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02/10/2018 | domtotal.com

Infraestrutura e a retomada do crescimento

Nos últimos 20 anos, o Brasil investiu, em média, pouco mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura.

Ao longo dos últimos anos o Brasil andou para trás, tanto de maneira absoluta como de maneira relativa.
Ao longo dos últimos anos o Brasil andou para trás, tanto de maneira absoluta como de maneira relativa. (Reprodução)

Por Jose Antonio de Sousa Neto*

O impacto dos investimentos em infraestrutura como um dos mais importantes vetores do crescimento econômico é uma prioridade para o Brasil. Infelizmente podemos constatar que ao longo dos últimos anos o investimento na área está muito aquém do que deveria ser. Ainda mais desalentador é a constatação de que muito além do que deveria, esta situação poderia ser outra muito diferente não fosse a trágica combinação de políticas econômicas profundamente incompetentes, principalmente após o ano 2006, com um nível de corrupção e aparelhamento das instituições em uma escala jamais vista na história brasileira. Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, nos últimos 20 anos, o Brasil investiu, em média, pouco mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura. De 2001 a 2014, a média de investimentos foi de R$ 967 bilhões, o equivalente a 2,18% do PIB. Segundo estimativas da CNI, este número deveria ter sido de, pelo menos, de 3%. Para se aproximar dos demais países emergentes, porém, o investimento deveria ter um incremento significativo e alcançar um percentual entre 4% e 5%. Ao longo dos últimos anos o Brasil andou para trás, tanto de maneira absoluta como de maneira relativa apesar do mantra político repetir o contrário enfatizando façanhas inexistentes e divulgando números e dados totalmente distorcidos.

No gráfico que se segue é possível se constatar que o potencial para investimentos no país é muito significativo. E não podemos perder de vida o impacto social deste esforço.

O caminho técnico e institucional para esta empreitada também já é conhecido como resumido na figura abaixo:

Mas para que este caminho possa ser percorrido é absolutamente essencial que o país tenha instituições maduras como a dos países desenvolvidos e que gerem estabilidade e credibilidade para todo o  contexto econômico e social.

Para a atração do investimento, além de uma liderança profissional e saudável do setor público, é absolutamente essencial a participação do capital e da iniciativa do setor privado que vai avaliar caso a caso o valor dos projetos e o grau de atratividade de cada um deles.

Para o setor privado a decisão de investimento é embasada em critérios técnicos que são materializados através dos chamados KPIs - Key Performance Indexes (Índices Chave de Desempenho) que podem, de forma bem genérica, ser divididos em três grandes categorias:

  1. KPIs para definição de Viabilidade de Projetos
  • VPL
  • TIR
  • Pay Back
  • Múltiplo de EBTIDA
  • Taxa Débito / Capital Próprio [Debt  / Equity Ratio]
  • Custo de Capital para o negócio
  • Percentual de participação no negócio.
  1. KPIs para Gestão de  Projetos ( investimentos )
  • Conformidade com Escopo e Qualidade contratados
  • Cronograma contratual
  1. Evitar multas previstas em contrato (ótica do Concedente)
  2. Conformidade com prazo para retorno do investimento ou mesmo antecipação do mesmo
  • Performance Econômico-Financeira na gestão do investimento, em conformidade com o contratado (com os clientes externos e com os acionistas: compromissos assumidos).
  1. KPIs para Gestão das Operações
  • Atingimento dos níveis de performance definidos contratualmente para o negócio

- Objetivo: Evitar reduções de contra-partida pelo Concedente / Parceiro

  •    Resultado Econômico
  •    Resultado Financeiro
  •    Variação do Patrimônio Líquido
  •    Lucratividade sobre Receitas

Veja caro leitor que isso exige uma competência e uma grande responsabilidade do setor público no sentido de criar e manter um sistema jurídico / institucional profissional e um modelo de desenvolvimento econômico  efetivo. O potencial que temos é extraordinário, mas é preciso pelo menos constatar e admitir o básico do básico: com as iniciativas populistas, com o ataque às instituições e com os modelos econômicos chamados de "desenvolvimentistas" que  foram impostos nos últimos anos andamos na direção oposta ao desenvolvimento. Andamos para trás varias décadas.

* Professor da EMGE (Escola de Engenharia de Minas Gerais)

EMGE

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