uma visão demonizante do erótico, relacionando-o à importante concepção de ágape.

Liberdade. Tânia Mayer propõe o segundo artigo: Erótico da salvação, no qual lê o erótico, na perspectiva do encontro daquilo que somos em nossa totalidade de ser. Mesmo que haja, nalgumas situações, a tentação de se apropriar do corpo do outro, há algo que sempre nos escapa. As relações responsáveis são relações radicadas na liberdade, na qual o respeito pelo corpo-ser do outro faz com que toda tentação de apropriação não prevaleça. É na liberdade que o desejo se torna desejo de vida e, logo, o erótico entra no jogo da salvação.

Gesto. Situando nossa reflexão na perspectiva do fenômeno, Rodrigo Ladeira propõe o texto: Aquele abraço!, no qual reflete a importância do gesto como sempre sendo significante. O autor aborda o gesto do abraço, convidando-nos a lançar o olhar a respeito dele, poeticamente, na dinâmica da autocomunicação.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

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