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17/10/2018 | domtotal.com

Crise dos refugiados pode levar ao fim da União Europeia, aponta Manuel Medina

Ex-parlamentar e professor catedrático de universidades espanholas ministrou palestra nesta quarta-feira (17), na Dom Helder.

Professores Sebastien Kiwonghi, André de Paiva, Manuel Medina Ortega e Roberto Caldas.
Professores Sebastien Kiwonghi, André de Paiva, Manuel Medina Ortega e Roberto Caldas.
Professor Roberto Caldas, da Universidade Nove de Julho, debate com o palestrante Manuel Medina Ortega.
Professor Roberto Caldas, da Universidade Nove de Julho, debate com o palestrante Manuel Medina Ortega.
Professores Sebastien Kiwonghi, Anacélia Santos, Manuel Medina Ortega, Roberto Caldas e André de Paiva.
Professores Sebastien Kiwonghi, Anacélia Santos, Manuel Medina Ortega, Roberto Caldas e André de Paiva.
Professor André de Paiva Toledo, da Dom Helder, durante a abertura do evento.
Professor André de Paiva Toledo, da Dom Helder, durante a abertura do evento.
Crise dos refugiados é tema de debate na Dom Helder.
Crise dos refugiados é tema de debate na Dom Helder.
Manuel Medina Ortega é ex-parlamentar da UE e professor catedrático das universidades Complutense e La Laguna.
Manuel Medina Ortega é ex-parlamentar da UE e professor catedrático das universidades Complutense e La Laguna.
Crise dos refugiados é tema de debate na Dom Helder.
Crise dos refugiados é tema de debate na Dom Helder.
Crise dos refugiados é tema de debate na Dom Helder.
Crise dos refugiados é tema de debate na Dom Helder.
Crise dos refugiados é tema de debate na Dom Helder.
Crise dos refugiados é tema de debate na Dom Helder.

A crise dos refugiados é um problema central, que pode levar ao fim da União Europeia (UE). A avaliação é de Manuel Medina Ortega, ex-parlamentar da UE e professor catedrático das universidades Complutense e La Laguna, na Espanha. Convidado pelo programa de Pós-Graduação em Direito da Dom Helder, Medina ministrou a palestra ‘O mundo em transe: a Crise dos Refugiados’ na manhã desta quarta-feira (17), no auditório da instituição.

“A UE é um experimento muito original de formação de uma entidade política superior, integrada pelos estados nacionais de maneira voluntária, sem violência, com valores e princípios. Só que, em cada um dos países do bloco, há movimentos acontecendo para limitar o direito das pessoas de circular livremente. Há o risco da UE entrar em contradição com os seus valores”, apontou Manuel Medina.

De acordo com o professor, o momento mais grave ocorreu em 2015, quando mais de 1 milhão de refugiados chegaram à Europa. Metade deles eram sírios, fugindo da guerra civil, seguidos de afegãos e iraquianos. Esse fluxo migratório introduziu elementos perturbadores no sistema social europeu e encontrou resistência nas classes com menor poder econômico, que enxergam os refugiados como novos competidores no mercado de trabalho. “O apoio vem dos intelectuais, não dos trabalhadores. (...) No momento, a Espanha é o único país da UE que aceita imigrantes. Mas por quanto tempo a população espanhola vai suportar essa situação? ”, indagou Medina.

O professor Roberto Caldas, da Universidade Nove de Julho, participou do evento como debatedor, juntamente com os professores André de Paiva Toledo e Sebastien Kiwonghi Bizawu, da Dom Helder. Após a palestra, Roberto lançou novos questionamentos ao palestrante. “O senhor nos falou que a Europa precisa desses imigrantes, como uma força de trabalho que se sujeita a realizar tarefas que o europeu não faz. Não seria o caso de discutir essa questão junto à população, de forma a criar novas vias de absorção desses imigrantes? Formando um novo segmento, sem que isso represente uma ameaça aos trabalhadores”, ponderou Roberto.

O professor André de Paiva também deixou seus comentários, destacando a obrigação jurídica dos estados de receber os refugiados e respeitar os Direitos Humanos. “Durante a palestra, o senhor falou sobre a questão política, que os estados são soberanos e têm liberdade para fechar ou não suas fronteiras, permitir ou não a chegada dos imigrantes. Politicamente há esse aspecto, mas juridicamente nós temos normas em vigor, convenções universais sobre os Direitos Humanos e a questão migratória. Um dos elementos fundamentais desse Direito Internacional é o princípio da não-devolução. Os estados têm uma obrigação jurídica, mesmo que politicamente não estejam contentes”, afirmou André.

Ao final do evento, o professor Sebastien Kiwonghi apontou a importância da visita de Manuel Medina à Dom Helder. “É uma pessoa que tem uma grande experiência no âmbito europeu, sobretudo no parlamento. Então a presença dele é uma abertura para os nossos alunos e professores ampliarem seus conhecimentos sobre a realidade dos refugiados, e ao mesmo tempo entenderem melhor a política europeia sobre a migração, as questões pendentes que decorrem do nacionalismo europeu, a crise política dentro da UE. Ele nos mostrou a complexidade deste problema”, disse Kiwonghi.

Texto e fotos: Patrícia Azevedo/Dom Total

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!


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