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12/10/2018 | domtotal.com

Grãos de Esperança

É fundamental a ação propagadora da inteligência, da sensibilidade, do conhecimento.

Choque geral com o que emerge do poço de ofensas de toda ordem
Choque geral com o que emerge do poço de ofensas de toda ordem (Reprodução)

Por Eleonora Santa Rosa*

Semana dura, de muita apreensão quanto ao que será definido e a extensão dos resultados dessa decisão, cujos danos podem ser irreparáveis em camadas e níveis de profundidade inimagináveis.

Não se trata de exagero, superdimensionamento, catastrofismo ou coisa que o valha, mas de análise equilibrada de fatos, episódios e desdobramentos ocorridos nos últimos dias, prenúncio de tempos de brutalidade impressionante, não desmentida e já comprovada por farto manancial de fotos, relatos e cenas aterrorizantes que se espalham como rastilho de pólvora.

Em meio ao cenário adverso, de refluxo de direitos e liberdades de expressão e emoção, é fundamental a ação propagadora da inteligência, da sensibilidade, do conhecimento, muito especialmente através de realização de fóruns de debates e reflexão, com depoimentos de profissionais que honram o seu ofício e a sociedade, compromissados com os valores humanos, com o patrimônio cultural, com os bens que pertencem a todos, inclusive aos alienados que deles não se apercebem.

Choque geral com o que emerge do poço de ofensas de toda ordem, repletas de desdém, preconceito, desrespeito, desmazelo, menosprezo e incivilidade.

Rompendo o baixo astral desses tristes dias, as comoventes e ‘salvadoras’ narrativas acontecidas em encontro promovido recentemente pelo Museu de Arte do Rio – MAR, reunindo três batalhadores da causa cultural, com especial destaque para as falas de dois deles – Mário Chagas (grande humanista, profissional de primeira Iphan/Ibram) e Renata Menezes (professora da UFRJ e pesquisadora do Museu Nacional).

Tocantes exemplos de trajetórias de resistência, de dedicação, de insubmissão a situações de desesperança, desilusão e destruição. Com olhos embargados, a plateia, em silêncio concentrado, ouviu os detalhes do incêndio que consumiu tesouros da humanidade e do impacto causado na vida dos dedicados estudiosos e cientistas. Impressionante também a descrição do trabalho hercúleo dos pesquisadores e de todos aqueles que sempre cuidaram e estiveram à frente das várias frentes internas do Museu e que, agora, dedicam-se, diuturnamente, à sua reconstrução.

Fundamental também a lufada de esperança soprada pelo libelo do admirável Mário Chagas em defesa do papel dos museus como locais de resistência, de salvaguarda do saber e do fazer humanos e da produção e compartilhamento de grãos de esperança que alimentam em todos nós a crença inabalável na democracia, nos direitos humanos, nos ideais de igualdade, fraternidade e liberdade de ideias, de amor, de fé, de gênero e de expressão.

*Jornalista e produtora cultural.

EMGE

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