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12/10/2018 | domtotal.com

O incrível pacto de Vicenza

Elaborado em espírito coletivo, o pacto envolveu combinados interessantes e outros até divertidos.

As aulas tornaram-se mais produtivas, os boletins brilharam.
As aulas tornaram-se mais produtivas, os boletins brilharam. (Reprodução)

Por Fernando Fabbrini*

Imaginem uma turma de típicos adolescentes dos dias de hoje, cabeludos, cheios de tatuagens e piercings assinando, com cuidado, uma folha de papel com os seguintes dizeres:

“Juro solenemente que me empenharei a manter um clima favorável ao aprendizado na minha escola, compartilhando as emoções, a solidariedade e a ajuda recíproca; que aceitarei a diversidade de meus colegas, tratando-os sempre com gentileza. Prometo contribuir para que nossas aulas sejam úteis e sem confusões.” Outros itens relativos à boa educação, ao respeito, aos bons propósitos e ao esforço se estendiam ao longo da folha. Tudo escrito em linguagem informal, ao alcance de todos e até com algumas gírias da turma.

Não é um sonho: o pacto foi firmado este semestre pelos alunos, seus pais e professores do Liceu Fogazzaro, da cidade de Vicenza, localizada na região do Vêneto, norte da Itália. A ideia nasceu do professor Simeone Ariot, entregue aos alunos no primeiro dia de aula. A proposta do pacto foi levada antes aos pais, com tempo bastante para discutirem e decidirem se a família inteira toparia aceitá-la. Os demais professores assinaram também o trato, onde estava escrito: “o professor não é um inimigo, mas um cara do mesmo time”.

Elaborado em espírito coletivo, o pacto envolveu combinados interessantes e outros até divertidos. Os primeiros dizem respeito à rejeição ao “bullying”; à aceitação de cada colega do jeito que ele for; ao exercício da camaradagem. Os itens mais engraçados continham até algumas dicas sobre o vestuário no ambiente da escola. “Posso me vestir como bem quiser – diz o “contrato” – estilo fashion, informal ou até punk, mas sem me esquecer que a escola é um local de aprendizado – e não uma academia, uma festa ou uma rave”.

Acreditem: o tal pacto de Vicenza virou um sucesso e vem sendo copiado em diversas escolas da região. As aulas tornaram-se mais produtivas, os boletins brilharam; diversos alunos do liceu Fogazzaro venceram torneios de Matemática e Ciências. Mais que isso: um clima de camaradagem, cooperação e harmonia prevalece agora entre alunos e professores. Sem falar no orgulho claramente estampado nas jovens faces de 16 a 18 anos, sentindo-se agradavelmente vencedores de alguma forma.

O responsável pela ideia está exultante. Diz o professor Ariot: “O objetivo é tratar como adultos essa moçada, mostrar a importância de suas posturas diante da vida e para com as pessoas que os rodeiam. E, sobretudo, dar-lhes uma parte da responsabilidade.” 

*Fernando Fabbrini é roteirista, cronista e escritor, com quatro livros publicados. Participa de coletâneas literárias no Brasil e na Itália e publica suas crônicas também às quintas-feiras no jornal O TEMPO.

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