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Religião

19/10/2018 | domtotal.com

O que as juventudes pedem e esperam da Igreja?

A meninada espera um convite para abraçar um projeto e uma causa, fruto de uma relação amorosa e de um estar à mesa.

A juventude deseja ajudar as comunidades e povo a reaprender o sentido da festa e a fazer festa.
A juventude deseja ajudar as comunidades e povo a reaprender o sentido da festa e a fazer festa. (Marcos Figueiredo/Arquidiocese de BH - 24/03/16)

Por Luís Duarte Vieira*

Quando chegou a hora, (Lc 22, 14)

É chegada a hora. O tempo se cumpriu. O convite é para o hoje. Eis o tempo. E nesse tempo o desafio é indagar-nos sobre o que os/as jovens esperam da Igreja. O fazemos junto do Senhor e dos/as discípulos/as naquela ceia derradeira e nas ceias que nossas  Comunidades celebram. O fazemos nesse imperativo de que é chegada a hora. 

depois de ter amado até o fim (Jo 13, 1),

A experiência do discípulo e do Senhor é a experiência de dois amantes. O discípulo é amado. O Senhor amou até o fim, até o extremo: essa é a confissão da Comunidade que reunida faz experiência desse amor.

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Se a Igreja é a Comunidade dos/as seguidores/as de Jesus, tal qual os discípulos reconhecem em Jesus o amor até o fim, as pessoas deveriam reconhecer nos seus seguidores/as esse mesmo amor. A juventude é amada? A juventude sente-se amada? A Igreja ama os/as jovens? Todos/as eles/as? A Igreja ama nessa radicalidade do extremo?

 pôs a mesa com os seus (Lc 22, 14).

O Amado coloca-se a mesa com os seus. Quem são os seus? Quem são os convidados e convidadas para o banquete nupcial do Cordeiro? O Amado convida os seus, as suas. Convida os/as pobres, seus amigos e amigas, com quem peregrinou naquelas terras da Palestina. Convida para o banquete, para o memorial.

A juventude está convidada para o banquete do Cordeiro que nossas Comunidades celebram hoje? Como indagar o que as juventudes esperam da Igreja se elas não forem ou não se sentirem convidadas para sentar-se a mesa com o Senhor e seus seguidores/as? Todas as diversidades juvenis são convidas? Todas podem sentar-se à mesa?

Tomando a taça e o Pão, deu graças. (Lc 22, 17. 19)

O Senhor dá graças. Bendiz ao Pai. Agradece. Louva. Ou seja, Ele faz FESTA. Ele vê o pleno sentido da Festa. Ele louva o pão e o vinho que será partilhado. Ele louva uma vida toda. Ele agradece, apesar da morte eminente. Ele louva, apesar da dor e da opressão em que o povo vive. Ele celebra. A juventude gosta de festa. A juventude faz festa. A juventude quer celebrar. A juventude espera/deseja que a Igreja a ajude a celebrar, apesar das dores e opressões desse tempo. A juventude espera o convite para ajudar a fazer festa. A festa que recupera sentido. Que devolve alegria e esperança, apesar das dores. A juventude deseja o convite para celebrar e agradecer, não pela formalidade, mas porque amar é também agradecer. A juventude deseja ajudar as comunidades e povo a reaprenderem o sentido da festa e a fazer festa.

E deu a eles. (Lc 22, 19)

Ele, o Amado, dá o pão e o vinho aos seus. Dá seu corpo e seu sangue. Dá sua vida. Ele dá a todos e a todas. A doação e o amor que moveu sua vida é a todos e todas. Essa é uma verdade que a juventude deseja ouvir. É a todos e a todas que Ele dá. Não tem e nunca terá distinção. Não tem e nunca terá exclusão. Ele dá. Ele sacia. Ele sacia a fome de pão e de vinho, e também de sentido. As juventudes tem fome e sede de sentido. E muitas, não poucas juventudes, tem fome e sede de pão, de água e de vinho. Aqui está outro desejo. Os/as jovens, mesmo que não o digam, esperam a fidelidade da partilha de quem está na escola dos/as seguidores/as. Pão em todas as mesas. Nenhuma mesa, nenhum irmão sem pão, sem sentido. Entre outras coisas, é disso que Francisco fala quando afirma que precisamos ser uma Igreja pobre e para os pobres. Os/as jovens desejam pão e sentido.

Em seguida, levanta-se, tira o manto e começa a lavar os pés dos discípulos. (Jo 13, 4-5)

A ceia não seria o banquete nupcial sem  o Lava-Pés, expressão dessa radicalidade da vida toda dada e doada em serviço.

Ele levanta. É Ele quem toma a iniciativa. Somos uma Igreja em saída? Temos vivido a radical atitude de levantar-se? Os/as jovens tão desejam coerência: ser tal qual o Mestre. Estamos dispostos a levantarmos de nossos lugares?

Ele tira o manto. Simbólico: tirar o manto. Tira aquilo que o impede de servir e de lavar os pés. Temos essa liberdade? Somos capazes de tirar aquilo que nos impedem de amar e de servir? Estamos dispostos a nos despir? A tirar nossos mantos? Os/as jovens olham para nós e enxergam essa radicalidade? Nós os/as convidamos para essa radicalidade?

Ele lava os pés dos discípulos. Ele, o Senhor e Mestre, lava os pés. É que a vida toda era essa comunicação do amor e do serviço. Era e é essa doação. As juventudes esperam que lavemos seus pés. Queremos lavar os pés dos/as jovens? Queremos lavar os pés dos/as pobres? Os/as convidamos para também lavarem os pés dos demais ou temos oferecido uma Igreja e uma religião onde não cabe o Lava-Pés?

 E, no fim, indaga: “compreendeis o que voz fiz? Se o sabeis e o cumpris, sereis felizes!”  (Jo 13, 12.17).

A pergunta de Jesus e seu convite é um imperativo de projeto e de sentido de vida. A pergunta do compreendeis é uma pergunta para o todo da vida e também para o gesto. É um convite para a adesão a um projeto e a uma causa. A adesão é livre. O fruto, contudo, é claro: felicidade. Não a felicidade vã do egoísmo e do mundo que gira ao redor do umbigo. Mas, a felicidade que brota da doação e do amor. Os/as jovens, no turbilhão de suas vidas e também de seus afetos, deseja e espera esse convite. Um convite de liberdade para um projeto e uma causa. Evidentemente, projeto que tomará muitas formas. Mas, que sempre será um projeto a partir do AMOR a todos e todas. Um projeto que dá sentido à vida. Sim, a meninada espera esse convite radical para abraçar uma causa. Sem pressão. Sem controle. Sem manipulação. Mas, com respeito à liberdade e a autonomia. Com acompanhamento. Sim, a gurizada também deseja que haja aqueles/as que queiram caminhar com eles/as. A meninada espera que os indaguemos: : “compreendeis o que o Senhor fez? Se o sabeis e o cumpris, sereis felizes!” A meninada espera esse convite para abraçar um projeto e uma causa, fruto de uma relação amorosa e de um estar à mesa no banquete que é pata todos e todas ou não é o banquete eucarístico.

 Oxalá, o Sínodo sobre juventude, fé e discernimento vocacional nos ajude, a ir ao encontro dos/as jovens e os convidar para juntos/as sentarmos à mesa e comermos o banquete do Pão/Corpo e do Vinho/Sangue partilhado para que todos/as tenham vida e vida em abundância.

EMGE

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