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09/10/2018 | domtotal.com

O futuro de meus alunos e alunas

Uma academia desconectada do mundo real não é uma academia, mas apenas uma burocracia que se torna um fim em si mesma.

O maior legado, portanto, que podemos deixar para nossos alunos é a capacidade de aprender a aprender ao longo de toda a vida!
O maior legado, portanto, que podemos deixar para nossos alunos é a capacidade de aprender a aprender ao longo de toda a vida! (Reprodução)

Por Jose Antonio de Sousa Neto*

Volto aqui a um assunto que já abordei antes e confesso ao leitor que o faço por ser um  tema que considero como absoluta prioridade. Não faz muito tempo tive acesso a um levantamento feito no mercado de trabalho dos EUA indicando que 48% dos novos profissionais daquele país já atuam de forma autônoma.

Estamos falando aqui do "Eu S.A." Uma tendência a meu ver irreversível e com um alcance amplo e de caráter global. Como já comentamos em artigos anteriores, o futuro, que na verdade já pode ser claramente constatado no presente, materializa um contexto onde cada jovem profissional estará mudando de país, de função, de projeto, de emprego ou mesmo de "carreira" (volto a este último ponto um pouco mais à frente) pelo menos uma vez a cada dois anos ou talvez até um pouco menos. Para as gerações mais antigas isto pode parecer um percurso de vida inviável ou quase impossível de administrar. Não posso dizer que vai ser fácil, mas posso dizer que para aqueles que tiverem sorte as oportunidades e a riqueza do percurso serão imensas. E para mim, neste contexto, a sorte é quando a oportunidade encontra o preparo.

Tenho alertado aos meus alunos e alunas com um exemplo metafórico bem próximo da realidade. Mesmo que eles venham a ser contratados com carteira assinada por uma grande empresa que tenha hoje uma grande reputação no mercado, é importante não ter ilusões e ver as coisas como elas são. As empresa e /ou organizações contratantes estão cada vez mais, e isto é uma questão de sobrevivência também para elas, em busca de colaboradores "Eu S.A." Neste sentido estas empresas vêm seus contratados como fornecedores e os contratados devem ver seus contratantes como clientes. E não há nenhuma conotação pejorativa aqui. Muito pelo contrário há aqui uma conotação positiva e rica. O contratante tem a obrigação de contratar as melhores "Eu S.A" e os fornecedores tem de ter sempre a capacidade de cativar e surpreender os seus clientes. Estamos falando, sob a perspectiva da "Eu S.A", e aqui não há nenhuma surpresa, de empreendedorismo e inovação! Estamos falando de um mundo que apresenta a todos os futuros jovens profissionais e a todos os outros um desafio de auto superação e melhoramento permanente.

O maior legado, portanto, que podemos deixar para nossos alunos é a capacidade de aprender a aprender ao longo de toda a vida! Não que esta necessidade já não existisse desde sempre, mas é o próprio avanço da sociedade humana e das complexidades que passam a ser percebidas, materializadas e trabalhadas em um ritmo cada vez mais acelerado, que exige que esta capacidade de aprender a aprender se destaque no âmago da superação do humano. São desafios imensamente preciosos posto que testam o espírito não para sufocá-lo, mas como oportunidades para ajudá-lo a alcançar novos patamares. Aqui volto e justifico o porquê do meu incomodo com o termo gestão de "carreira". Entendo como mais adequado ver este desafio sob a perspectiva da gestão do desenvolvimento humano e profissional.

Evidentemente que aquilo que o mercado chama de "Hard Tools", "Hard Competencies" e Hard Habilities" (Ferramentas, competências e habilidades técnicas) são essenciais. E são desafiadoras, pois o ritmo de desenvolvimento científico e tecnológico é cada vez mais acelerado. Portanto estas ferramentas, competências e habilidades técnicas exigem uma permanente renovação e reciclagem. E é exatamente por isso que cada vez mais importantes e valorizadas pelo mercado são as "Soft Tools", "Soft Competencies" e Soft Habilities" (Ferramentas, competências e habilidades humanas). Elas são os elementos transversais para a travessia da vida profissional e de seus desafios.

Infelizmente no Brasil são poucas as instituições de ensino que têm este entendimento. Ainda mais grave é a própria estrutura e característica das instituições reguladoras do ensino no país, engessadas e ideologizadas, que não só não ajudam, como atrapalham e causam graves danos  e impedimentos à sociedade que precisa tanto delas. Uma academia desconectada do mundo real não é uma academia, mas apenas uma burocracia que se torna um fim em si mesma e com objetivos e ambições próprias e em detrimento da sociedade. No mundo inteiro o ensino está sendo atropelado pela realidade e necessidades reais dos alunos e futuros profissionais. Os países que estão deixando os outros para trás são aqueles que responsavelmente e humildemente entendem que a melhor maneira de reduzir as desigualdades e promover inserção social é, para todas as áreas da ciência, a conexão com o mundo real e o mercado.

*Professor da EMGE (Escola de Engenharia de Minas Gerais).

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