Brasil Cidades

24/10/2018 | domtotal.com

Direita, volver!

O Brasil não será mais o mesmo depois do próximo domingo.

Devemos esperar do governo do novo Messias – o nome dele é Jair Messias Bolsonaro— um certo grau de trapalhadas, incertezas e boa dose de violência.
Devemos esperar do governo do novo Messias – o nome dele é Jair Messias Bolsonaro— um certo grau de trapalhadas, incertezas e boa dose de violência. (Exército Brasileiro)

Por Reinaldo Lobo*

Se as pesquisas estiverem certas, em breve seremos governados pelo Exército Brancaleone. Será uma exótica mistura de BOPE com Escola de Chicago. Significa “privatizar tudo” na porrada. Isso já foi tentado pelo governo Pinochet no Chile, nos anos 70/80, com apoio direto dos Estados Unidos. O Chile não entrou exatamente para o clube dos países desenvolvidos.

Duas diferenças com o regime chileno: aqui, a maioria do povo terá escolhido seu destino nas urnas, ainda não houve tanques nas ruas; o segundo ponto é que teremos um ex-capitão dando ordens a uma equipe de generais. Isso também já foi tentado: lembram-se daquele cabo alemão? Deu no que deu.

De qualquer modo, o Brasil não será mais o mesmo depois do próximo domingo. Será a terra de Brancaleone.  Para quem não se lembra, o Exército Brancaleone foi um filme italiano estrelado por Vittorio Gassman, cuja história se passava num reino imaginário bizantino e a força militar era formada por recrutas bizarros, alguns deles fracassados na sociedade em geral, todos relativamente incompetentes  para as tarefas para as quais foram requisitados pelo seu orgulhoso e pretensioso líder. Algo assim como os “Trapalhões” formados por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Dependiam mais da sorte e do acaso para as suas batalhas inglórias.

Devemos esperar do governo do novo Messias – o nome dele é Jair Messias Bolsonaro— um certo grau de trapalhadas, incertezas e boa dose de violência, pois a campanha do trêfego capitão reformado já mostrou não só violência verbal, mas física. Seus partidários, muitos deles brucutus carecas neonazistas, podem sentir-se liberados para bater em negros, mulheres e gays. E em petistas, claro!

Receio que a violência não virá da oposição, mas do próprio grupo governante. Quem discordar do psiquicamente onipotente Messias poderá sofrer conseqüências a curto ou médio prazo, como , talvez,  visitar a versão contemporânea do Tutóia Hilton, o célebre cárcere paulista do DOI-Codi daqueles tempos do então coronel Ustra.

O mais provável é que haja a famosa trégua de início de mandato, logo após a posse do governo. O ex-capitão prometeu , inclusive, visitar  protocolarmente os chefes dos demais poderes, Judiciário e Parlamento. Terá de formar oficialmente um ministério, e, como diz desejar,cheio de militares. Sempre ficará uma aura de de mistério em torno do Messias, pois essa é a sua estratégia de marketing para esconder a falta de idéias e a fragilidade do seu pensamento. O Chefe opera por mensagens curtas, diretas e atitudes brutais.

Uma questão é como vai lidar com seu vice, o general Mourão, para quem deveria hierarquicamente bater continência. Ocorre que o general é uma figura peculiar, sobre quem já se lançou a suspeita de, bem jovem, ter participado de sessões de tortura durante a ditadura de 64-85, e que se considera parte da “elite pensante” da Nação e “o articulador”, como disse em mais de uma entrevista. Gosta de ser a ponte entre o Messias e os milionários, o que tem feito durante a campanha ao lado do gênio de Chicago, o Paulo Guedes, também conhecido como “Posto Ipiranga” do grande líder e macho Alfa. Mas o general não será um vice confortável de se ter.  Gosta também  de falar sem pensar e, sobretudo, de mandar.

Quanto ao Posto Ipiranga, já foi desmentido algumas vezes pelo Messias. No seu afã de privatizar tudo e cortar direitos dos trabalhadores, lançou algumas frases prematuras sobre a imediata privatização da Eletrobrás, sobre a recriação da CPMF e, junto com Mourão, a proposta de retirar de todos o Décimo Terceiro salário.

O desmentido veio rápido, pois havia uma campanha eleitoral a ser ganha. Um detalhe: o Messias não é assim tão favorável à privatização da Eletrobrás, que considera na sua visão militar uma empresa pertencente à área de Segurança Nacional.

Quem garante que, depois de vencida a eleição, os temas do general Mourão e do Posto Ipiranga não voltarão para a mesa do Palácio do Planalto com toda força? Há alguma coerência nessa equipe de militares inspirada por um economista ultra-ortodoxo voltado para o mercado de capitais?

Não se enganem, porém: por trás desse exército errático estarão forças poderosas tentando fazer dar certo. Primeiro, as empresas mineradoras sedentas pela abertura das terras indígenas à exploração. Segundo, ruralistas à espera de licenças frouxas do Ibama para o desmatamento. Terceiro, os bancos nacionais, temerosos de uma reforma  capaz de diminuir seus ganhos bilionários. Quarto, o mercado de armas de fogo, que, aliás, já está vendendo seis armas por dia a cidadãos comuns e empresas, graças à “flexibilização” da Lei proporcionada pela candidatura de Bolsonaro — há um desrespeito informal à lei do desarmamento, que nem foi modificada oficialmente. Quinto, mas não menos importante, outros grupos empresariais, como aqueles que patrocinaram o Caixa 2 do Messias, disparando a máquina de distribuição de “fake news” no WhatsApp e nas redes sociais em geral.

Existe , portanto, uma chance de tudo dar certo para o grupo de fascistóides que pode chegar em breve ao poder. Talvez esteja enganada a ex-candidata a vice de Ciro Gomes, a senadora Kátia Abreu, que disse não dar “nem três semanas” para que esses militares dêem um “auto golpe” ou talvez “um no outro”. Quem viver,  verá!

Ainda que o filho do Messias, o “garoto” Eduardinho Bolsonaro, queria fechar o STF usando apenas “um soldado e um cabo”, Isso não seria tão fácil. Além de haver resistência, o pai dele é um parlamentar antigo que, mesmo não fazendo grande coisa no Congresso – exceto usufruir mordomias, elogiar torturadores, ameaçar mulheres indefesas, enriquecer e aos seus filhos—conhece um mínimo de política e imagina que terá de negociar um pouco, como acontece no jogo democrático.

Como os evangélicos, devemos pedir a Deus, que deveria ser brasileiro, uma forte proteção contra esse Exército Brancaleone e, principalmente, contra o seu “Capetão” !

*Reinaldo Lobo é psicanalista e articulista. Tem um blog: imaginarioradical.blogspot.com e uma página pública no Facebook: www.facebook.com/reinaldolobopsi.

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas