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Religião

15/10/2018 | domtotal.com

Meu Deus minha música

Tudo que evoca Deus ou amor me comove.

Versos como estes percorrem a melodia e a fazem repetir seguidamente a expressão que lhe deu início e com ela irá terminar: Dio, come ti amo.
Versos como estes percorrem a melodia e a fazem repetir seguidamente a expressão que lhe deu início e com ela irá terminar: Dio, come ti amo. (Reprodução)

Por Afonso Barroso*

Acordo de madrugada com esta pergunta me cutucando: “Responda sem pressa, mas com toda certeza e sinceridade: qual é sua música preferida, a mais bonita que você já ouviu?”

Pergunta mais fora de hora...

Fico meio encabulado, mas o cutucão acrescenta sem esperar qualquer reação: “Música com letra, faz favor, porque sem letra é música clássica, e eu quero é popular, cantada”.

Só me resta botar a memória musical pra funcionar, e, para minha própria surpresa, não demoro a achar a resposta. A primeira letra-e-música que o vento das melodias inesquecíveis me traz à mente vem da Itália e chega atropelando outras que tentam se interpor à sua força irresistível:

Dio come ti amo, de Domenico Modugno na voz de Gigliola Cinquetti.

Será mesmo esta a mais bela música popular que jamais ouvi? Pode ser, sim pode. Pode, não: é. Tudo que evoca Deus ou amor me comove. Se junta as duas coisas, então, me super comove, como se diz no dialeto dos incultos tempos atuais.

Vamos esquecer os outros versos e ficar só no Dio come ti amo. Se o Dio desta obra prima não fosse apenas uma interjeição, teríamos aí um verso de amor a Deus, o que já seria suficiente pra me emocionar. Mas os demais versos, cantados na mais pura poesia, descem dos Céus e pousam no mar em nuvens brancas que parecem lenços a acenar para o amor que Deus abençoa entre duas pessoas. (Não, não inventei isto, está na letra de Modugno).

Versos como estes percorrem a melodia e a fazem repetir seguidamente a expressão que lhe deu início e com ela irá terminar: Dio, come ti amo.

E foi assim que selei minha resposta definitiva ao cutucão.

Mas devo, por uma questão de justiça e desencargo de consciência, relacionar algumas outras músicas-e-letras que me rondaram naquela madrugada. Uma delas foi My Sweet Lord, de George Harrison, possivelmente a mais bela canção de todos os Beatles. Não conheço prece musical mais fervorosa, que chegue tão perto de Jesus.

Outra que esvoaçou as cercanias do meu cutucão madrugador foi A Banda, de Chico Buarque. Pela simplicidade, pela beleza poética, pelo apelo popular daquele gostoso ritmo de marchinha, é uma ameaça permanente à liderança da balada de Modugno.

Várias outras canções concorreram ao prêmio Cutucão da Madrugada, como As Rosas não Falam, de Cartola, Yesterday, de Paul McCartney, Travessia, de Milton e Brant, Dream a little Dream of Me nas vozes de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, Que c’est Triste Venice com Charles Aznavour, e mais algumas assinadas por Vinicius, Tom, Lennon e outros, a quem peço sinceras e reverentes desculpas.

Que todos fiquem com Deus. Eu fico com Dio.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

EMGE

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