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Brasil Eleições 2018

11/10/2018 | domtotal.com

Democracia esgarçada ou ditadura escancarada?

Temos que tentar convencer aqueles que votaram branco, nulo ou se abstiveram e não nos concentrarmos naqueles que estão com seus preconceitos absolutamente cristalizados.

Enquanto nossa mídia silencia o resto do mundo denuncia o perigo que corremos.
Enquanto nossa mídia silencia o resto do mundo denuncia o perigo que corremos. (Reprodução)

Por Ricardo Soares*

Vocês me perdoem se eu pareço redundante ou fixado num monotema. Mas enquanto a democracia me facultar o direito à palavra e eu tiver espaço para escrever num portal dessa relevância levantarei minha voz dentro de minha modesta trincheira diante do perigo a que estamos submetidos.

Na crônica de segunda- feira falava com estupefação do silêncio quase conivente de nossa grande mídia diante da ameaça fascista que nos assombra. O texto alcançou repercussão, foi compartilhado e fico grato. Mas não basta. É preciso fazer mais diante da ameaça. Temos que tentar convencer aqueles que votaram branco, nulo ou se abstiveram e não nos concentrarmos naqueles que estão com seus preconceitos absolutamente cristalizados.

Enquanto nossa mídia silencia o resto do mundo denuncia o perigo que corremos. Compartilhei também um vídeo recente de um especial feito pela Tv5 francesa que alerta o mundo sobre o perigo do nazista que está no segundo turno de nossas eleições. Não é uma longa reportagem imparcial para sorte nossa. Ela toma partido porque adota a premissa de que fascismo não se discute, se combate. Na mesma linha ontem um editorial do jornal espanhol "El País" (edição brasileira) fez o que nenhum outro editorial de jornal brasileiro se atreveu. Sob o título de "A hora do Brasil" advertiu  que "no segundo turno, não se trata de escolher entre opções políticas e sim entre democracia ou não". Enquanto isso nossos jornalistas estilo "GloboNews" seguem saudando hipocritamente uma democracia que ajudaram a detonar. Uma incauta outro dia chegou inclusive a tecer loas a Romero Jucá  lamentando sua ausência agora no Senado porque é "uma grande liderança". A desfaçatez que começou com Aécio Neves não tem limites mesmo.

Nossa mídia poderia ao menos contribuir nesse momento para esclarecer que Haddad e o nazista não são dois extremos comparáveis. Além de inverdade isso é de uma má fé absurda . Com todos os seus erros, polêmicas,  escândalos e processos  o PT jogou as regras do tal " "jogo democrático" que foi melado por Aécio e seu coro de descontentes, o prólogo do golpe de 2016 que levou o país a essa encruzilhada.Queiram ou não os inimigos o PT ganhou quatro eleições presidenciais de forma  limpa e as conquistas sociais são inegáveis aqui e lá fora. Respeitaram a constituição até quando apearam Dilma do poder enquanto o vice do nazista  fala com tranqüilidade  em reformar a Constituição mediante um conselho de notáveis  e justifica a possibilidade de um golpe de Estado se as circunstâncias permitirem. Um general de opereta louco pra voltar a ter poder ao lado do candidato, capitão abilolado, que apregoa dar um papel decisivo ao Exército e liberdade  à polícia para matar. Assim, repito, não consigo entender como a midia não trata isso com indignação devida  parecendo não estar ouvindo  declarações inaceitáveis que já se refletem nos eleitores do nazista que já andam surrando Brasil afora quem não concorda com eles.Imaginem essa escória empoderada.

O "El País Brasil" lembrou ontem que o  nosso país  não é a primeira democracia que vive essa situação. A França já passou por isso em 2002 quando Jean Marie Le Pen chegou ao segundo turno. Lá no entanto os franceses, melhor escolarizados , perceberam que a democracia corria riscos e  votaram em Jacques Chirac. Chegou a nossa vez em optar entre uma democracia esgarçada que devemos ajudar a reconstruir ou uma ditadura escancarada.

*Ricardo Soares é diretor de tv, roteirista, escritor e jornalista. Publicou 8 livros, dirigiu 12 documentários.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

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