Brasil Eleições 2018

05/11/2018 | domtotal.com

O eleitor e o poder

Bolsonaro vai sentar-se na curul presidencial sabendo que será fiscalizado a cada segundo da sua administração.

Fracassará se não aderir à prática democrática da negociação, do diálogo
Fracassará se não aderir à prática democrática da negociação, do diálogo (Reuters)

Por Afonso Barroso*

A campanha política que tivemos a desdita de presenciar durante meses inspira reflexões sobre o comportamento dos candidatos e do eleitor. O capitão Bolsonaro, mesmo longe de ser o presidente ideal para o País, surgiu como espécie de tábua de salvação, que não sei se salvará mesmo, para uma nação à deriva, soçobrada pela ação malévola de um regime de governo ilusoriamente democrático. O PT tinha a ambição do poder perene e adotou uma política assistencial que julgou ser suficiente para conquistar em definitivo a confiança da população. Mas precisava de dinheiro para dar seguimento ao projeto, e errou redondamente ao se julgar imune aos desvios de recursos que promoveu sem pudor ou prudência. O processo de sangria dos cofres da Nação, em especial da Petrobras, foi descoberto e estancado pela ação da Polícia Federal na operação de faxina moral denominada Lava Jato. O eleitor se assustou.

Fernando Haddad, lançado pelo ex-presidente Lula da sua cela em Curitiba, a princípio escudou-se na armadura do chefão, submetendo-se à figura humilhante de candidato-poste. Na reta final da campanha resolveu desvincular-se da figura do mentor mor, por razões não suficientemente explicadas, embora facilmente explicáveis. Chegou a abrir mão da estrela e do pavilhão vermelho do PT, passando a preservar apenas o número 13, como se essa mudança, mais ou menos radical, pudesse salvar a lavoura em chamas. E passou a adotar a estratégia da desconstrução nas inserções de TV e rádio, com acusações violentas ao adversário, elevando à última potência cada fala infeliz, cada deslize cometido no passado pelo deputado Bolsonaro com seu estilo militarizado de quem não leva desaforo pra casa. Deu certo, mas apenas em parte. Já era tarde.

Bolsonaro, por sua vez, usou as redes sociais para se comunicar com o eleitor, já que seu tempo disponível no horário eleitoral do rádio e televisão não passava de oito segundos. Ganhou espaço volumoso na mídia em razão do atentado de que foi vítima. Tentaram matá-lo, mas foi salvo pela competente equipe médica da Santa Casa de Juiz de Fora.

Mesmo com os riscos de um governo que possa não ser lá muito democrático, o eleitor brasileiro mais esclarecido depositou na urna o seu voto de desconfiança no estilo PT de governar. Melhor a possível honestidade do que a corrupção comprovada.

Bolsonaro vai sentar-se na curul presidencial sabendo que será fiscalizado a cada segundo da sua administração. Terá de se submeter aos preceitos da Constituição e dialogar com um Congresso ainda sem rosto, se quiser implantar seus planos e metas.

A presença no Governo do economista Paulo Guedes, como espécie de ministro plenipotenciário, poderá conduzir o País a um porto seguro na gestão financeira. Outros ministros escolhidos, ao que tudo indica, são pessoas aptas a desempenhar com acerto suas funções no Governo. É o que se espera.

No final das contas, não parece provável que Bolsonaro continue abusando da truculência característica do seu jeito de ser. Não pode agir mais como parlamentar, já que agora passará a ocupar um cargo executivo, por sinal o mais alto da nação.

Fracassará se não aderir à prática democrática da negociação, do diálogo. O Brasil não o elegeu para ser ditador.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor

EMGE

*O DomTotal é mantido pela Escola de Engenharia de Minas Gerais (EMGE). Engenharia Civil conceito máximo no MEC. Saiba mais!

Comentários

Instituições Conveniadas