;
ESDHC

20/09/2018 | domtotal.com

Ambição por recursos naturais da Amazônia é desafio na proteção de povos isolados


O painel a 'Floresta Amazônica e Seus Povos' contou com palestrantes de três países
O painel a 'Floresta Amazônica e Seus Povos' contou com palestrantes de três países Foto (Gilmar Pereira / DomTotal)
Professores da Dom Helder e palestrantes do segundo dia de Congresso
Professores da Dom Helder e palestrantes do segundo dia de Congresso Foto (Gilmar Pereira / DomTotal)
Corpo docente e conferencistas da noite no segundo dia de Congresso na Dom Helder
Corpo docente e conferencistas da noite no segundo dia de Congresso na Dom Helder Foto (Gilmar Pereira / DomTotal)
A secretária acadêmica da Dom Helder Djoá Braulina na exposição sobre povos originários no saguão da Dom Helder.
A secretária acadêmica da Dom Helder Djoá Braulina na exposição sobre povos originários no saguão da Dom Helder. Foto (Gilmar Pereira / DomTotal)
Mesa de debates do Congresso
Mesa de debates do Congresso Foto (Gilmar Pereira / DomTotal)
Cônsul Honorário da República de Malta Ricardo Schembri (Colômbia)
Cônsul Honorário da República de Malta Ricardo Schembri (Colômbia) Foto (Gilmar Pereira / DomTotal)
Boris Wilson Arias López, da Bolívia, foi um dos palestrantes da noite
Boris Wilson Arias López, da Bolívia, foi um dos palestrantes da noite Foto (Gilmar Pereira / DomTotal)
Prof. Romeu Faria Thomé da Silva, da Dom Helder, foi um dos coordenadores da mesa.
Prof. Romeu Faria Thomé da Silva, da Dom Helder, foi um dos coordenadores da mesa. Foto (Gilmar Pereira / DomTotal)
O palestrante do Equador René Bedón
O palestrante do Equador René Bedón Foto (Gilmar Pereira / DomTotal)
Professor da Dom Helder André de Paiva Toledo, um dos coordenadores da mesa.
Professor da Dom Helder André de Paiva Toledo, um dos coordenadores da mesa. Foto (Gilmar Pereira / DomTotal)
Professor José Adércio Leite Sampaio e a pró-reitora de pesquisa Beatriz Souza Costa
Professor José Adércio Leite Sampaio e a pró-reitora de pesquisa Beatriz Souza Costa Foto (Gilmar Pereira / DomTotal)
Auditório participou ativamento no segundo dia de Congresso levantando questões ao fim do painel.
Auditório participou ativamento no segundo dia de Congresso levantando questões ao fim do painel. Foto (Gilmar Pereira / DomTotal)
O painel da noite do segundo dia do Congresso teve como tema 'Floresta Amazônica e Seus Povos'.
O painel da noite do segundo dia do Congresso teve como tema 'Floresta Amazônica e Seus Povos'. Foto (Gilmar Pereira / DomTotal)

Por Rômulo Ávila
Repórter Dom Total

O ‘índio do buraco’ é o único sobrevivente de uma tribo isolada que vive na Terra Indígena Tanaru, em Rondônia. Os outros índios de tribo foram vítimas de madeireiros, grileiros e fazendeiros que começaram a invadir as terrar na década de 1980. O índio do buraco escapou e vive sozinho há 22 anos. A Proteção dos Povos Isolados da Amazônia foi um dos assuntos debatidos na noite desta quinta-feira (20), no encerramento do segundo dia do Congresso Internacional de Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável: “Pan-Amazônia – Integrar e Proteger”, realizado pela Dom Helder Escola de Direito.

O painel a "Floresta Amazônica e Seus Povos" contou com o mestre Boris Wilson Arias López (Bolívia), o doutor René Bedón (Equador) e cônsul Honorário da República de Malta na Colômbia Ricardo Schembri. Os professores André de Paiva Toledo e Romeu Faria Thomé da Silva coordenaram os trabalhos.

Boris Wilson Arias López, da BolíviaBoris Wilson Arias López, da BolíviaPara Wilson Arias, muitos problemas na Amazônia são comuns em todos países e têm origem na ambição pelos recursos naturais presentes na floresta “Há um problema entre desenvolvimento que envolve governantes, direitos dos animas e a natureza. E na vida um dos direitos prevalecem sobre outros”, disse. “Nos todos estamos imersos dentro de uma cultura que despreza os direitos da natureza e dos animais”, completou.

A ambição e o desprezo citados por Arias podem ter relação com o desparecimento de tribos. Recentemente, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) denunciou na ONU uma ‘profunda extinção’ dos povos indígenas no último século, passando de 4% da população brasileira para apenas 0,4%.

No mesmo sentido, imagens de satélite coletadas atualmente pelo Instituto Socioambiental (ISA) mostram que madeireiros ilegais e grileiros desmataram, neste ano, uma área de 1.863 hectares na terra indígena de Ituna Itata, no Norte do Pará.

'Direitos blindados'

Cônsul Honorário da República de Malta Ricardo Schembri (Colômbia)Cônsul Honorário da República de Malta Ricardo Schembri (Colômbia)Diferentemente da realidade brasileira, Ricardo Schembri explica que na Colômbia a população indígena é ‘blindada’ e bastante forte. A Constituição de 91 deu instrumentos de proteção e criou entidades territoriais de autogoverno indígena.  “As reservas têm suas autoridades indígenas próprias. Quer dizer, não jurisdição civil. Os indígenas têm sua organização política e penal próprias”, explica.

Existe, contudo, o problema da disputa por território pelo narcotráfico, que já provocou a matança de muitos indígenas.

Schembri explicou também que tratados internacionais permitem que os índios de tribos plurinacionais possam transitar livremente. “Para nós há fronteiras, para eles não”, disse Schembri, que propôs a criação de fundo com recursos dos países para que a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) possa desenvolver políticas públicas não somente para os indígenas, mas para a questão ambiental. Criar políticas implica em financiar políticas públicas, senão é um discurso vazio”, ressaltou.

Congresso  

O objetivo do Congresso é fomentar o debate em busca das melhores práticas de integração e proteção da fauna e flora amazônica e também de seus povos. Para tanto, o Congresso buscará a experiência de pesquisadores brasileiros e internacionais formando um fórum científico de discussão sobre os problemas que se repetem nos territórios Pan-Amazônicos que, além do Brasil, ocupam trechos da Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru e Venezuela. Confira aqui a programação!

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas