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16/10/2018 | domtotal.com

Tem algo importante e diferente acontecendo

E as pesquisas de intenção de voto? Podem argumentar o que quiserem, mas que tem algo de muito errado com elas, ou falho, para usar uma qualificação mais suave, isso tem.

Diferenças  de 20% ou mais de intenção de votos não podem ser explicadas nem por teses de doutorado.
Diferenças de 20% ou mais de intenção de votos não podem ser explicadas nem por teses de doutorado. (Reprodução)

Por José Antonio de Souza Neto*

Não sou sociólogo, mas acho que  não é preciso ser para perceber que o que está acontecendo no Brasil vai muito além das eleições ora em curso. E a primeira grande materialização  desta mudança aconteceu através das gigantescas manifestações de 2013. O movimento se atenuou com as ações muito suspeitas dos chamados Black Blocks que mais tarde, veio a se saber, estiveram em contato direto, em diversas ocasiões, com assessores de lideranças do governo da época. Parecia então que as coisas haviam se assentado e pacificado com as eleições de 2014. Bom, nem tanto... Marina Silva desde aquela época vinha denunciando que as eleições haviam sido fraudadas.  Ao que parece, levando em conta todas as delações premiadas até o momento, incluindo as do Antonio Palocci, e na suposição de que elas foram aceitas porque existem provas para sustentá-las,  as eleições terão sido verdadeiramente fraudadas em uma afronta à democracia. E nem vou entrar aqui na polêmica sobre as urnas eletrônicas, mas deixo aqui ao leitor a opção de assistir  a uma discussão do tema pelo STF:



Que cada um tire as suas próprias conclusões.

Aproveito a menção a Marina Silva para comentar que quando ela chegou a liderar as pesquisas de intenção de voto em 2014 sua candidatura sofreu um processo de "desconstrução" com ataques por todos os lados. Que  eufemismo!  Caro leitor vamos falar com todas as letras: ela foi caluniada de todas as formas. E o mesmo está acontecendo com o candidato que lidera no momento atual as intenções de voto. Aqui não é questão de preferência por candidaturas  até porque, em minha opinião pessoal, são várias as qualidades e vários os defeitos de cada uma delas. Aqui a questão é que calúnia é mais do que inaceitável. É um pecado da mais alta gravidade. E na arrogância da pós verdade e da capilaridade das Fake News que partem de todos os lados, parece que alguns acham, ou melhor têm certeza, que a maioria não percebe. Chamo a atenção para a palavra maioria porque a lógica nunca é de enganar a todos, até porque isso não é possível. A lógica é de enganar um número que seja suficiente. Os fins justificam os meios nesta lógica. Será que a maioria realmente não está percebendo isso?

E as pesquisas de intenção de voto? Podem argumentar o que quiserem, mas que tem algo de muito errado com elas, ou falho, para usar uma qualificação mais suave, isso tem. Diferenças  de 20% ou mais de intenção de votos não podem ser explicadas nem por teses de doutorado. Ou até podem, mas cá entre nós, as premissas utilizadas vão ter de forçar a amizade. Para dizer a verdade acho que no final fica até parecendo (palavra generosa) que os institutos de pesquisa passaram da etapa de profecias auto realizáveis para a necessidade de correr atrás da realidade para não perder o que ainda lhes resta de credibilidade.

E os programas de governo? Bom, muitos irão dizer, isso quase ninguém lê. Até porque, como argumentou de forma categórica um "grande especialista" que deu uma entrevista à Folha de São Paulo há poucas semanas, o que conta mesmo nas eleições brasileira é, sempre foi e será ainda por muitos e muitos anos é o tempo de rádio e TV do candidato. Ninguém liga para os detalhes. Ninguém tem tempo para eles ou mesmo são capazes de entendê-los. Pelo menos uma grande maioria. Será mesmo...? Mas volto aqui aos programas de governo. Vocês repararam que alguns dos pontos destes programas estão na boca até das pessoas mais humildes?

Querem saber de uma coisa? O grande "mecanismo" (convido o leitor a acessar o texto que escrevi sobre isso através do link http://domtotal.com/noticia/1180037/2017/08/esta-dificil/) que toma conta do poder no Brasil há muito tempo não está vendo, ou não quer ver, ou no berço esplêndido de seu longo "sucesso" permanece convicto (e não sem razão em função de sua versatilidade e efetividade para se auto perpetuar) de que não tem algo "realmente importante" acontecendo. O mecanismo ainda parece interpretar que estamos presenciando apenas as coisas que sempre acontecem. Ele vai lutar bravamente em causa própria, causará vários retrocessos no caminho, mas será atropelado.

