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15/10/2018 | domtotal.com

O mito do feminismo

Prefiro um candidato que diz que vai legalizar a castração química do homem que submeter a mulher à humilhação do estupro.

MCCarol, funkeira: 'Cospe na minha cara, me esculacha, vem por cima'.
MCCarol, funkeira: 'Cospe na minha cara, me esculacha, vem por cima'. (Reprodução)

Por Flávia Leão*

Olá. Quem vos fala é uma mulher branca, heterossexual, cristã, criada dentro dos princípios da Igreja Católica. Sendo assim, dentro da concepção de mundo atual, a única coisa que me torna uma minoria, é o fato de ser mulher, e é como mulher que me dirijo a vocês hoje. Nem falo muito por mim, porque, graças a Deus – olhem aí minha formação cristã se revelando! -, sempre fui muito privilegiada, mas por todas as mulheres desse mundão afora que não tiveram a mesma sorte.

Vocês entendem por que somos minoria? Porque nós, mulheres, sempre fomos vistas como objeto do homem, um instrumento que eles usam sempre que querem e, quando cansam, jogam fora. Um brinquedo descartável e substituível. Somos minoria porque os homens sempre nos trataram como seres inferiores e mais fracos que eles.

Desde o alvorecer dos tempos somos menosprezadas, estupradas, violadas e espancadas por eles, e eu, obviamente, como mulher, gostaria imensamente que isso acabasse, que pudesse sair por aí, andar por qualquer lugar, a qualquer hora do dia ou da noite sem medo ou preocupação nesse sentido. Mas o que eu vejo por aí são mulheres que cantam músicas que incitam o estupro. Um exemplo disso é MCCarol, funkeira. A moça canta letras do tipo “Cospe na minha cara, me esculacha vem por cima. Puxa meu cabelo me chamando de bandida. Me mete a porrada, diz que eu sou piranha. Pode admitir, eu sou a melhor na cama. Esses tralhas me fascina. Cavanhaque eu perco a linha. Adoro vagabundo de radinho e de mochila.” E essa moça, hoje, em pleno século XXI, foi candidata a deputada estadual pelo Rio de Janeiro que, felizmente, não foi eleita, mas teve o apoio de Manuela D’ávila, candidata a vice de Fernando Haddad. Segundo Manuela, MC Carol é verdadeira representante feminista no Brasil.

É por isso que lutamos? É assim que queremos ser respeitadas e deixar de sermos vistas como objetos? É elegendo mulheres que se apresentam publicamente cantando funks como este que esperamos ver alguma mudança? Que importa o fato de ela ser negra, ter nascido em uma favela e não ter recebido instrução? Pois Manuela é branca, bem nascida – filha de um engenheiro e de uma desembargadora gaúchos – e é jornalista.

Sinceramente, eu prefiro um candidato que diz que vai legalizar a castração química do homem que submeter uma mulher à humilhação de um estupro, porque eu me sinto muito mais amada e protegida por este homem do que por mulheres como Manuela D’ávila e MC Carol. Essas estão longe de me representar.

*Flávia Leão é jornalista formada pela Fumec e advogada pela Faculdade Milton Campos com pós-graduação em Cambridge, Reino Unido.

EMGE

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