Olhando para todas estas coisas começo a pensar na sabedoria intuitiva das crianças. Exceto pelas situações de coerção as crianças quase nunca seguem o que os pais dizem, mas sim o que os pais fazem. Voltando para o mundo dos adultos fico me perguntando: será que os eleitores estão prestando atenção nas palavras e no discursos com promessas de paraíso ou olhando o legado do que foi realmente feito pelos últimos governos?  Será que acreditam nas palavras de defesa da democracia ou estão tendo acesso a detalhes de programas de governo onde, com todas as letras, estão escritas diretrizes inequivocamente de natureza absolutamente totalitárias e com prescrições de modelos que nunca funcionaram em nenhuma cultura, em nenhum contexto e em nenhum momento da história humana?

E a grande mídia que fala e fala e a grande maioria parece não mais escutar? Será que o massacre ideológico, seja de qual for o lado, ainda consegue (se é que em algum momento conseguiu) se sobrepor, mesmo que por apenas um tempo? Ou será que a chama da ética e dos princípios que existe na esmagadora maioria dos seres humanos acaba de alguma forma a florescer, mesmo nas circunstâncias mais inóspitas, assim como o dom da vida parece prevalecer mesmo nas mais inóspitas condições das fossas abissais de nossos oceanos?

Independente de ideologia e sem fazer aqui nenhum pré juízo, é preciso com humildade e sem preconceitos, apenas sob o ponto de vista de uma investigação e uma análise de caráter técnica, científica e social, tentar responder de uma maneira não superficial à seguinte pergunta: Como é possível que um candidato que não tinha um partido relevante, que não tenha tido nem dez segundos de tempo de TV e de rádio, que não tenha gasto nem 0,04% na sua campanha em relação a seus antecessores nas últimas eleições e que tenha sido massacrado (não estou entrando no mérito da veracidade ou não do que lhe é imputado)  pelos seus adversários e detratores com as mais graves acusações, possa estar liderando as intenções de voto na maioria do país e em um estado como Minas Gerais, segundo pesquisa divulgada no último dia 12/10/2018, possa aparecer com uma preferência de mais de 70% do eleitorado? Será que a maioria da população sabia escolher antes os seus líderes e agora não sabe mais? Será que na verdade nunca soube e continua não sabendo? Ou será que não sabia e agora sabe?

Não faz muito tempo e em desalento comentei com minha esposa que estava impressionado com o poder da mentira como arma. O país parecia, e ao meu ver ainda parece, destruído por ela. Minha esposa olhou de volta para mim e disse: "Não estou entendendo o seu espanto.  É só você ver na bíblia o que acontece na narrativa de Adão e Eva e vai se recordar da arma que as trevas utilizaram. Todo o curso do desastre que se seguiu foi consequência do uso do engodo e da mentira. Eles sempre foram armas poderosíssimas! ". Sim, pensei comigo mesmo, ela tinha razão. Mas pensei também que mais forte que a mentira, mesmo que ela demore ou pareça demorar um longo tempo para prevalecer, é a verdade. E no mundo virtual em que agora vivemos, mesmo com as inúmeras imperfeições deste novo mundo e que na verdade apenas espelham a natureza humana, se ainda estamos longe de alcançar verdades, estamos pelo menos cada vez mais pertos de perceber mentiras. Se não ainda no contexto de muitos individualmente, pelo menos no contexto do grupo de uma maioria. E olha que tem muita gente ainda propondo e literalmente assinando os documentos que escreveram defendendo o controle das mídias sociais.  Repito, não a segurança destas mídias ou o combate às fake news, mas o controle! Nenhuma surpresa. É uma das armas que ainda restam a estes muitos (ou seriam na verdade poucos?), pois aos trancos e barrancos, com acertos e erros as mentiras parecem estar ficando com pernas cada vez mais curtas.

Sem dúvida tem algo muito importante acontecendo. E para que seja uma coisa boa é absolutamente essencial não subestimar os que não buscam coisas boas e é fundamental entender que o único caminho possível e viável é o da democracia. E tem muita gente querendo destruí-la e com muita frequência são justamente aqueles que mais proclamam defendê-la. Como fazem isso? Acusando e caluniando seus oponentes, que em realidade consideram como inimigos, daquilo que na verdade pensam e são.  E viva o WhatsApp e o YouTube! Apesar de suas imperfeições e riscos reais de mau uso em tantos casos, é muito melhor um mundo com eles do que sem eles. É, parece que os tempos estão mudando.

*Professor da Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE)

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